quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Anima




Será possível seres mulher, toda vestida de macieza e susceptibilidade, e conservares a ardência do másculo voraz apetite, de cavalgar nas terras da bravura, das guerras arreliadas, na rebelde convicção da afirmação viril, do ideal que ruge da delicada, temerária voz, possante no ímpeto que estremece a terra caminhada, desprimorada do primor infame das injurias certificadas, coagidas da vontade incapacitada de tecer a teia por si deliberada, nas verdades e nas mentiras necessitadas, no trilho da sua única historia perscrutada.
Será possível pegares a tocha do fogo da vontade e incendiares a fragilidade da feminina enluvada realidade?
Se lutas e conduzes a espada, nas guerrilhas batalhadas, com as rédeas da fortuna em pulso, desabrochas no espírito do varão, que ousa desafiar as contendas da razão, vibrando na dança do retinir metálico, ensaiado na coragem do impulso jovem contundente, transfigurado nas formas da uterina produção, bela e deslumbrante, na singela rara criação.
Será possível afrontar os limites da coragem reluzente e permanecer única, irrevogável inocente?

Sarah Moustafa

1 comentário:

  1. Acho que apenas assim se é mulher em plenitude...!

    Gostei, um texto poético e forte!

    Beijo, bom fim de semana

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