sexta-feira, 28 de abril de 2017

Fases da Lua #5




Foste Sol gigante e eu sempre inquieta Lua .
estás em todo o lado, luz que me guia tanto como me queima , 
estou no teu quarto e as noites não te sossegam , 
e os meus braços invisíveis albergam-te para poderes adormecer . 
E os nossos mundos opostos colidem num olhar distante e culpado,
lamentando o horizonte que não explorámos . 
Onde éramos tudo , onde seríamos tudo 
e o infinito saberia que o tempo , a morte e o medo 
seriam apenas mentiras contadas para não descobrirmos 
a magia nas minhas e tuas mãos .
Agora o astro rei arde na palma da mesma .
 Castiga tanto como ensina.
E o mistério lunar desce de encontro aos uivos de um homem transfigurado que já não sabe de si ,
nem de como voltar para a amar.

Nós vivemos no presente ... Mas nunca no agora.





Sarah Moustafa 

sábado, 22 de abril de 2017

sim, não, sim, não , sim, não, sim , não .





Ter-te ia dito mais cedo que sim ,
se soubesse,
que passarias o resto dos teus dias em negação ,
pensaria minuto a minuto,
em diferentes e estranhas formas ,
de afirmar a plenos pulmões ,
que seria ( tua ) musa,
multifacetada, até aprenderia a cozinhar
e tu o (meu ) semi-deus .
sim semi, porque não suportaria que abdicasses
da tua deliciosa humanidade ,
que de vez em quando te faria cair de joelhos,
agarrado ao altar da minha compreensão,
bolas falhei, e ela ainda me quer
e eu me ajoelharia ao teu nível,
e morderia o lábio,
num misto de ternura e perversão
Só te quero ainda mais,
de todas e quaisquer formas,
falhado, vencedor,
homem, menino,
desertor, patriota
gentil ou monstruoso,
t-o-d-a-s
murmuraria, sentido a pulsão
do teu desejo, tomar posse
ainda antes de me mostrares
onde deveriamos deixar
marcas
por todos os cantos de casa,
porque serias fonte
eu eu alimento,
e choraria, sim
gritaria, sim
gargalhava , sim
gemeria, sim
e as tuas inseguranças ,
e os meus medos
seriam nada
criaríamos
o nosso big bang
um universo de possibilidades
infinitas,
explodindo intensas
Imensas !
tanta vida
a cada segundo ,
que a fé e o fogo .
fossem os únicos fios condutores
desta história,
tão diabólica,
como divina.
Fecha-me os olhos,
rebenta-me o resto
do coração ,
diz-me , não .
beija-me, não,
empurra-me, não
mente-me, não
morde-me, não
escreve-me, não.
e da discórdia,
descobre -se a fricção,
e da fricção nasce uma faisca,
e da faisca,
ressurgimos fogo,
e
alastramos incêndios .

por todo o lado.




Sarah Moustafa





terça-feira, 18 de abril de 2017

Peças únicas





E porque se um dia a canção deixar de ecoar,
trarei o silêncio da melodia do amor com que sonhei,
escondida na impenetrável barreira
que se recusa á desistência,
de usar o coração como bússola,
dar as mãos que oferecem  magia,
e olhar quem quer que seja que se ponha minha frente,
conduzindo-os á perturbadora luz ,
da fonte que se esqueceram de beber ,
deixo um bilhete ,
outras vezes um beijo,
E cedo de novo aos versos do meu inconsciente,
" Porquê? Eles nunca estiveram lá para mim "
Caem lágrimas douradas,
e um novo sorriso se encontra,
estrelas que caem de madrugada ,
e se alojam esperançosas no teu peito,
" Porque são tolos os que de deixam mal ,
e eles jamais se esquecerão de ti "
O retorno é mel,
 E através disso, deixo a minha obra ,
suave profunda marca,
O incrível , o 1%
 que não se dizima em parte nenhuma,
ou de jeito algum.

Canta e bem alto .



sábado, 15 de abril de 2017

Let Go.


um eco,
um grito aflito,
uma ponte ,
que se desfaz,
e consigo leva
a possibilidade
de existência de dois mundos .
O passado e o futuro,
rendem-se.
acabou.
sonhos agora,
só os podemos encontrar
no presente.
nesse espaço de tempo,
onde já não somos ,
o que almejamos ser,
temos de crescer,
evoluir,
desenvolver...
pacificados ,
com a derrota de não existirmos.
apago o que posso,
que me lembra de ti,
e da agonia ,
de não te poder ter aqui.
Medito e empurro-te para longe,
os teus olhos rasos de água,
pedem desculpa,
enquanto também viras costas
e segues o caminho oposto.
luto com a gravidade,
e dou passos de olhos fechados,
guiada pelo que me resta,
a possibilidade do desconhecido ,
não os posso abrir,
não tenho a tua coragem.
a nossa história começa
e acaba sempre,
no mesmo ponto de desencontro.
E dizem,
vai sempre doer um bocadinho,
mas és pérola de uma ostra,
magoada,
sempre fiel á visão
de amor maior.
E este,
eleva-te ao mundo
dos deuses.
 Mostrando como és ,

especial.





Sarah Moustafa


quarta-feira, 12 de abril de 2017

O que os olhos não vêem...



Desde que partiste ,
todos os dias são um enterro .
Sofro de um tipo de viuvez particular,
não só por mim,
mas por ti também.
Ambos desfalecemos  ,
todos os dias fechamos os olhos
esperando que estes não se abram ,
esperando não ver memórias
tão detalhadas , actuarem no nosso presente
Trazendo a tua voz , a tua gargalhada
Trazendo-te o meu cheiro, o meu sabor
A forma de encaixe perfeita
de dois mundos virados ao contrário,
que durante um acidente de percurso ,
se encontram, fundiram , descobriram
dentro de um parêntesis fomos reticências ,
encontramos abrigo,
refugio nos teus braços seguros
e no meu regaço quente.
a brevidade de um momento,
mudou tudo para sempre.
ás vezes a ferida distrai-se
afinal o que arde cura
exponho a minha
escondes a tua.
e o mais provável
é estarmos ambos errados.
Uma borboleta estranha ,
pousou-me na mão ,
queria explicar a teoria do caos
mandei-a embora,
oiço os teus gritos de raiva ,
de dor ,
de quem não se permite senti-la.
a asfixia de quem não
consegue arranjar coragem de
respirar verdade.
o peso de uma culpa estúpida,
mascarada de uma imperial
teimosia .
conheço esse orgulho,
sorrio.
consegue ser tão tirano como
o meu.
a perda foi mútua ,
porque eu tenho que preparar o teu funeral
diarimente , esperando pelo dia
em que não mais tu ressurjas
mas tu ainda nem tentaste
tirar-me de ti,
só me trancaste ,
fugiste.
e corres com o peso de um corpo,
que te tortura e condena.

esperando que o que os olhos não vêem, o coração não invente.

como é que isso está a correr ?







Sarah Moustafa

terça-feira, 11 de abril de 2017

Pigmeus



Por vezes,

quero-me apagar nas linhas do tempo,
desfragmentar-me
pedaço a pedaço,
de uma alma
em eterna construção ,
cativa no remoinho
de uma ampulheta avariada.

Quero tornar-me ainda mais invisível ,
definhar nos bastidores
de uma realidade que nunca será a minha,
Não quero ter voz,
Dar a cara, cumprir com os requisitos
De ser humana ,
num mundo cada vez mais desligado
da sua humanidade .

quero ceder á doce tentação da desistência
numa batalha sem fim,
onde todos os que não merecem,
são os que acabam tão mal.
Afinal os vilões,
ganham sempre no fim.

Entre o beijo da morte e o alimento da vida,
a tua força mirra .
és pouco mais que um grande nada,
na fantasia da existência,
que fazes parte do mundo dos gigantes.

és só uma barata peçonhenta,
prestes a ser esmagada
ou com um pouco de sorte
a estúpida de uma joaninha ,
que nasceu um pouco mais aperaltada .

mas és pequena,
somos todos
minúsculas partículas de pó ,
crentes no invisível
no além!
porque é impossível essa miudeza,
é impossível
não passarmos de anões serviçais ,
a causas completamente
tolas e irreais.

temos de ter alguma importância.
Deus escreveu...
O Universo é...
A Ciência diz...

Um conto de fadas,
apenas um conto de fadas
Que nunca vai acontecer.

E se por vezes me apetece desaparecer,
fujo para a tempestade
das minhas palavras.

elas acabam por me devolver ,
para voltar a observação de um mundo,
em estado visceral de vida,
onde o mais comum é morrer .





Sarah Moustafa


domingo, 9 de abril de 2017

Uma dúvida



Um pensamento,
estava todo errado.
todo trocado.
entre espaços de mentira e decepção
permaneceu
Uma dúvida tremenda
Cruel , envolvida ,
apaixonada ,
dividida
o que é verdade o que é mentira?
O que é real e o que é fantasia?
Eu sabia,
recusei-me a ver.
vendei me em prol
de uma história tão bonita.
é minha culpa.
o desígnio do teu esquema ,
forjado de sentimentos
conchas vazias,
desejos estéreis ,
Um pensamento,
bastou ,
destruiu-me
mais que tu.
querendo pensar
que me querias.
Que o fogo
que entre nós ardia,
não era só mais um truque
malandro que me trazias.
Uma dúvida ,
uma questão tão pequena,
cuja falta de resposta me envenena...
E tu simplesmente não queres saber
Não ma entregas.

Porquê ?

Quando deixaste de ser uma pessoa ?





quarta-feira, 5 de abril de 2017

Mancha




Sei que não existes.
E dançámos apenas coordenados,
em passos que se dissolvem no reino da fantasia.
Sei que apenas és,
borrão obsessivo e cobarde ,
em todas as tentativas de novos manuscritos.
E tento, tento, tento,
Mas dessa tinta inconveniente  ,
escrevem-se os meus sonhos .
E dos meus sonhos
sinaliza-se o sentido maior
das dores que tiveste de me auferir.
Sei que não existes,
E se não,  não és assim tão mau,
E se és,
Não temo,
Não tanto como perder ,
todas estas partes de mim,
tantas entrelaçadas pela descoberta de ti .
És nódoa , absoluta e negra.
Não é grave.
É só uma marca de guerra...
Excepto nos dias que te quer,
que te possui,
que te rasga,
para não remendares,
não ressurgires
inteira.

E tu deixas.





Sarah Moustafa

quarta-feira, 29 de março de 2017

( . . . )


O acaso ou o particular ,
O momento certo,
O flutuar de uma mera coincidência
O imutável peso de uma sentença,
O levanta-te
porque de certo tropeçarás ,
A estrada a direito,
De encontro ás ondulantes curvas perigosas,
O acidente de que não te queres culpar,
Porque faz parte, acontece...
O deixa o Sol entrar
Porque a noite é certa ,
Tão intimamente tua,
terás de contigo a levar.
A memória que se desenlaça
E aperta nó
No futuro que se constrói
E a ponte que terás de atravessar,
O reflexo fosco de um espelho
que devolve a imagem
Mas terás de a negar .
O amor que se cospe
No chão sagrado
Onde joelhos feridos continuam a rastejar,
Tentando um Deus diferente
Cada dia, descobrindo uma nova forma de orar
Que bíblia me purga da culpa ,
De fertilizar sonhos que acabarão por me matar ?
O caixão sem um corpo pelo qual chorar.
Um ventre vazio
sem uma nova vida , uma semente que possa brotar ,
O relógio que avança sem horas
O medo que aprisiona
A paixão que cega
A raiva que controla
A música que emociona...
O sangue que escorre,
Ainda tão vermelho vivo.
No poema
que nunca é o ultimo.
E se torna
sempre o primeiro.






Sarah Moustafa



segunda-feira, 27 de março de 2017

Juro , encontrar-te-ei .



Ás vezes , a sede de sangue toma posse.
E quero matar-te com a mesma lâmina funda
com que me deixaste.
Quero ver as tuas entranhas e ter a confirmação
que elas estão totalmente podres.
Quero gritar de liberdade ,
sentindo a tua vida escorrer-me pelas mãos.
Quero que a raiva me cegue,
que rebente um escândalo,
porque só podes ser o vilão,
a terrível personagem,
o culpado de todo o mal...
Porque se és humano.
e também me amas,
e amando ainda assim
me destróis ,
não consigo
aguentar,
não sei porque ponta pegar ,
E a raiva cresce,
os tumores da tua doença
tornam-se meus,
Não és nada, mísero ,
pequena alma.
Mas sou eu que acabo.
Sou eu que me desfragmento...
Em mil cacos
No espelho onde não consegues te olhar .
Reza,
para que eu não descubra,
que isto é tudo uma grande mentira.
Que afinal,
sou eu a luz dos teus olhos
eterna menina.
Porque se sou,

Eu vou aos confins do inferno,
encontro-te,
demore o que demorar.
E desfaço-te  ,
no mesmo pó com que levaste todos os meus sonhos.
E respirarei de novo,
nas cinzas que caírem do teu nome,


Juro.






Sarah Moustafa


sábado, 25 de março de 2017

Vice-Versa



Como gostaria de dar voz
ao silêncio arrastado dos meus sentidos.
Gritar a plenos pulmões
sobre a extensa noção de infinitude a que me remetes.
O eco bravo viajaria pátria a pátria,
Rodando sobre o eixo de um globo sem fronteiras

Mas a vida terrena, castiga .
Encolhe-nos, limita e bloqueia
Arrasta montanhas ,  cava fossos
Envelhece-nos, estupidifica-nos,
regredimos e não abrimos asas
Voos de liberdade,
vivência absoluta do amor,
com toda a sua universal verdade.

Mas em todo este tempo que urge e nos testa,
que nos afasta e fere,
ainda sobrevives.
Ergues-te ! Superas- te ...
Expandes , sabe se lá como, a divina centelha.
Começa sempre com uma inútil e trémula letra
e não mais deixa de dançar,
num rodopio , num frenesim
Que nem sei justificar!
Círculos mágicos ,
Mensagens de um poeta atribulado !
Chama ardente de um visionário!
Palavras ganham vida , transportam luz
beijam sagazes a profundidade destas trevas!
Beijam-se , a alma parte-se em dois.
Despem-se,  volta a encontrar-se
Entrelaçada, Una.
O medo e a morte não são para nós.

De nós nascem puras e invioláveis sementes,
De grandes sonhos e magia.
De nós se erguem as forças opostas
Vice-versas
Nadas do mesmo tudo.
O sagrado e o profano
A cura e a doença
O apego e todo o desprendimento,
Um pai que se segura no colo da sua criança carente
E chora tanto com ela...

De nós pouco mais saberão
Do que aquilo que o mistério sabe de si.

Como gostaria de poder explicar...
O que não consigo.
As raízes do sentimento foram firmadas
No Monte Olimpo .
E como gostam , os deuses, de segredar sobre nós ...

Tanto tempo passado...
Como se nem uma página ele tive tocado.

Tenho-te em mim , escrevo-te.
Tens-me em ti, lês-me.
Para & Sempre.

O fim é só o inicio.







Sarah Moustafa

quinta-feira, 23 de março de 2017

Em memória da grande fé que perdeu.


Hoje a chuva guiou-me ,
caminhei sonâmbula
á orla da floresta encantada
para onde me chamaste,
Caminhei encharcada por horas a fio ,
Não desisti, iria ver pelo menos a ténue sombra
De ti.

Tornou-se difícil andar,
A tempestade abateu-se forte,
A lama ganhou braços
puxando-me cruel debaixo de terra,
Impedindo-me
Querendo enterrar ,
a réstia de vida ,
Sobrevivente de guerra,
Albergada num refúgio secreto ,
Aguardando o fim deste pesadelo.

Os mantimentos acabaram.
E está tão doente...
As trevas não dão tréguas ,
No seu leito e voz moribunda
Está a tentar dizer algo...

E não consigo entender,
Estende-me a mão engelhada
Quer que a segure,
até ao fim.
Balbucia algo no momento
que um trovão estoura,

Penso... penso que está a pedir desculpa ,
por estar prestes a morrer,
Quando lutou até ao fim,
Por nos ver renascer.


Perdoa-a,
foi tão corajosa,
leva tua alma,
Mas é merecedora.

Foi tudo ,
tudo.
tudo.




Sarah Moustafa


quarta-feira, 22 de março de 2017

Câmbio



Quantas marionetas tentaram levar-te com elas ?
Quantas mais te visitarão amanhã ?
Preciso que tenhas o texto decorado!
O palco foi cuidadosamente preparado,
Tudo para a ilusão de um grandioso espectáculo!
Sorriremos todos em conjunto,
Mostraremos ao mundo como estamos felizes,
Na pequena e almofadada caixa, onde todas as noite adormecemos .
é uma escolha de dimensão pequena,
criamos resignados e propositadamente incultos,
Mas ao menos estamos seguros ,
Pertencemos a um grande rebanho,
Não precisamos de mais ,
Não estamos sozinhos, n-u-n-c-a,
Saber estar bem com o que se tem, é essencial.
Olha para ti, tão triste e sozinha
De que valem a centelha de milhares de sonhos ,
Está tudo escuro na mesma,
Ou a lealdade para com a verdade do teu coração ?
Que recebes de volta senão mais punhais
fincados na tua carne?
Ou a esperança que existe uma razão maior ,
Um universo que te acompanha e ama ,
Onde está a justificação
Para a maldade incompreensível
que subjuga e tolda quaisquer esforços ?
O mundo está doente, não o podes salvar
Vem connosco...vais acabar vitima da impotência,
Do fracasso que te consumirá
Aqui a folia das máscaras é garantida,
podes escolher seres quem quiseres,
Desde que desempenhes um papel.
Imagina o estrondo de aplausos ,
as reverencias , as oferendas
A relevância...
Apenas por seres tudo,
excepto autêntica,
Alma ?
é velha , decrépita...
Acredita em nós...

Porque demora tanto , conseguir aliciar-te ?
Não podes fugir,

Tudo está comprado.






Sarah Moustafa





terça-feira, 21 de março de 2017

Desencanto .




É dificil não sentir a crueldade de uma existencia que força despedidas,
rasga corações, apaga estrelas de tantos sonhos que nunca se realizam
Sentir esperanças emagrecerem num corpo onde os pés estão cada vez mais presos
A uma realidade que aos poucos vai perdendo encanto.
Claro que não deixou de existir beleza, o amor está em todo o lado
poemas ainda se escrevem pouco antes do amanhecer.
Claro que a mudança traz sempre algo de positivo, a vida não pára,
Ainda respiras , ainda sentes , ainda és capaz,
podes-te recriar continuamente.
Claro .
Mas e o durante?
E todos os dias até lá  ?
O que vai acontecendo contigo ?
O que fazes de ti e do peso absurdo que carregas?
Como não ceder á tentação de desistires ?
Todos os teus esforços caem por terra
Nada resulta, nada passa ...
Para além das tuas vozes, tem todas as restantes
Que dizem não estares a fazer o suficiente !
É difícil não te tornares um pouco cínico,
Amargo , ressentido, 
Tudo o que queres é expressares a verdade do que sentes
E nunca nada do que sentes , está certo.
Ou tens de regredir , ou avançar.
Mas eu estou aqui...
Um eclipse tomou me conta da alma
E não passa, 
Não vai embora.
E as horas pesam séculos
Os ossos doem,´
Caminhada solitária eterna,
E porquê ?
Porque nos destruímos ?
Porque somos horríveis seres humanos ,
Quando poderíamos alcançar tanto ?

Dizem que temos de aceitar o que a vida nos reserva.
Só que eu jamais me resigno ou conformo.

Como poderia?

é tudo tão, tão injusto...






Sarah Moustafa

segunda-feira, 20 de março de 2017

Não esqueças .




A solidão de uma perda que nada nem ninguém preenche,
abre buracos, vazio eterno
De uma ferida que durará para sempre
Pensei, não pode ser. 
Não pode doer mais, tem que acabar, tenho que despachar isto.
Arrumar tudo, fugir, partir para bem longe
Concentrar-me noutros afins,
Dar oportunidades a outros amores
Aceitar que a morte faz parte da vida
E eu ainda tenho tanta vida !
Mundos para conquistar , mensagens para partilhar
Sou demasiado nova para sofrer assim.
Enfrento o semblante de descrença,
Ninguem entende
Ninguem poderia...
Devia seguir conselhos,
Esquece ! Estás melhor assim!
Que exagero, muda,
Vira a página,
Isto são fantasias criadas na tua cabeça...
E torno-me cada vez mais só, 
enredada no incompreensível mundo desta conexão.
Existiu apenas um,
Existes apenas tu que soubeste ler-me
Compreender,
Abraçar-me nos espaços de abandono,
E lembrar-me todos os dias que estou aqui
para brilhar.
Por isso volto aqui, a esta casa
Escrevo-te de volta
Sem qualquer pudor
desenho palavras e símbolos nestas paredes , onde sei que do outro lado
me ouvirás.
Onde despejo os atrofios de um coração
desgastado que nunca te esquece.
Jamais... esquecerá .
Esperando que na minha certa loucura
A tua voz profeta me volte a guiar,


Porque foste absolutamente o pior e o melhor que já me aconteceu.

Podemos nunca encontrar o caminho de volta,

Mas ... somos imortais.


Choro.
Não esqueças.
Toco-te 
Não esqueças.
Beijo-te .
Por favor, não esqueças.













Sarah Moustafa

sábado, 18 de março de 2017

O oceano que tanto separa e tudo liga.




Nem a extensão ou a profundidade de todo este oceano
é suficiente para aliviar a sede de milénios por onde te procuro,
Tento beber da sua promessa , um dia isto terá de acabar
Continua tudo tão seco , crispado de um dia que o Sol 
Ousou descer dos céus,  convidar-nos ao seu núcleo de fogo , 
querendo trazer a promessa
Do caminho poético da luz e nos desfez em cinzas
eclipsando a ténue esperança que nos resguardou
No encanto musical das suas quimeras.
Dizem que o caminho se faz caminhando ,
olho para trás, tantas pegadas 
Que contam com estranha simplicidade
O tamanho desta história,
Preciso da telepatia , a ligação com o mar que nas suas profundezas
Nos vincula,
Cada ondulação é uma mensagem tua,
"Encontrar-te ei "
Inspiro a brisa inquieta , seguro a resposta o máximo que consigo.
Entrego-ta , devolvendo o sopro mágico ao caminho do destino .

" Eu sei"




quarta-feira, 15 de março de 2017

XÔ , podes te aleijar .



Dizem que cão que ladra não morde.
Mas...
Pode tentar.
Abro a porta, convido-o a entrar.
Nunca gostei de rafeiros mas tenho um fraco por causas perdidas,
Talvez se lhe tratar das feridas, ficarei também eu resolvida..
é mais forte do que eu, ou talvez escolha a dedo a força que preciso para me desculpar
Tudo em mim está errado,
Nao me curvo, arco iris maldito,
Demasiadas cores, demasiada euforia
Promessas e fantasias.
Não! Quero estar só no meu reino secreto...
Cão e Gato,
Não dá,
É preto , traiçoeiro , sempre disposto a por as garras de fora.
é tão triste,
como todos saem desfeitos,
Preciso deixar marca?
Infligir dor , beijar veneno
Nunca saber o que quero ,
Para receber de volta
O aperto no âmago, onde eternamente agonizo
Estarei viciada na dor ?
Sedada á constante perseguição do mesmo drama ?
Preciso de outro gole, um ardor perpétuo
Trepidação, afectos e arroubos loucos !
Preciso , mas não existe.
Ninguem quer arriscar a vida só para renascer no dia seguinte.
Então calem-se .
Não posso mais com latidos impotentes.

Sou perfecionista e valorizo demasiado palavras.

Parem de usá-las em vão.

Não estou bem....

Mas vocês estão piores, procurando cura

Na minha doença.








Sarah Moustafa

sábado, 11 de março de 2017

Páginas Incandescentes .



O enamoramento ....
palavras que deflagram como um beijo sem fôlego
Lê-las enquanto gotejam sentidas
Relê-las , porque uma vez não chega, apetece-me mais de mim
Aprender continuamente novas e prosaicas formas
De dizer quantas vezes me apetecer ,
bater forte na mesma tecla
Sem nada se desgastar, sérum da juventude eterna
Obsessiva , rir -me da controvérsia, queimar dicionários
Um sopro de magia , bafo quente que te murmura
enlaça-se tamanha inocência com sabor da tentação profana
Não sei onde estou, sonho ou pesadelo
Castigo ou redenção...
Desabrocham primaveras improváveis
recônditas páginas secretas e obscuras
Que só a devota paixão traduz .
Da cabeça aos pés uma extensa narrativa
Fascinio , medo, vontade cortante !
Auto-controle, cobardia, distância
É demasiado.... importante
Por dentro , algo diferente acontece...
Tão simples e ainda assim.. tão complexo

Um breve poema se escreve.

Ardo, morro, renasço. 
E procuro senão pelos sentido da verdade que dói .
E não imploro por absolvição,
Pois no inferno encontro a substância do meu paraíso.






Sarah Moustafa

quarta-feira, 8 de março de 2017

Como um enigma dança e nunca se revela.


Dizem que quando chegares...o véu cairá.
Se calhar não deves dar nem mais um passo.
Tenho medo
 Grãos de areia que nesta ampulheta mágica, 
Se vão dissipando
E
De todos os tremores que a terra nesse dia trará.

Se calhar....

É melhor nunca saber.
Nunca ter a certeza absoluta,
Da sentença inegável ,
Desse destino,
Que inebria metade desta humanidade,
e destroça outra

Na procura do mistério do que é de facto,

o Amor.

Toda a plenitude da existência ,
O sentido, o antídoto , a ressurreição...

Numa única palavra. 

E ainda assim tão perto chegamos, senão apenas
 A visão da silhueta dançante,
Inatingível  ,
No manto por onde nos entre olhamos ,
Tanto fascínio !
Goles de agonia !

Pelo segredo que o Universo

Em páginas de expressão cósmica, vela.

Por tantos milénios.







sexta-feira, 3 de março de 2017

Não vejo nada.



O pior cego é
Antes aquele que vê absolutamente tudo,
Antes do que seja vir acontecer.

E olhar para o lado, pretender, contar ate os números acabarem
Rezar aos mistérios que se escondem por trás do globo ocular
Suplicar,

Que não seja profeta e criador da própria miséria,
Que não consegue e não quer impedir,
Se o quarto estiver escuro, ninguém te vai ver ...
Apanhar e dizer que não está nada!
Porque estás a usar essa venda ?

Porque Deus nos livre ,
Da causa e efeito, dividas e recompensas
Perigos que não valem o risco,

E sobretudo,

Da cegueira mais ou menos escolhida.






Sarah Moustafa

quarta-feira, 1 de março de 2017

Atalhos para o mesmo circuito


A música devia estar gasta, a lição aprendida.
Pára de romantizar as pessoas!
São fantasias, danças no baile de máscaras
Palavras leva o vento, acções também já pouco contam
Abrem e fecham portas, saltimbancos, malabaristas
Amam-te, Odeiam -te,
Pegam fogo ao Circo
Desejam-te, Já não te querem
Colapsa, Torre de Babel
Nunca fomos amigos.
Saem da toca
Não! Ainda não é hora
Voltam a hibernar.
Deserto eterno sem sinal de um longínquo milagre
Precisam de ti,
Mas agora não é muito conveniente,
Quem disse que podias chegar tão perto de mim ?
És muito bicho do mato, metes-me medo...
Tira-me a camisa de forças...
Espera , Se calhar ainda é cedo
Aperta-a mais um bocadinho . . .
Deixa-me ver até onde vais
O disco está riscado,
E não pára de rodar ,
Pudera que não saibas o que é sonho , o que é real
Estás há quanto tempo ás voltas ?
Faz com que isto pare !
Mas...


Devagar...




Sarah Moustafa

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Entre o encanto e o engano.




Peixinho de Aquário , perdido nos mistérios desse grande Mar
A Curiosidade não mata só o gato,
A morte é demasiado misericordiosa ,
Aqui o jogo é a sedução lenta até que alguém entenda se tem algo a ganhar
E o que escapa como água entre dedos,
sereias deslumbrantes presas , escondidas.. nas caudas dos seus segredos...
Terra á vista?
O que está desse lado ,
Vale a pena sair de um todo profundo oceano ?
Caminhar , pretender que também somos meros humanos?
Ah..Dualidade , tramada.

Dizem que por trás do véu é onde está acontecer toda acção .

Devíamos consultar os nossos oráculos ,

Ou ...  deixar o enigma...
Se revelar .

Melhor, não ?






Sarah Moustafa 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

São as horas que quiseres... no tempo que não trouxeres.


E Senão existir distinção entre a vida ou a morte?
Se esta fronteira vil, apenas separa almas na ilusão de um tempo
Que ainda que valioso, não preserva ou ajuda ...
Não cura,  não necessariamente nos amadurece
não nos faz aproveitar nada...
Nunca  dá o soro da felicidade por inteiro, 
Corremos maratonas á procura do próximo grande momento
Píncaros, altos e baixos, adrenalina 
queda livre, um orgasmo ...
Um ano de celibato!
E nada chega ...
Para te satisfazer, para te aplacar os medos
E terríveis anseios , que por trás da máscara feliz
De malabarista e palhacinho, se esconde
um sorriso esborratado , quase sem vida própria
Tão triste, esmorecendo enquanto o tempo passa
Porque o tempo dita como as coisas são
Os Deuses têm a mão maior
Nunca os homens e a as suas invenções,
Não temos coragem, de sermos um todo
Criamos varinhas de condão
E toda a humanidade está dopada
Neste feitiço das horas, 
E dos ponteiros que não mexem porque não querem
Ou não param, porque não se atrevem.
E agora perdemo-nos! Onde deixamos a pedra filosofal?
Ainda sabemos encontrar de volta o caminho a casa, onde está o coração ?
Estende o mapa, caça ao tesouro !
A minha alma ainda está viva num grão de areia,
dourado neste imenso deserto...
Existe ali,
Existe aqui,
Gota no oceano,
Mera estrela de tanto universo !
E tu dizes-me que o quê acabou?
Que quem te deixou?
Por debaixo das tuas peles,
está o mundo do impossível e do intemporal ,
está o que sobrevive a quinhentas encarnações
Os poetas, os músicos, os visionários
foram sempre apedrejados e chamados de tolos
Passados tantos séculos,
" E o tempo que tudo apaga, "

Continuam a espalhar a mensagem ,

Que amar é a única tragédia que suplanta a nossa mortalidade.


Não é isso que todos queremos? 
Continuarmos na corrente da existência, depois de já não sermos senão pó ?

Então...


Por favor, tornemo-nos em carne ainda, todos eternos !








Sarah Moustafa 







terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Morre, de uma vez.




Não te convidei.
Forçaste a entrada.
Não te deixei.
Partiste nas sombras da madrugada
Procurei por um bilhete,
O papel que por descuido deixaste cair
tem a textura de esperança vã
Criada a partir de um sonho, que entre o sono, era nada !
Diz-me, porquê?
O que fiz...
Para não ter em mãos uma única palavra?
Entreguei-te milhares de poemas,
Quase a totalidade da minha alma...
Não é justo.
A vida nunca é.

Dizem, tem calma, a calma também é um super-poder.

Mas eu só quero destruir isto tudo de uma vez.

Maldição que sobrevive á própria morte.

Não morre, não renasce

Deixa-me em paz.

Deixa-me em paz...

Já é tão, tão tarde....




segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Bela .



Levanto -me 
Ainda mal aprendi andar
Tento , o meu melhor
Caminho descalça,
Preciso de sentir cada momento na pele
Só o abraço do meu corpo
E o mundo das suas descobertas
me desenlaçam da prisão de ti.
Sei que sou bonita, 
e não é a beleza desenhada no meu rosto,
Ou as perfeitas proporções ,
De um mosaico que todos os dias muda e envelhece !
Abro as cortinas , deixo a luz levar-me
Tenho em mim tudo o que procuro
E pensei precisar de encontrar ,
Tenho o amor de milhares de corações
que se expandem num só
Pudera as arritmias e os atrofios !
O sangue fervilha, a paixão é a minha musa
Preciso da corda bamba e o deliro ,
E tudo quanto adiciono á minha história,
é escrito a sangue ,
Bradam temerosos cavaleiros , 
Que empunham espadas ,
em nome da fé e da alma !
Que ganhas-te a batalha
Feriste-me e fiquei não sei quantas estações,
assim derrotada, estendida ...
Desejei tanto que me visses por dentro,
E em silencio os teus olhos confessassem , 
Todos os porquês , todas as longas e profundas reticências
O jogo da advinha, e a arrogância palpável
Do porque me julgas garantida.
Perdi.
Mas esta Guerra nunca foi tua .
Atiras-me para as sombras da Lua.
Aqui , a soberania é minha. 
Recupero o meu poder, estou em controle!
Sem precisar de nada dominar.
Ou de infligir em outrem a dor da mágoa que carrego em mim.

Dizem, se queres olhar-te ao espelho entrega-te ao reflexo.


Despe-te .












Sarah Moustafa

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Persona non grata


Nunca precisei de muito,
Mas precisei de ti.
E não estavas lá, nunca estavas lá.
Sei que devia ter sido mais ambiciosa
E de ter aprimorado esta capacidade de cálculo
Crente na percentagem mais improvável!
Esta esperança quase me mata,
esfola-me viva
Escama a verdade
E o que é?
O que dói ?
O que resta?
O que sempre ficará ?
És tu mesma , és tu mesma.
Menos é mais.
E eu sou muito mais.
Abro os braços ao que não me deste.
Tola, menina sonhadora ,
Tenho um mundo inteiro á minha disposição.
Intrigante, mulher misteriosa

No fim de tudo ofereceste-me de volta a mim mesma.
Inteligente ...
Serei eternamente grata.
Continuo a ser aquela pérola generosa,

Mas agora, é hora.

Sai.






Sarah Moustafa

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

My precious.




My hands are tied
But
My heart remains open, it  roar's free .
You can taint it , smash it, 
the same way it breaks, it bleeds
It expands magnificent ,
ready for another shot, another attempt
to properly see if you can defeat me.
You can't . Oh , but you try.
This heart of mine, is a jewel
a music box , and you dance to the sweet tune.
the eternal misery that breathes hope,
your secret desire to return to the truth of love.
So take my hands, take
 my body
put it in that cell ...
Punish me,
Let me starve ,
My soul will nourish me 
The mouth is dry and thirsty
My tears will fall
And the flood will clear
The debris of sickness
Your selfishness and tyranny
consumed my body with.
And this body may die ,
And you may win ,

But you'll never reach my forever beating heart.

I will never stop caring,
I will never stop giving,
I will never stop believing.
That even you , 
A hurt boy dressed in the clothes of self made man
A dreamer, turned cynical
A fallen angel pretending to be the devil,

even you ,

Are worthy of love .


This is what drives you mad,


My soul is intact.






quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Queda sem chão .



Detesto estes dias.
Nada chega, nada preenche o vazio solitário
forjado lamentavelmente á extensão do teu nome.
Nome que sobrevive neste borrão de palavras,
abominavelmente sentimentais, repetitivas
Já chega ! Já chega ! Já chega!
Acho que estou mesmo doente.
E quanto mais tento a cura mais veneno me preenche
Existe um abismo sem fim,
Nunca mais aterro
e me estatelo morta nesse sagrado chão.
Talvez sobrevivesse, sem memória
completa limpeza de histórico
Alguem me puxaria pela mão
E mostraria como é bom voltar a realidade
Da simples existência do amor,
Detesto estes dias,
que temo a eterna ausência da tua voz
O eco da rejeição
Com que ainda me embalas diariamente,
O apagar das linhas do teu rosto,
onde se desvanecem detalhes,
Areias movediças
que te apagam no tempo.
Devia celebrar,
Não estamos destinados,
Porque haveria de querer alguém tão pequeno como tu?
Nunca foste meu amigo ou amante.
Uma miragem , um devaneio
Uma personagem que só ficou aquém
do que artisticamente criei,
Secalhar é isso...
Fui eu que te dei vida.
E carrego-te como cruz,
Claro que sinto falta de ti,
Levaste um bocado de mim.
Eras meu .
Mas eu nunca poderia ter sido tua.
Não eras real .

Detesto estes dias,
Em que converso entre lágrimas 
e enfraqueço...

Dizem o dilúvio é uma limpeza.

Depois deste tempo todo ?

Ainda me poluis.

Detesto-te.







Sarah Moustafa 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Não sou nada




Conta até dez
E diz -me
Devagar...
Quantas vezes 
acabaste rendido aos meus pés ?
Eu não sou nada,
Ainda assim ,
arrastas-te á redenção do altar do meu nome.
Eu não sou nada.
Mal menina, péssima mulher.
Diz-me que pérolas ancestrais
São essas 
Com que queres decorar o meu corpo?
Como gostaria de me puder ver
através da perversão dos teus olhos
E julgar-me soberana de um reinado
Que não sei governar !
Mas adormeço uma vez mais neste pântano,
Cada vez mais escuro,
Não tenho medo ou vergonha
Do que é profundo
E tantas vezes sujo...
Não sou nada
Talvez um breve raio de luar
Que te observa quando diz já não te amar
Conta até dez...
Prometo da tua mémoria me apagar
Mas grita ...
Rápido!

Como é a mim desejar ?






Sarah Moustafa 

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Quem semeia vento, colhe ...



Não adoras a forma , 
como o raio desce dos céus
E violentamente nos separa?
Dizem que o Universo é inteligente,
tem um plano maior para o que acaba.
Das duas uma,
Ou fomos postos á margem , cães abandonados , 
desorientados nesta longa estrada
ou...
Somos , nós mesmos, a partícula da tempestade.
Não adoras cair continuamente da graça de Deus ?
E ser a esta missão sempre chamada ?
As asas estão só rasgadas..
Destrói, reconstrói, destrói.
Dói !!!!
Não admira que ninguém goste de nós,
Carregamos o dia, sufocamos o sol
evocamos o medo,
Os vidros estremecem, a luz vai abaixo...

Ouves esta canção de amor ?


Lá vem trovoada...






Sarah Moustafa 

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

De carne e osso




Tu deixaste-me ir.
E nunca mais olhaste para trás.
Não tens o direito,
Não levantes o dedo
Porque queres uma oportunidade,
e é inadmissivel não te a dar.
Lamento, se não é tudo sobre ti,
Mas.
Tu fizeste isto,
Eu esperei por ti todos os dias.
Anda sim, chega o dia, 
E a espera nunca acaba....
A  noite é tão longa ,
E a fonte secou os milagres.
Consigo sentir-te a despir outro corpo,
A procura da minha pele.
A procura do mistério de mim.
Mas eu não sou um ideal , ou fantasia.
Sou uma mulher como qualquer outra.
Carne cheia de cicatrizes, ossos enfraquecidos
Não me procures mais nesses lençóis.
Porque tu não fazes ideia do que estas a procura,
sempre foste um homem mais que (im)perfeito,
sempre gostei de ti, por seres mesmo assim.
Enquanto não me vires.
Não batas mais a porta.
Não fazes mesmo ideia de quem sou.


Talvez seja por isso que esta história não tem fim.


Sarah Moustafa


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Maligno




Tudo deixa uma marca.
um trilho que nos guia de volta ao primeiro pecado original.
E como gostamos de pecar.
Sei que está aqui, algures ...
Não consigo encontra-la ,
Porquê?
A nódoa que deixaste foi bem negra
Porque não aparece ?
Mas ainda está dorido...
Faço do meu corpo um mapa ,
De uma estrada sem fim
Foi por isso que desapareceste?
Gostas de saber onde as coisas começam e acabam ?
Desculpa, não tenho culpa nenhuma.
Trago este símbolo do infinito
Como amuleto da sorte!
Devias tê-lo aproveitado...
Tornar te ia imortal.
Agora aguarda, aguardas, aguardas...
Sabes quando for...
Será apenas um beijo,
A tua sentença da morte !
Morde uma vez mais,
O antídoto é arrancar o mal pela raiz
O que é que ainda esperas?
Alvo fácil,  sou vitima ao dispor de qualquer crime
Que queiras orquestrar,
As coisas que eu sei, que ainda gostavas de fazer comigo...
Tira de uma vez, o penso rápido,

Preciso de encontrar a maldita marca,
Algumas mazelas só se curam ao ar livre.

Há que deixa-las sangrar...

Gota a gota,

tudo o que precisarem sangrar.










Sarah Moustafa

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Flor de Lótus





Estou farta de me auto disciplinar com este cruel, Não importa...
Importa.
Importa mais do que alguém gostaria de admitir,
Mais do que parece humanamente possível suportar .
Dói.
E ainda assim ...
é a fatia mais tenra e capaz de transcender a crueldade,
De uma realidade que não pede licença para ser o que é.
Prova,  aqui podes saborear devagar...
O que não têm qualquer relevância é se importa para ti também,
O meu amor não depende do teu.
Esse é o truque e a magia.
Não preciso de ti para nada...
Preciso da dimensão deste todo que me devolve á imagem
Da pureza manchada neste lodo,
Estende-se o pântano misterioso e um corpo que não deixa de ao seu ritmo dançar,
Por aqueles que não o receberam e trataram bem.
Sei limpar as minhas próprias feridas.
Ainda bem, que me ainda importa ,
Sou eu que mais sofro,
Mas também sou eu que mais Vivo e Cresço.

De Verdade.











Sarah Moustafa