terça-feira, 6 de novembro de 2012

Retrogradação





O tempo passa e entre os ponteiros do relógio em que viajo, perco a noção da importância da simplificação das complexidades, que assim denomino, em que navego no curso do rio impetuoso, que me atira contra as margens rochosas, na esperança do alcance de uma simples reflexão, de um momento de cruel cansaço, que me force a parar e a pensar na tremenda celeridade em que me enredo, correndo para ali e para acolá, para esta e aquela pessoa, sem me dedicar em profundidade aquilo que sei, e sobretudo que sinto, ser realmente importante para uma concretização autentica de uma sensação apaziguadora de paz.
A paz tem um espólio de nuances incontável aos algarismos conhecidos, o que almeja o verdadeiro conforto interior é singular, inigualável, irrepetível de pessoa para pessoa, de alma para alma, é uma sensação única,  só nos seus artifícios, nos seus desenvolvimentos e nas suas formas.
Para a encontrarmos, para sabermos onde se esconde, para que esta nos encontre, é necessário acender a luz perdida, para que ambas se encontrem no ponto de partida.
Para a luz se conflagrar é vital que retardemos o alucínio do ritmo preservado, é indispensável a imersão nas aguas turbulentas, sem preocupação com o tempo gasto, porque é aqui que o tempo que realmente desejamos, se prolifera á qualidade suprema, na dedicação á matéria exausta e ao espírito agitado.
Na meditação o tempo não pára, continua a decorrer no ritmo contado, o que estagna somos nós, entre o passado e o futuro, concentramo-nos por fim no presente. 
Na badalada pronunciada, no eco aprofundado, viajo nos ponteiros do relógio,  retardo o seu movimento, a sua velocidade ao meu desejo, inicio a viagem da retrogradação ao tempo vivido, para que este que caminho, se estenda na plenitude da minha vontade.
Cerro os olhos cansados, os lábios extenuados e o corpo calejado, deixo-me flutuar nas aguas da quietude, aguardando o surgimento da luz encanta e da paz revigorada.
Ando para trás ou mais para frente do que nunca?

Sarah Moustafa




8 comentários:

  1. Olá Sarah,

    Estou chegando aqui por indicação da Dulce, do Crazy 40 Blog.
    Dei um passeio em seu espaço e pude sentir a sensibilidade e talento que reinam por aqui.
    Parabéns!
    Voltarei com mais tempo para saborear seus textos.

    Beijo.

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  2. Andar para trás, sim; mas para tomar balanço para arrancar para diante.

    Vi, também, no Crazy, a descrição que fazes e descobri que Pessoa e Florbela nos ligam por algum percurso inspirador.
    Gostei.


    Beijos


    SOL

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  3. Sarah, achei super inteligente esse trecho:

    "Na meditação o tempo não pára, continua a decorrer no ritmo contado, o que estagna somos nós, entre o passado e o futuro, concentramo-nos por fim no presente".
    bjos
    Manoel

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  4. Para trás ou para a frente não sei, mas a tua prosa continua a encantar-me, bem como o teu pensamento. Tens uma visão profunda da humanidade e do seu intimo. Adorei!

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    1. Querida Dulce, que bom que vê isso nas minhas palavras!
      Beijinhos*

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