segunda-feira, 21 de agosto de 2017

A mesma hora, no mesmo Lugar





é bom voltar a escrever-te
como um búzio encostado ao meu ouvido,
entoando a música da minha maior fantasia ,
estás mesmo ai ?
é esta a tua voz embriagada,
que num grito atrapalhado
me chama ,
 anda cá ! ?
Preciso de ti !

é bom voltar a ler - me.
desiludir-me,
sem nunca me desapaixonar.

 devíamos conversar sobre isto ,

encontramo-nos,
á mesma longa hora ?
Aqui ?

Na corrente do Diabo,
toca do nosso favorito
pecado .




Sarah Moustafa

domingo, 20 de agosto de 2017

quem é quem .





a tua fotografia,
um puzzle
espelhado
das minhas dúvidas
existenciais
Who the fuck are you?
Dizem que és bondoso ,
refuto que não podes ser,
 de maneira alguma.
Excepto ,
Talvez,
quando os teus olhos estranhos
estáticos,
caem sobre a imensidão dos meus ,
e as muralhas trespassam-se ,
e um portal abre-se ,
ao tamanho da maior verdade,
universal,
como um beijo tresloucado,
de que tento fugir,
Até me capturar
não sei bem em que tempo,
ou espaço.
E de repente,
 fico com esta dúvida cruel,
silenciada.

You're the same as me.


Sarah Moustafa

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Apagador



Queria que o tempo nos apagasse ,
e trouxesse o futuro,
nas mãos que desconhece.
Ele viria mudar as horas
e sacrificar os minutos,
abdicar de todos os segundos ,
que a nossa ausência oferece.
Ele viria salvar-nos,
de
Todo um vazio que ainda nos preenche.




Sarah Moustafa



quinta-feira, 13 de julho de 2017

Momentos a sós



releio-me nas páginas do tempo,
amparo me nas memórias,
que a lua esconde,
nas mais cerrada das noites.
perco-me nas misteriosas formas
que as nuvens me revelam.
Contam-me uma história qualquer,
sobre os acasos dos desencontros,
o sentido de tantos corações partidos ,
as almas penadas que vagueiam
como eu,
numa noite qualquer.
lembrando os olhos de um romance
com um final triste.
e uma lágrima rebelde
cai e mancha o meu vestido ,
espero pelo nascer do sol,
e a perfeita ilusão de que não está lá
mais uma gota ,
menos uma pétala ,
de uma flor tão bonita
e
incompleta .


domingo, 18 de junho de 2017

Fazer malas



São grandiosas as descobertas
que o mundo novo me traz
Preparo-me para ele.
Ainda não sei como partir,
Carregada desta bagagem a que chamei amor .
Mas preparo-me...
Compro tudo que me mude
e ao mesmo tempo devolva a quem fui ,
Tenho medo dos novos olhos que me irão adorar .
Mas é esta a tela em branco ,
terra prometida ,
um vislumbre ,
através do véu
que me resta.

O mundo dá voltas e deixei me ser globo nas tuas mãos.

Mas não me acompanhaste na viagem ,
E um globo não tem propósito parado.





Sarah Moustafa

quinta-feira, 15 de junho de 2017

SOS




O mar e as suas ondulantes promessas,
envolvendo-me nas idas e voltas ,
Maré cheia, Maré vazia
ajuda.
A lágrima salgada cai do milagres da existência
beija-me o lábio, e com a ponta da língua
guardo-a para dentro
ajuda.
A música ...teclas do mais melodioso piano,
abrem portas seladas nos cantos mais obscuros
do meu coração ,
ajuda .
Sou um diário ou uma mulher?
Capaz ou necessitada?
As memórias são a única impressão digital.
que nos deixo.
Uma tela de cinema que nunca pára
se estrear ,
deixo a vida escolher o fim.
Mas seguro-me ao inicio.
Ajuda.
Escrevo outra carta ,
e ás vezes faltam palavras
ficam as letras sem sentido
Arranjadas sem nexo,
Senão aquele de me libertar.
Quem diria que dói tanto
escrever como não o fazer ?
Aí .
Nada ...Nada,
Ajuda.





Sarah Moustafa


terça-feira, 13 de junho de 2017

A menina não dança ?




Houve o tempo ,
dos teus olhos pregados aos meus ,
um longo e delicioso dialogo 
no mais inocente silêncio.
E eu era uma menina linda,
e rodopiava no eixo das minhas 
coloridas saias
e acreditava que a perfeição
estava ali.
Na minha dança
E no Homem que me olhava .
E que me quereria continuar a olhar ...
ainda que andássemos sempre a roda 
e tropeçássemos nos pés um do outro ,
Até o fim do tempo
Onde já não existiriam olhos
e eu perdoaria já não estarem ,
Declamaria a mais bela poesia
e falaria de ti
e como eles nunca se desviaram ,
como nunca hesitaram .
Mas a menina já não dança,
cresce demasiado devagar ,
fechada dentro de uma ampulheta
que lhe trocou todas as voltas.

Agora não se sabe vestir,
e os pés permanecem ancorados em terra.

A realidade é essa.




Sarah Moustafa






sábado, 10 de junho de 2017

Arritmias #47



Dever ser mesmo chato.
Procurar-me 
incessantemente
em todos 
(...)
os lugares
e todos serem os errados.
não desafogares
a fome da alma 
Planta carnívora , 
devoradora ,
espanta - espiritos
hum...
gula dos píncaros.

Deve ser mesmo chato ,

escolheres entre a lei seca e a sopa dos pobres.









Sarah Moustafa

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Opostos.





Esta noite a lua está cheia.
Tão cheia como nós.
Abarrotados da falta
 e da necessidade
do que não compreendemos .

Esta noite ilumina-se
 o encontro,unimos as peças
encaixamos um no outro
ligamos a vida e a morte .

Somos atirados
ao mais visceral
e velado núcleo,

E a profecia se cumprirá .
O Yin do seu Yang.

O equilíbrio será reposto .








Sarah Moustafa

Fases da Lua #9




Dizem que ainda dou colo a tantos sonhos de menina.
Como se alguma forma eles permanecessem intocados, apesar de tudo o que me aconteceu.
Como se o oceano de lágrimas chorado tivesse criado um lago encantado ,
onde os papéis nunca se desfazem e os cisnes tão brancos deslizam vaidosos,
com a beleza e graça que retiram da minha éterea forma .
E os meus dedos escorregam nas águas que verti, querendo dançar em círculos, cada palavra
desenha, um eco entre o que foi, o que é e o que será .
Uma mensagem doce , suave ... algodão feito de nuvens, tecido que cai aos meus pés .
Os anjos querem-me vestir.
E de tantos sonhos foste aquele que de mais perto se chegou.
Olho para ti nesta água que transborda , meio distorcido... ainda tão sorridente , tão bonito para mim...
E deixo que a corrente da memória te guarde assim.
Podemos conversar aqui , numa qualquer noite próxima de um Sonho de Verão , e enamorarmo-nos,
como se fossemos os primeiros a descobrir o enlace romântico e o íman que atrai dois corpos.
E depois quando acordo para a realidade , aceito que não és e não estás.
Mas levo-te com a ternura toda como se fosses , como se estivesses.

Porque eu escolho o amor.




quinta-feira, 8 de junho de 2017

Arritmias #46



De verdade,
Ainda nos vemos todos os dias.
Na rotina,
em frente a este espelho.
Quando tiramos a maquilhagem .

E a pele de frente ao reflexo
do seu avesso.
verdade & mentira

enfim respira .








































Sarah Moustafa

Error .




És um mundo que se expande
no poder das minhas mãos.
Talvez me ensines
sobre o que sempre deveria ter sido .
Mas adormeceste nas minhas palmas ,
e o mesmo vislumbre de grandiosidade ,
desapareceu ,como um feitiço que acaba á meia-noite,
e fizeste-me sentir tão pequena ,
tão inútil e mais uma da raça comum.
E agora recuperar os estilhaços de luz ,
que te entreguei,
parece missão impossível .
Como se tudo em mim se segurasse
na chama do teu interesse ,
Deve ser coisa de Balanças
E quando cerraste as pálpebras ,
eu em pânico tentei reanimar-te
e não os voltaste abrir , esses olhos que ...
A noite escura da alma veio no teu lugar,
querendo-me instruir nos mistérios da vida.
Excepto o teu.
O teu ...
Nem o Universo sabe justificar o que aconteceu .
Se calhar foi um daqueles erros de sistema,
E fomos apanhados no meio de um "sem querer " ,
não era suposto....
não podia ser .
Mas foi .
As minhas mãos são berço
da nossa tragédia .

Olha para mim




Sarah Moustafa



quarta-feira, 7 de junho de 2017

anormal .



não sei de que melodia
 se fazem as canções de amor
mas sinto -a ,
invade sem licença a minha garganta
e de repente quero dar-lhe voz,
fujam.
Eu desafino, e o rouxinol não me convida
á graciosidade das manhãs
Mas canto,
invento mais uns poemas ,
costurados de memórias e imaginação
Encolho os ombros
e já estou a filosofar ,
Sobre o sentido e propósito ,
das coisas, porque me apetece
e sabe bem apetecer algo,
quando me sinto esfomeada
 não sei bem há quantos anos.
Afinal os meus olhos sempre se esbugalharam ,
de medos e porquês ,
peças incompletas e ferramentas inúteis ,
mas ainda assim ,
aqui me disponho ,
fabulosa
nos braços da anormalidade
tenho um coração doidivanas
e este eterno quebra cabeças
que não sei resolver.
Submissa apenas aos meus próprios pés ,
e eles caminham de passos trocados
seja como for,
e lá vou assobiar ,
de encontro á descoberta
diária de como viver
em verdade ,
eu e a minha música.
eu a minha música.
eu a minha música.

sempre a canta-la sozinha ...






                                                                    Sarah Moustafa


segunda-feira, 5 de junho de 2017

Arritmias #45



Desfolha-me com cuidado , como se eu fosse a página mais
frágil e preciosa da tua história.
E depois não te acanhes.

Lê- me de voz bem alta  ,

dá-nos vida. (ou cabo dela...)

Vamos fazer um filho, escrever um livro  ou outra coisa qualquer .

Vamos...





Sarah Moustafa

Sinais .



Naquele dia o céu tinha uma cor estranha , como se o hábito de te procurar de uma forma absoluta , pudesse mudar o toque de Deus.
E pudéssemos nós , meros mortais , pintar a tela das nossas vidas da forma como o tempo nos quis ensinar . 
Complexas ramificações são estas de uma arte emaranhada , cordas em que dançam as almas dos malditos , que já desfeitos em pó ... ainda sobrevivem na procura desenfreada por um amor diferente . Um amor tão maior... que mude sim a cor dos céus e toda a órbita da Terra .
Um amor que seja todo ele um cataclismo imperdoável .
Estávamos tão absortos na imensidão , que tal prenuncio nos passou ao lado . 
Devíamos ter olhado para cima ...





domingo, 4 de junho de 2017

Como uma praga ou um milagre.



Ambiciono que todos
se questionem ,
Quem és tu ,
e o que raio fizeste comigo,
para me levares a este ponto
de florescimento tão improvável ,
Quero que tenhas dúvidas se és tu ,
se escrevo mesmo sobre ti ,
ou outro alguém ,
E que fiques doido
por tal receio existir ,
Quero distribuir por todos os cantos,
a mensagem onde está a tua essência ,
e montar o puzzle do teu rosto
e que sintas que não tens paz
ou privacidade ,
e que te revoltes porque ainda
te consigo impressionar,
porque não envelheço
e também não deixo
que o tempo te leve .
Estarei tão longe ,
ainda a assombrar os teus sonhos
com a verdade da paixão
mais honesta ,
que alguma vez encontrarás.
de dentro para fora,
sobrevivente de guerra,
vou envergonhar
todas as histórias de amor,
que antecedem a nossa ,
e o Mundo inteiro
meu querido ,
falará de nós.






Sarah Moustafa 





sábado, 3 de junho de 2017

Arritmias #44



Como é possível,
ter tantos super-poderes  ,
Sacerdotisa ,
escondida nas mais simples vestes...
E nenhum deles ,
ser o certo para chegar e preencher-te
trespassar as muralhas,
fundir as almas, as peles
Ou ter efeito de encantamento irresistível ,
como aqui deixaste , milhares de feitiços
a respirarem em mim ,

Porque sou tanto mas não o suficiente ?





Sarah Moustafa

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Odisseia



Promete que quando voltares ,
vamos viajar
De Norte a Sul ,
Passar por todos os Continentes,
Desfrutar de todas as ilhas ,
Navegar todos os mares
Que não deixaremos nenhum espaço
sem marca ou por explorar
Que nos vamos perder,
só para para nos encontrarmos no mundo ,
outra vez,
Promete ,
Que não existirão fronteiras ,
nem impossibilidades.
Que cumpriremos tantos desejos,
da nossa bucket list,
enquanto existir ar para respirar,
chão para caminhar
e fogo para acreditar !
Promete que nem a morte
pode mudar o trajecto desta aventura,
Que viajaremos sempre juntos
senão em Terra de volta ao Éter.
Promete.
Que ainda temos Vida.





Sarah Moustafa

Embrulho



Sou um problema com pernas.
Complicadinha.
Uma insónia permanente ,
Sabor a sede ,
Sal na tua pele ressequida,
cinzas que se desfazem na tua boca,
Licor que destrói as tuas
cordas vocais.
O perfume que intoxica ,
O prenuncio da calma
que antecede a tempestade.
O meu nome
E a roleta russa ,
cabeça , coração
A beira do precipício ,
A mancha na tua alma,
O teu Karma ,
A tua Cruz
A bofetada quando
procuras por um beijo.
Serpente que desliza
pelo teu corpo
E se te envenena ,
Ou Cura,
Vai depender do dia ,
As vezes pecado,
As vezes benção .
Sempre um pouco dos dois.
E de pensar,
Que no meio de tanta mulher,
Estendes me e vasculhas ,
Aprecias
Um caso de estudo ,
sempre incompleto
Desembrulhas -me só para descobrir
Um novo presente no fundo da caixa
Camada atrás de Camada.

Confessa,

Sou tanto as pernas como o teu problema,

Favorito .






Sarah Moustafa 

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Perdão .



Lamento tudo
o que aconteceu connosco,
sem me arrepender de nada.
Lamento os desencontros,
os mal entendidos ,
todas e quaisquer mentiras .
Lamento as ausências,
as intermitências,
as indecisões ,
a dependência absurda de ti ,
e o que sem licença despertei .
O que nos tornamos ?
Lamento as fugas ,
as guerrilhas sem fim ,
Lamento as feridas que abrimos.
Os dias longos de Inverno ,
A cama vazia
As reticências, O silêncio
As projecções
As trocas e substituições.
Lamento ,
que não alcances
que não entregues
que não ajudes
que não queiras
Lamento que não me suportes,
Os meus poemas lamechas ,
As saudades engolidas
Tão fundas e indecentes ,
sem meio de serem devolvidas
Lamento que me odeies tanto,
por tanto gostar de ti.
Entendo .
Lamento por nós os dois.
Perdoo.
Sem prova ou razão
Entre a ponte da minha e tua verdade.
Talvez um dia,
Elas se encontrem,
Por aí perdidas ,
Crianças soltas
De corações gigantes,
Tão leves
Nos braços onde
qualquer coisa se cura.
E percebam que nada lá atrás importa,
quando ainda tem o agora.
Enquanto há vida há tempo,
E Cronos é nosso Pai.
E o tempo é tudo que nos resta .

P.s - Qualquer dia, Qualquer hora .
Hoje, Amanhã... Sempre .




Sarah Moustafa



quarta-feira, 31 de maio de 2017

?


Não percebo porque continuas,
apertar-me as mãos,
quando pensas que já estou a dormir ,
Ardiloso
Como quem ainda tem medo de me perder.
E ficar só no remoinho destas emoções ,
Achas que não te vejo no escuro?
Escondido por trás dos arbustos ,
Fantasma que atravessa as minhas paredes...
E percorre os meus braços 
com os seus dedos imperceptíveis ,
E alça da minha camisa de cetim,
cai da mesma maneira
como sempre a fizeste cair,
como uma pluma tão delicada
caricia fervorosa no meu ombro ,
descortinando ,
a subtil certeza de ti.
Não percebo porque te denuncias,
Mas não te revelas,
Porque não ficas de todo ,
nem vais embora 
por completo.
Porque não  consegues viver
comigo,
nem sem mim.
Enlouqueces,
e trazes-me o delírio
do mundo que criamos .
Como é que eu saio daqui ,
Como é que tu conseguiste sair?
Deixar-me ?

Mostra-me.





Sarah Moustafa

Arritmias #43




Sou o nó mais apertado da gravata que não precisas de usar.
A corda à volta do teu pescoço ,
Comandada pelas palavras que aprisionas .
Retrato fiel , enigma do Dependurado
Camisa de forças , Paralisia dos sentidos
Entrega , Sacrificio, Suspensão...
Queres respirar ,
Não tens nada para me dizer ...
Certo .

Boa Viagem ?




Sarah Moustafa

terça-feira, 30 de maio de 2017

(...)


Eu queria passar os dias dentro dos teus beijos,
e refujiar-me na tua vontade.
Eu queria poder levar-te sempre nas mãos ,
tão seguro como livre,
queria que me sentisses casa ,
Queria sentir-me capaz.
Eu queria esperar pelo teu regresso,
como se os anos não passassem por mim,
e o cansaço e a solidão,
não me roubassem a esperança,
de que isto não poderia terminar assim.
Queria ser as reticências das tuas certezas,
todas as paginas de livros que lês ,
E fazer da tua discórdia a minha paz.
Eu queria rir-me ás gargalhas ,
com a inocência da criança que nunca fui,
E deixar-te chorar agarrado ao meu ventre,
á procura do colo de mãe .
Queria ser a música que se ouve bem alta
E o fundo da garrafa mais cara,
Queria ser a tua estrela , a tua sorte,
a tua sina.
Eu queria ser a eterna novidade ,
o encanto que não desvanece.
O desassossego da tua alma,
e fazer tudo que existe para fazer neste mundo contigo.

Eu queria o impossível .







Sarah Moustafa

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Fases da Lua #8



Palavras , leva- as o mar .
Porque tudo o que escrevo é água . 
E para me leres os teus olhos têm que estar bem fechados . 
E o teu peito predisposto a rasgar se ao meio , para poder infiltrar- me e mostrar-te gota a gota o significado desta carta escrita com tinta invisível .
Quero saber se és o prometido de que me falaram os Orixás . 
E se fores saberás calar a dúvida e mergulhar tão fundo quanto o necessário para me encontrares e descobrires o tesouro que guardo todos os dias para ti .
 A infinitude de poemas incrustados de todas as pedras preciosas que ainda nenhum comum mortal encontrou .
Porque ainda não me sentiu.




sábado, 27 de maio de 2017

Arritmias #42





Deixa-me contar-te, também,
Sobre os dias felizes
Em que danço para ti ,
e cada véu ondeante
 revela 
Uma inédita faceta de mulher
Que se exibe ,
Intocada
Apenas audiência dos teus olhos.







Sarah Moustafa

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Quem tem medo do lobo mau ?




Não tens medo de mim,
tens medo
do que não consegues fazer de ti ,
tendo-me por perto.
Como uma traça
encantada 
pela luz que a perturba ,
e convida deliberadamente para a morte. 
É por isso,
que não me queres ver.
tens medo ,
Do reflexo 
das possibilidades
que excluíste do cardápio,
quando ainda estavas de barriga cheia.
E admitir que gostavas de tê-las
outravez.
Não te ensinei nada?
Plutão e o desmame 
não se dão nada bem.
Não tenho medo de ti.
ou de te enfrentar,
tenho receio
de me reconhecer
na perturbação dos teus olhos
e ver o meu próprio castigo .
Aqui não há inocentes.
Já é demasiado tarde,
para arrastar os grilhões
da culpa.
Vamos resolver isto .
É preciso ir ler
A Arte da Guerra?

P.s - Pussy.




Sarah Moustafa



quarta-feira, 24 de maio de 2017

Passos



Fico só de braços abertos,
joelhos caídos
na areia do tempo ,
com que ainda brincas.
Procuro pela força,
á beira-mar ,
onde as ondas me beijam
os pés e tentam levar ,
para onde estás.
Não sei encontrar-te,
apanho concha a concha ,
duvida a duvida,
entrego-me ao que não sei.
E com uma bússola
sem orientação ,
vou voltar a todos ´
os sítios ,
onde deixamos
o rastro perfumado,
das nossas memórias.
E talvez,
possa descobrir
guiada pela brisa
da tua essência,
como
despedir-me de ti ,
Levando-te
Comigo .







Sarah Moustafa







terça-feira, 23 de maio de 2017

Décor .




Imagino como será esse esconderijo
onde me trancaste,  tão fundo em ti
onde me guardas segura
no baú dos teus tenebrosos
segredos.

Tenho esta curiosidade mórbida,

pois se tenho que passar uma eternidade,
nessa misteriosa moradia

Deixa-me escolher o papel de parede ,
E a cama onde entras voraz
Todas as noites
E decorar-te ,
Todo,
por dentro
com a estridência
e o encanto das palavras
De que és Pai.


Sabes que eu tenho bom gosto.







Sarah Moustafa 

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Urania .


Não sou 
astróloga,
nem taróloga.
nem escritora ,
nem blogger ,

só porque sei
percorrer 
os olhos sobre um mapa ,
ou porque 
eu, as cartas e os guias
conversamos,
ou porque expresso
a minha imaginação
em folhas de papel ,
e as publico
num blog,
como um diário 
colectivo .

sou um corpo,
uma alma,
em remoinho
interessada ,
sabedora ,
de tudo
e logo a seguir
e já não sei nada ,
desligada do
que me prende
a um rótulo,
a um perfil
a uma imagem ,

não quero a responsabilidade de me considerar
NADA.

Sou amante de um bom copo de vinho,
e a procura de uma cabana
decorada de amor.
Bem plantada numas raízes,
que preciso firmar.

Sou afortunada,
não quero ser bem sucedida,
aos olhos da aparência
vazia do sucesso.
Não me rejo por leis
e condutas e planos ,
objectivos a longo prazo .
E vêem me bater a porta,
Com novas oportunidades,
ideias , projectos ,
doações, conselhos
ajuda-me nisto,
faz aquilo ,
Vais ganhar mais dinheiro .
E permaneço sempre 
pasmada ,
porquê?
Não quero nada disto.

Por isso mesmo .

Só crescemos no sentido do que nos torna absolutamente desconfortáveis,

Talvez tenha 1 coisa outra a fazer ,
ou partilhar ,
e não me apetece 
sobre como seres profissional
sem te venderes ou moldares
como permaneceres 1 todo
sem escolheres lados,
a não ser todos
aqueles teus
que alguém , algum dia disse

que não podiam ser  .


Só não me chamem de nada ,

por favor.

Aborrece-me .




Sarah Moustafa

sábado, 20 de maio de 2017

1 num milhão .






Eu sei,
que tu não és o mundo inteiro.
Existe tanto mais por descobrir.
Não és tudo ou nada,
Sou um pouco exagerada...
Existe melhor,
quem me mereça mais,
E veja em mim ,
o mundo que vejo em ti.
Cada dia sinto essa
promessa de amor aproximar -se.
e como explicar ...
que tal me deixa de rastos.
Porque não é ...
Nunca poderá ser ,
o caos inteiro
de um universo tão bonito,
como demolidor ,
que me deixaste na mão
antes de ires embora 
Sem me dizeres para onde ias,
Vai ser qualquer outra coisa,
talvez um mar calmo,
Um bonito passeio de fim-de-semana,
Água limpa de uma fonte 
de que posso beber sem medo ,
e sobretudo a prova 
de um sonho que vai morrer.
A resignação á imagem
do amor "saudável ",
porque não consegui contestar
provar, 
Que a paixão rebelde e teimosa,
também vence. 
que só porque dançamos em sombras
Somos também divina luz,
na forma de dois corpos
feitos um para outro,
a mesma medida,
o mesmo tamanho.
Eu sei,
que pouco importa,
os amores são sempre diferentes,
Cada um especial
á sua maneira...

Aceno que sim,

Não sabem mesmo do que estão a falar.









Sarah Moustafa

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Hipnose.


Fizeste me sentir tão desejada
que ironia
O teu olhar tão expressivo ,
como o de uma criança deliciada ,
com a oportunidade de se perder,
no parque de diversões , 
aventura da sua vida.
Um sorriso tão amplo,
Entrava nele, embriaguei-me na sua alegria
e tornei -o palco onde dançava,
Tímida, Como se fosses
o primeiro Homem a quem me revelei
e foste
Despida ou Vestida,
Esses teus olhos hipnotizados,
pregados a uma visão qualquer
que nunca alcancei.

Dizem que não me mudavas ,

 nem um centímetro.





Sarah Moustafa

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Arritmias #41




Eu sei que também,
menti.
Não fui a menina mais bonita.
E disse coisas muitas feias.
Sei que não fui nada um interesse
da tua crise de meia idade. 
Mas como te explicar que me fazes perder as estribeiras,
onde só quero tratar-te com a mais honorável delicadeza,
e a mais apaixonada vontade de dar cabo de ti.

Desculpa.




Como bebes isso tão quente?




És o sabor das minhas manhãs, 
desnorteadas , carrancudas,
imersas no fundo da chávena ,
procurando pela cura de todos os males,
café preto , absolutamente amargo,  estômago vazio .
e o primeiro gole ainda a ferver ,preenche-me a boca,
reanima vida, no lugar mais improvável.
Do buraco negro levito estrela da morte
Trazem o conforto de uma esperança 
estúpida e vital á minha sobrevivência. 
Sinto-me Deusa,
Campeã
Amazona
Sinto-te ali ,
Dependente nas minhas mãos
Presa apanhada na rede de pesca
A minha língua ,
E decido o que fazer contigo,
1 segundo de êxtase,
explode e ...
Tenho de volta o poder
que me roubaste.
As tuas manhãs são minhas .

E é só o primeiro gole , 
imagina o que acontece quando bebo tudo até ao fim .









Sarah Moustafa

terça-feira, 16 de maio de 2017

Sol, Estrela ou Lua... é tudo Céu.




Se tiver que voar
sem ti
voo.
Não quero,
mesmo.
mas farei o melhor
que por mim e ti
posso fazer,
Viver.
E estarás em cada membrana
dessas asas,
que tantas dores
de parto me trazem
como de felicidade.
Porque sei que de mim
és,
levas,
e devolves
apenas,
amor.
mesmo quando,
me magoas.
quando me deixas
me empurras
e rejeitas.
Amo.
E se nada mais me traz,
que tal me eleve ,
á dimensão mais alta
mais brilhante
mais bonita
a que eu consiga chegar .
E eu consigo chegar
a qualquer lado
porque sou tanto Estrela,
como Sol ou Lua
Planeta, Galáxia...
essência pura.
E tu também !

Vem comigo .



Sarah Moustafa



Arritmias #40



Como explicar a poesia
que ficou nua ,
estendida nos lençóis vincados
e as nossas almas desfeitas,
imersas em brasas
um mundo novo, intenso
todo ali...
Apenas  ,
 na cama suja de nós.




Sarah Moustafa

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Dói - Dói .



Escolheram-nos a dedo.
Nenhum sabe de si ,
Mas fingimos
bem,
que sim.

Mando as cartas ao ar,
faço as malas.
Estou farta desta ...

Seguras o teu castelo á força,
e gritas não abram os portões.
Preferes esperar que passe,
Porque tem de passar.

E dizem,
Dói aos dois.
Dói aos dois.

Permitam-me ter as minhas dúvidas.

São tudo o que levo,
Uma mão cheia de ti,
Água que te escapa,
Ar que não me agarra .

Merecíamos um final,
bem melhor que este.







Sarah Moustafa 







domingo, 14 de maio de 2017

Arritmias #39




Deixas-me doente.
Tão doente ,
a doença,
que
vil penetrou
por cada poro
do meu corpo
onde os teus lábios
envenenados se encostaram.

e não foram poucos .










Sarah Moustafa 

sábado, 13 de maio de 2017

A alma não dá lucro .




Vendeste a alma ao diabo.
entendo.
tudo tem um preço,
e sabes paga-lo  bem melhor que eu.
Troca justa,
eu por outra moeda 
com mais promessa.
Ambição a mais
ou a menos,
é letal.
E nem tudo o que reluz,
é ouro.
E porquê contentarmos-nos com uns trocos ?

Sou apenas um cristal.
pequeno e translucido.

Rentável apenas no mundo dos loucos.

Espero que tenha valido a pena.

Espero mesmo .

A troca e o retorno .






Sarah Moustafa

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Arritmias #38





Sei que de nada vale chorar sobre leite derramado.

blá, blá, blá .

Mas se pudéssemos trocar o tempo ,

e voltar ao inicio ,
ainda que com o mesmo fim ,

não desperdiçaríamos
1 único segundo ,

e todo o tempo do mundo,
não faria diferença.

Já o teríamos conquistado .

se apenas pudéssemos ...







Sarah Moustafa 

Arritmias #37




Sou incómoda,
porque não mudo de tópico.
Porque não largo o osso .
Somos só o que eu escrevo.

Espero que tu , em especial , estejas bem saturado .

Cada poema um estorvo.

...
Não fazem ideia como isso me excita .






Sarah Moustafa 

Fases da Lua #8




Talvez faça perguntas a mais e nunca me respondas .
Talvez nem tu saibas o que foi , o que é , o que será ...
Mas a tua voz é silêncio dos meus olhos fechados , 
segredos no meu coração e a sombra que tenta puxar-me com a sua misteriosa mão ,
E talvez ... Talvez respondas quando encontrar o sítio onde tu te escondes matreiro .
Talvez , talvez , talvez .... 
Sejamos só contrastes , sempre separados & unidos nas duas faces da mesma moeda .

O sonho .






quinta-feira, 11 de maio de 2017

Durante 1 minuto ou 2 ...




Procuras me em tudo o que te rodeia,
um sinal...
uma prova de mim,
e sobretudo de ti mesmo .
Pelo menos,
enquanto o cigarro
se fuma,
e o silêncio se instala,
e não tens mais razões
ou capacidade,
para me esconder.
Como um sonho
que não soubeste como tornar real,
uma miragem no deserto,
uma bússola avariada,
um mundo ao contrário,
um sacrifício
que não sabias ser possível ,
acontecer .
Abrir mão de um ideal
na forma de um corpo,
ali ,
tão perto,
a tua mão quase o alcança ,
mas o cigarro chega ao fim,
e é melhor deixar-me ir .
uma voz chama-te a realidade,
e a distracção
nada disto importa
já se perdeu.
Apagas as luzes
e eu desapareço
mais uma vez
deitada
no teu sofá cor de laranja .

Ainda que continue lá ,
como o sinal que pediste,
a mercê da tua indiferença.






Sarah Moustafa

quarta-feira, 10 de maio de 2017

terça-feira, 9 de maio de 2017

As minhas horas, o teu tempo .




A pior parte de te entregar o relógio,
e deixar- nos nas tuas mãos
enquanto as horas se dissipam,
é saber que vais continuar parado
a olhar para as mesmas,
enquanto se esvaem sangue ,
e o nosso sangue é tinta com que escrevo,
e o que escrevo o ar com que ainda respiras,
A pior parte será ver-nos
aos dois irremediavelmente ,
cair num ponto sem retorno,
e não poder mais alimentar-te
palavra a palavra,
e saciar-me por te as dar .
A impotência de não conseguir
despertar-te,
e respeitar o espaço que escolheste
felicidade.
enquanto a vida inteira cai aos meus pés.
Sabendo como vamos acabar mal.

E outra hora passa ,

E ele não vem.

O teu tempo bastardo,
foge de mim.



segunda-feira, 8 de maio de 2017

Memento .




Sou uma pessoa demasiado física,
gosto ,preciso, exijo,
ter comigo objectos ligados á minha história.
Não tenho nada teu,
Parece uma piada de mau gosto,
Algo quer mesmo testar-me
que ceda, que deixes de ser real .
Só tenho uma foto acidental ,
tirada em mais um dia
que ficou perdido ,
na tradução,
em que me ligaste
e perguntaste se queria ser tua.
E eu disse baixinho que sim,
e tu não me ouviste

Porque é que não me ouviste? 







Sarah Moustafa




Fases da Lua #7




Antes de partir, deixarei uma carta de amor na tua caixa de correio .
Tem um encantamento , podes não a conseguir segurar em mãos , 
mas as palavras serão reveladas, 
na forma como os teus olhos se decorarem de brilho
e como de súbito toda a expressão do teu rosto mudará . 
E num breve segundo andarás á roda e só existirá o mundo nosso , 
um palco iluminado por uma vela cuja chama é inextinguível . 
Por um segundo, tudo e todos que te rodeiam, deixarão de existir e sentir-te-ás preenchido pelo meu nome que também será sempre teu . 
Deixámos um legado , este caleidoscópio vibrante e variado, no qual dançámos até nos esgotarmos por completo . 
Só para das cinzas renascer corajosa fênix , e no seu choro mágico e colorido , mostrar te como estarei sempre por todo o lado , enquanto segurares a carta , não estarei em mais lado nenhum senão em cada fibra do teu ser . 
Não faltarei a nenhuma , são o mapa da minha viagem






Sarah Moustafa 

domingo, 7 de maio de 2017

Barba Rija .




Dizem que água mole em pedra dura
tanto bate até que ...
Acho que não se aplica,
quando mais me derreto ,
mais tu endureces.
como uma insuportável
erecção que
não assenta bem, em lado nenhum .
rebelde, rebelde, rebelde
A tua pele tem mais resistência  ,
que a minha
tirano, sentado num trono
de armadura impenetrável .
Eu vivo na rua ,
não tenho pedigree ,
não sou  loira,
nem linda,
nem divertida ,
E mostro-me sempre
com a nudez
que segrega raiva,
e te deixa a salivar ,
recorda-te daquele parte
tua,
que queres trancar,
mas sou eu que tenho a chave.
e se a queres ,
vais ter de arrancar á força .

A liberdade tem de ser merecida.

E o teu tempo está acabar .





Sarah Moustafa

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Arritmias #35





Dizem que despertei a Besta ,
que agora não posso ir.
que agora tenho de a amar.
Não entendo..
não está em parte nenhuma .
está no sono mais profundo,
pálpebras cerradas, inverno longínquo
desperto apenas nos escombros
dos meus pesadelos.

não sei no que acreditar.

Já.
Não
sei .




Ressaca.



Estou de ressaca,
e procurei pelo teu beijo ,
procurei pela tua voz,
pela tua mensagem.
E encontrei apenas,
o abismo dos teus lamentos .
Seduzi os olhos 
de um pobre coitado,
e vi o reflexo do que me deixaste,
nada.
silêncio.
desistência.
hipocrisia.
E deixei que ele se encostasse a mim, 
Deixei que ele me trouxesse,
o sabor glorioso, 
da tua momentânea falta de importância .
E deixei que me comprasse
a consciência, rodopiando na revolta ,
De querer a minha liberdade .
Não preciso de me encontrar,
nem fugir , 
A luz da manhã
clarificou-me,
passos cambaleantes ,
o baque de cair na cama ,
Inconsequentes alturas
como um suicídio, 
Traduziu tudo .

Arruinaste-me .

Tornaste-me igual a ti.








Sarah Moustafa

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Arritmias #34




O teu batimento cardiaco,
irregular, maníaco. 
ficou comigo . 
pulsa na totalidade meu corpo  ,
e eu não sei o que quer ,
cada centímetro de pele  ,
um novo espasmo ,
e eu não sei o que fazer.
com a primitiva fonte ,
tanta vida,
 abro-me por inteiro.

outravez.  outravez. outravez .




Sarah Moustafa

Ficção .




Gostava de ser como tu.
Sossegar num mundo de mentira ,
fechar os olhos ao que não quero ver,
correr para longe,
evitar cada passo do percurso ,
contentar-me.
Pelo meio , agarrar-me com todas as forças,
ao plano fictício que engendrei
e de que eu própria te acusaria,
para não desculpar-me perante ti.
Uma viagem imaginária,
Uma despedida que nunca aconteceu,
Uma traição escondida ,
E uma escolha que , por tua causa , eu fiz.
Ser sempre, sempre a vitima.
Gostava de ser assim tão forte,
e viver sem arrependimentos
ou humildade perante as pessoas que magoei.
Gostava de olhar me ao espelho e
dormir serena , sem a companhia de vozes
exigindo consciência maior,
Gostava de ser como tu,
tenho ciúmes ,
de como consegues segurar
a máscara ,
e fazer braço de ferro,
com um coração
tão cansado.
Nem uma brecha,
uma trégua,
onde a luz possa incidir ,
e possa sentir,
que sim me queres bem .
E fui eu que te deixei,
fui eu.
a serio, fui.
e segui " em frente"
para poder "viver " .


p.s- O mais incrível, eu teria desculpado tudo.
Fosse, qual fosse,
a  verdade.
Suponho, que esse fosse o problema.
é melhor ceder,
ao mais básico comportamento humano .
e nem tentar...



.

Sarah Moustafa




quarta-feira, 3 de maio de 2017

Regojiza-te.



Mata-me , um pouco mais.
enrola esta réstia de esperança ,
nos teus dedos atrevidos .
rebenta com ela.
já é tão frágil e improvável.
Estrela , que olhas com desdém.
torna-me mais medíocre,
A última bolacha do pacote,
Corrige-me.
Olha para o fundo do copo ,
Sou tão feia.
Comemora,
faz a festa da tua vida,
quando o ponteiro
marcar a hora derradeira.
Mata-me, dispara a bala certeira.
que esta seja venenosa
letal o suficiente,
para que a sedução
de um maquiavélico
escorpião
não trepe,
não morda ,
não volte ,
não te encontre,

e se revele ,

obscuro amor .

Fá-lo ,

 agora.








Sarah Moustafa




terça-feira, 2 de maio de 2017

Despertador.


São os dias que me declaro ,
que me aproximam de pernas bambas ,
do que isto de ser feliz pode ser .
O peito abre-se, a tensão sobe.

E por algumas horas.

Sinto-me livre .
A melhor parte ,
Sentir o sabor amargo
de velhas experiências,
do nada ,
transbordarem mel,
viscoso e saboroso,
por todo um desmaiado corpo,
e fazer amor com o passado,
por uma mera flor na campa,
e lembrar,
escrever, 
dançar ,

é tudo ouro.

e eu vou doa-lo , por todo o lado.

sem vergonha, nenhuma.

declaro-me em alto e bom som.

Reescrevo a história da Bela adormecida,
se o beijo não chega,
ela acorda com o impeto de uma chapada,
ou alfinetada,

desde que sangre, e doa, ela sabe que ainda tem 
tudo, tudo
pela frente.

Está viva.

.A paixão continua a fervilhar.





Sarah Moustafa