domingo, 19 de fevereiro de 2017

Persona non grata


Nunca precisei de muito,
Mas precisei de ti.
E não estavas lá, nunca estavas lá.
Sei que devia ter sido mais ambiciosa
E de ter aprimorado esta capacidade de cálculo
Crente na percentagem mais improvável!
Esta esperança quase me mata,
esfola-me viva
Escama a verdade
E o que é?
O que dói ?
O que resta?
O que sempre ficará ?
És tu mesma , és tu mesma.
Menos é mais.
E eu sou muito mais.
Abro os braços ao que não me deste.
Tola, menina sonhadora ,
Tenho um mundo inteiro á minha disposição.
Intrigante, mulher misteriosa

No fim de tudo ofereceste-me de volta a mim mesma.
Inteligente ...
Serei eternamente grata.
Continuo a ser aquela pérola generosa,

Mas agora, é hora.

Sai.






Sarah Moustafa

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

My precious.




My hands are tied
But
My heart remains open, it  roar's free .
You can taint it , smash it, 
the same way it breaks, it bleeds
It expands magnificent ,
ready for another shot, another attempt
to properly see if you can defeat me.
You can't . Oh , but you try.
This heart of mine, is a jewel
a music box , and you dance to the sweet tune.
the eternal misery that breathes hope,
your secret desire to return to the truth of love.
So take my hands, take
 my body
put it in that cell ...
Punish me,
Let me starve ,
My soul will nourish me 
The mouth is dry and thirsty
My tears will fall
And the flood will clear
The debris of sickness
Your selfishness and tyranny
consumed my body with.
And this body may die ,
And you may win ,

But you'll never reach my forever beating heart.

I will never stop caring,
I will never stop giving,
I will never stop believing.
That even you , 
A hurt boy dressed in the clothes of self made man
A dreamer, turned cynical
A fallen angel pretending to be the devil,

even you ,

Are worthy of love .


This is what drives you mad,


My soul is intact.






quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Queda sem chão .



Detesto estes dias.
Nada chega, nada preenche o vazio solitário
forjado lamentavelmente á extensão do teu nome.
Nome que sobrevive neste borrão de palavras,
abominavelmente sentimentais, repetitivas
Já chega ! Já chega ! Já chega!
Acho que estou mesmo doente.
E quanto mais tento a cura mais veneno me preenche
Existe um abismo sem fim,
Nunca mais aterro
e me estatelo morta nesse sagrado chão.
Talvez sobrevivesse, sem memória
completa limpeza de histórico
Alguem me puxaria pela mão
E mostraria como é bom voltar a realidade
Da simples existência do amor,
Detesto estes dias,
que temo a eterna ausência da tua voz
O eco da rejeição
Com que ainda me embalas diariamente,
O apagar das linhas do teu rosto,
onde se desvanecem detalhes,
Areias movediças
que te apagam no tempo.
Devia celebrar,
Não estamos destinados,
Porque haveria de querer alguém tão pequeno como tu?
Nunca foste meu amigo ou amante.
Uma miragem , um devaneio
Uma personagem que só ficou aquém
do que artisticamente criei,
Secalhar é isso...
Fui eu que te dei vida.
E carrego-te como cruz,
Claro que sinto falta de ti,
Levaste um bocado de mim.
Eras meu .
Mas eu nunca poderia ter sido tua.
Não eras real .

Detesto estes dias,
Em que converso entre lágrimas 
e enfraqueço...

Dizem o dilúvio é uma limpeza.

Depois deste tempo todo ?

Ainda me poluis.

Detesto-te.







Sarah Moustafa 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Não sou nada




Conta até dez
E diz -me
Devagar...
Quantas vezes 
acabaste rendido aos meus pés ?
Eu não sou nada,
Ainda assim ,
arrastas-te á redenção do altar do meu nome.
Eu não sou nada.
Mal menina, péssima mulher.
Diz-me que pérolas ancestrais
São essas 
Com que queres decorar o meu corpo?
Como gostaria de me puder ver
através da perversão dos teus olhos
E julgar-me soberana de um reinado
Que não sei governar !
Mas adormeço uma vez mais neste pântano,
Cada vez mais escuro,
Não tenho medo ou vergonha
Do que é profundo
E tantas vezes sujo...
Não sou nada
Talvez um breve raio de luar
Que te observa quando diz já não te amar
Conta até dez...
Prometo da tua mémoria me apagar
Mas grita ...
Rápido!

Como é a mim desejar ?






Sarah Moustafa 

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Quem semeia vento, colhe ...



Não adoras a forma , 
como o raio desce dos céus
E violentamente nos separa?
Dizem que o Universo é inteligente,
tem um plano maior para o que acaba.
Das duas uma,
Ou fomos postos á margem , cães abandonados , 
desorientados nesta longa estrada
ou...
Somos , nós mesmos, a partícula da tempestade.
Não adoras cair continuamente da graça de Deus ?
E ser a esta missão sempre chamada ?
As asas estão só rasgadas..
Destrói, reconstrói, destrói.
Dói !!!!
Não admira que ninguém goste de nós,
Carregamos o dia, sufocamos o sol
evocamos o medo,
Os vidros estremecem, a luz vai abaixo...

Ouves esta canção de amor ?


Lá vem trovoada...






Sarah Moustafa 

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

De carne e osso




Tu deixaste-me ir.
E nunca mais olhaste para trás.
Não tens o direito,
Não levantes o dedo
Porque queres uma oportunidade,
e é inadmissivel não te a dar.
Lamento, se não é tudo sobre ti,
Mas.
Tu fizeste isto,
Eu esperei por ti todos os dias.
Anda sim, chega o dia, 
E a espera nunca acaba....
A  noite é tão longa ,
E a fonte secou os milagres.
Consigo sentir-te a despir outro corpo,
A procura da minha pele.
A procura do mistério de mim.
Mas eu não sou um ideal , ou fantasia.
Sou uma mulher como qualquer outra.
Carne cheia de cicatrizes, ossos enfraquecidos
Não me procures mais nesses lençóis.
Porque tu não fazes ideia do que estas a procura,
sempre foste um homem mais que (im)perfeito,
sempre gostei de ti, por seres mesmo assim.
Enquanto não me vires.
Não batas mais a porta.
Não fazes mesmo ideia de quem sou.


Talvez seja por isso que esta história não tem fim.


Sarah Moustafa


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Maligno




Tudo deixa uma marca.
um trilho que nos guia de volta ao primeiro pecado original.
E como gostamos de pecar.
Sei que está aqui, algures ...
Não consigo encontra-la ,
Porquê?
A nódoa que deixaste foi bem negra
Porque não aparece ?
Mas ainda está dorido...
Faço do meu corpo um mapa ,
De uma estrada sem fim
Foi por isso que desapareceste?
Gostas de saber onde as coisas começam e acabam ?
Desculpa, não tenho culpa nenhuma.
Trago este símbolo do infinito
Como amuleto da sorte!
Devias tê-lo aproveitado...
Tornar te ia imortal.
Agora aguarda, aguardas, aguardas...
Sabes quando for...
Será apenas um beijo,
A tua sentença da morte !
Morde uma vez mais,
O antídoto é arrancar o mal pela raiz
O que é que ainda esperas?
Alvo fácil,  sou vitima ao dispor de qualquer crime
Que queiras orquestrar,
As coisas que eu sei, que ainda gostavas de fazer comigo...
Tira de uma vez, o penso rápido,

Preciso de encontrar a maldita marca,
Algumas mazelas só se curam ao ar livre.

Há que deixa-las sangrar...

Gota a gota,

tudo o que precisarem sangrar.










Sarah Moustafa