domingo, 22 de janeiro de 2017

Cada palavra , uma semente de vida.



Desculpa, Desculpa, Desculpa.
A verdade é o que é,
As melhores iguarias mastigam-se cruas.
Suponho que no fim é o que permanece de comum.
O gosto pelo o que sedutoramente se despe.
Já não tem nada haver comigo ou contigo.
Ultrapassou há muito, o nosso pequeno mundo pessoal .
Mas , no entanto, não consigo parar de escrever sobre ele ...
Esse pequeno mundo que na brevidade da sua existência se fez Universo.
Desculpa, Desculpa, Desculpa.
Cada palavra esconde a mesma quantidade de farpas como de poesia
aveludada , ao nome do que julgamos sempre ser amor.
Será? Seria? Alguma vez foi ?
Essa é a beleza de quem purga duvidas e sombras na magia das suas mãos,
É a certeza daquilo que o criador quiser que seja.

Desculpa, seria mais fácil com penalização, orgulho e ressentimento.

Mas repara, no fim são sempre flores , seiva imparável de vida , que nasce desse lodo.

A lama de não crescermos á imagem do nosso potencial.

Desculpa,



Não sentir culpa nenhuma.






Sarah Moustafa 



sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Aqui, fica a minha morada .



Não importa por onde me possa perder,
Por onde a noite me leve e demore a devolver
Por onde me elevem os raios solares,
e a felicidade seque aquilo que preciso de dizer,
Volto sempre a este chão
De uma casa que nunca chegou a se erguer.
Mas casa , sou eu.
As cores diferentes que vejo no mundo,
A alma , amiga fiel que nunca me abandonou ,
As palavras que se encontram entre a paixão e o rancor,
E criam juntas suspiros de uma história de grande amor ,
O universo que me coloca símbolos na mão,
E ordena, Usa-os !, distribui a verdade do coração, 
O âmago, o ventre, o mais escondido e absoluto
Recipiente gerador de toda a vida
De quem se recusa ser mãe,
Não importa , se não existem paredes,
Divisões, a cama acompanhada,
Ou abrigo, ou colo
Existe o que tenho,
O que nunca paro de descobrir ,
O próximo nível que de olhos fechados sei subir.
O preenchimento que nenhum espaço físico me poderia dar,

Dizem...



O tecto pode estar a cair aos bocados mas o céu está sempre lá.




Sarah Moustafa 

sábado, 31 de dezembro de 2016

É a última noite.



Reconheço a imensa beleza que também existe no vazio de mim.
Que apenas abriste , a pontapé, uma passagem, um túnel aos subterfúgios criados á imagem da minha genialidade , que tonta ainda se negava.
Ainda não sabia despir-se por completo ao feitiço demoníaco do amor.
Amor que ainda não sabia cultivar... e o universo inteligente trouxe duas personagens desfiguradas , a caírem aos bocados , mascarados de certezas e portes altivos de absoluta confiança, para por em acção esse grandioso plano, vamos lá ver o que estas personagens valem.
Com duas sombras gigantes á frente, ainda conseguem ver a luz, ainda se escolhem , ainda se entregam?
Afinal o que , portadores  de consciência como a nossa , poderiam não ultrapassar ?
Pois...
Stop. 
Missão falhada.
O amor nunca esteve ou estará em causa, mas como se aprende a viver com a consequência de ainda assim , não o termos escolhido?
E de que quando tentei, acho sempre que tudo se arranja, tudo se refaz, tudo se transforma, tudo se consegue, já tinhas gravitado de volta para a dimensão das tuas ilusões. Já era tarde demais?
E voltei eu ao questionamento das minhas.
O que é isto?
Isto tudo que até então acreditava, a minha fé, os meus valores, os meus julgamentos, a personificação de toda a minha identidade,
Bocado a bocado foi se desfragmentado , não houve nada que não tenha sido posto em causa, afastei-me de tudo e todos, restou só que sobrevive ao teste do tempo.
A alma das coisas , o núcleo por onde tudo floresce , o meu centro, o meu eixo ainda em desatino á procura de definição.
Mas eu preciso de me definir para quê?
Onde foi que eu assimilei esta pressão de que para ser alguém teria de alcançar certos objectivos?
Teria de conquistar certas metas?
A Sarah divina , mensageira do universo não pode partilhar publicamente as suas carências, as suas fragilidades.
A Sarah perdida no seu caos complexo não pode assegurar que está numa missão de serviço e ajuda aos outros, quando nem ela ainda consegui ajudar-se.
A Sarah enredada nos seus dramas familiares não pode genuinamente afirmar-se portadora de grandes raizes , onde alberga casa , refugio para qualquer alma que a procure, ainda que lhe tenham feito tudo menos sido de ajuda quando noutra ERA, ela também precisou.
Este ano foi destrutivo , duro, doloroso, solitário.
Mas o mais fabuloso de que tenho memória em termos de crescimento e abraço ao meu todo, a entender-me e procurar com a mínima curiosidade cada camada como ponte de única salvação.
Tive que abrir mão de tudo que ainda me impedia e toldava o processo de mudança.
Foi cruel,  tiverem que tirar-me aquilo que me forçaria a entrar numa espiral onde o meu controle não ditaria nada,  eras o  maldito calcanhar de Aquiles .
Finalmente aceito a minha responsabilidade, não preciso que assumas a tua.
Eu oiço as tuas desculpas, partilho da agonia , do atrofio de não conseguires libertar-te e dizeres tudo o que queres. Respeito o momento onde estás, o processo que tens.
Aceito a perda da tua presença física , aceito o término , aceito o teu silêncio.

Aceitar a outra forma de amor a que isto me eleva.

O próprio.

Estou livre, estás livre também.

Este capitulo encerra -se .

Aqui.

Como um conto de fadas quando marcar a derradeira badalada.

Estarei a acenar despedida , largando um beijo ao universo sabendo que o mesmo chegará a ti.

Obrigado, por tudo.

Assino um compromisso com a descoberta deste renascimento ,a perfeição presente nestes novos traços e não temer mostra-los a mais ninguém.
Existe um mundo novo por descobrir.


( Obrigado pelo pontapé, sei que sempre me quiseste ver voar )








Sarah Moustafa

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Pára de nascer nas minhas mãos .



Amo-te de uma forma egoísta.
Pois quem ama , quer ver sempre o outro feliz, mesmo que não seja consigo, mesmo que te desfaça em mil pedaços, esse sentimento altruísta segura-te a voz e dizes ... Vai, vai ser feliz.
Acenas uma despedida que sabes não ter volta.
Mas eu não quis, não quero nem nunca vou querer.
Amo-te da forma que sei amar, frágil, carente, extremista onde abro os braços e um espaço onde me encontro através de ti , onde te elevas através de mim.
Desculpa, eu desejo-te o melhor de tudo nesta vida, claro que sim, mas ainda sou arrogante o suficiente para sentir com cada centímetro de mim que esse melhor não existe sem a mútua presença de um sentimento partido ao meio e entregue aos dois.
Um eterno e inabalável encantamento.
Algo tão estranho, algo que não se corrompe e como tentámos....como ainda descemos baixo o suficiente para não honrar esse presente , essa dádiva que se disfarça de maldição, mas volta sempre ao seu estado original.
Há uns dias imaginei que éramos um coração de cerâmica e desfazia-o com raiva, empunhei o martelo e quis com paixão reduzi-lo a pó.
E ele continuamente voltava ao sitio, colava-se todo de volta medindo forças comigo.
Claro que ganhou. Ganha sempre.
Como disse, amo-te como sei amar, sei que me amaste também como o soubeste fazer.... com medo, com fuga, com distracção, com entrelinhas " deixa ver se ela apanha a mensagem encriptada numa canção ", com a intensidade de um olhar vivo que de repente se tornava o espelho mais intimidante e sedutor , fizeste me sempre ceder assim , sabes ? ...com essa forma de estares a falar com a leveza de uma criança e pelo meio saberes usar uma única palavra certeira com a seriedade e resolução de quem estava absolutamente seguro do que dizia e queria.
Se calhar recusei isto durante muito tempo...mas fizemos mesmo o melhor que sabíamos , com o que tínhamos, e faltava-nos muito, para conseguir dar e receber mais.
Duas crianças ainda tão magoadas...
Um menino-homem, uma menina-mulher, sempre a trocarem de papéis , para ver se aprendem a lição e dançam juntos na sala de espelhos.
Ups...acho que não passámos o teste.
Não faz mal... a minha alma continua a crescer pelo alimento da tua e embora seja egoísta, embora queira guardar-te num lugar seguro só para mim...
Há dias que a sensação é tão maior que eu e os meus desejos que te entrego.
Escrevo-te para o mundo.
Conto-nos ao universo.
E um dia , um dia... quando deixar de o ser  , selo-nos para sempre num livro.

Haverá outras pessoas, claro... , tu já passaste essa fase, tem uns anos de avanço para não confiar na paixão cega e não te prenderes com o que te estava a dar demasiado trabalho.
Eu ainda não consigo...
Ás vezes é duro perceber como todos avançaram e tu és a única que permanece no mesmo sitio.
E ás vezes culpabilizo-me e penso que sou inferior... mas depois releio estas páginas  de fora para dentro, ao âmago do que isto tudo representa para mim e choro de verdadeira emoção.

Nunca antes , nunca mesmo, cresci eu tanto. Passei de uma mão cheia de teorias e a senti-las e vivê-las na prática.
Foi sempre o que eu procurei afinal, a verdade do que dói, a realidade das coisas sem que elas tenham que perder a sua beleza.
E não perdem,

Não perdem mesmo.

É isso que nos mata .





Sarah Moustafa


quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Fases da Lua #4




O céu continua tão carregado, estende um manto de veludo negro, preenche o vazio com o nada do seu tudo.
Ainda assim quando me permito olhar de perto, são as estrelas que estranhamente ainda sobressaem ,
Sussurram sobre nós por toda a parte, querem que encontre a mensagem do que é absoluto .

Foi

A música que deixaste.

A música que deixaste.

A música que ...



Deixas -te.




terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Pimenta - Rosa



Ultimamente tem sido a porcaria do supermercado.
Quero dizer, algo que é rotina , piloto automático, num instante absurdo deixou de ser.
Porquê agora?
Há quantos meses passo naquele corredor e nunca nada me atingiu, já estava mais que nesta espiral de loucura , e agora de repente, aos acasos estranhos que me acompanham, lá estás tu.
Lá estamos nós.
Outra vez e sempre de novo , gravados na memória de um objecto qualquer.
É ridículo. 
Sinto-me ridícula de parar por alguns minutos , absorvida pela prateleira dos condimentos.
Esta história de não existirem máquinas de viajar no tempo, acho que não é bem assim, acho que me estou a tornar prova viva que para além de serem reais , são elas que te escolhem a ti.
Querem que te lembres sempre mais, saibas mais, sinta mais.... Nunca têm a decência de me perguntarem se quero saber, se quer propositadamente torturar-me mais um bocadinho .
Simplesmente dão me um pontapé para esta dimensão da memória que pinga ao detalhe.
A sério, sei mais de nós agora do que na altura.
A maioria dirá rapariga sai dessa , não te agarres ao passado.
E eu reviro os olhos saturada, será que alguém pensa que entro no supermercado com vontade de fazer figura de idiota ? Com a estratégia planeada na minha cabeça?
Também gostava de me segurar a teorias bonitas no papel, que aparentemente resultam com todos.
Será que alguém sabe o que é tentares a sério esquecer, avançar e vir sempre outro tsunami inesperado, um emaranhado de vozes , caricias , sentimentos balbuciados em pequenas coisas tão simples.
De certo que sim... talvez esteja no ponto de procurar terapia de grupo, fosse eu receptiva e menos bicho solitário.
Então não te queixes.
Fico bloqueada por uns segundos enquanto revejo uma memória súbita e esteja onde estiver , não consigo evitar, fechar os olhos e deixar que ela converse comigo, ainda que me quebre e praticamente estrague o dia.
Engulo em seco com a impotência disto tudo.
Volto atenção para as especiarias tal e qual como as percorri com o olhar um dia na tua cozinha.
E ergui a sobrancelha com curiosidade e tu sorriste de volta mediante a minha ignorância e ingenuidade. Talvez aí tenha entrado o teu fantasma, ela é demasiado nova para mim.

Pimenta - Rosa ?

Afasto-me com o cesto na mão,  desaperto uns botões do casaco preciso de voltar a respirar , ainda não consigo comprá-la , talvez um dia volte simplesmente a ser o que é , e regozije com ela o sabor de uma iguaria livre.
Mas ainda não foi hoje,

E não sei quando é o dia.



P-S -  ( Mas ... o supermercado a sério??? Ah...Maldita pimenta e os floreados que lhe arranjamos )





Sarah Moustafa

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

De menina a mulher, de mulher sempre a menina.




Consegues dizer-me quantos presentes foram deixados no passado ?
Quantas pequenas coisas foram trazidas a este momento onde sem armadura, sem pele, sinto um misto de tudo, receita mágica de uma enorme dor que brinca aos ziguezagues e vai dando menção de um embrulho futuro.

Este amor maior.

Sabes, esta caminhada de menina carente a mulher empoderada , pensei que só se resolveria quando escolhesse um lado.
Quando demarcasse uma posição da figura que quero mostrar ao mundo.
COMO SE EU TIVESSE QUE SER ALGO DIFERENTE, ALGO MAIS, ALGO MELHOR, DO QUE INATAMENTE JÁ SOU.

Tola.

Quero ser sempre menina capaz de sonhar com a beleza que vê no mundo , que vê nos outros, continuar sempre alimentar um ideal de comunhão que injecta significado a tudo, não quero ter vergonha de me despir e dizer que preciso de ti.
Abraça-me.
Finge por um dia que isto chega , como nos fizeram sempre acreditar nas histórias de encantar.
Faz o conto de fadas ser real.
É real, está no meu coração.
Bombeia, expande , abre-se , que medo.... 
E aí volto a crescer segura na extensão de valor que sou portadora , não preciso de ninguém !
Não se regateia interesse , quem está está , quem não está , estivesse.
Tenho um mundo para conquistar , o cavalo pronto , desbravo terras , ajudo pessoas, sou divinamente acompanhada, tenho a minha própria voz e um furacão de mensagens promissoras para partilhar.
Não me escondo, não me envergonho, não me reduzo porque alguém não teve ..... um par de .... coragem para me escolher e todos os dias amar.
Para o diabo com isso.
Sei dar tanto prazer a mim mesma. 
Mantenho-me só, espíritos livres não se contentam.
Não se resignam .
Não se vendem !

Depois desço do pedestal e olho para todos os lados ,

Os afectos precisam de retribuição?
Preciso justificar  o que sinto apenas se sentires de volta ?

Largo daí a ideia, choro um bocadinho , ponho o meu melhor vestido e rodopio estrada a fora colhendo flores de todas as cores e feitios , umas deixam marcas ensanguentadas nas mãos, são demasiado selvagens, outras recebem-me com toda a suavidade.

Seja como for,

Vou entregá-las por toda a parte.