sábado, 31 de dezembro de 2016

É a última noite.



Reconheço a imensa beleza que também existe no vazio de mim.
Que apenas abriste , a pontapé, uma passagem, um túnel aos subterfúgios criados á imagem da minha genialidade , que tonta ainda se negava.
Ainda não sabia despir-se por completo ao feitiço demoníaco do amor.
Amor que ainda não sabia cultivar... e o universo inteligente trouxe duas personagens desfiguradas , a caírem aos bocados , mascarados de certezas e portes altivos de absoluta confiança, para por em acção esse grandioso plano, vamos lá ver o que estas personagens valem.
Com duas sombras gigantes á frente, ainda conseguem ver a luz, ainda se escolhem , ainda se entregam?
Afinal o que , portadores  de consciência como a nossa , poderiam não ultrapassar ?
Pois...
Stop. 
Missão falhada.
O amor nunca esteve ou estará em causa, mas como se aprende a viver com a consequência de ainda assim , não o termos escolhido?
E de que quando tentei, acho sempre que tudo se arranja, tudo se refaz, tudo se transforma, tudo se consegue, já tinhas gravitado de volta para a dimensão das tuas ilusões. Já era tarde demais?
E voltei eu ao questionamento das minhas.
O que é isto?
Isto tudo que até então acreditava, a minha fé, os meus valores, os meus julgamentos, a personificação de toda a minha identidade,
Bocado a bocado foi se desfragmentado , não houve nada que não tenha sido posto em causa, afastei-me de tudo e todos, restou só que sobrevive ao teste do tempo.
A alma das coisas , o núcleo por onde tudo floresce , o meu centro, o meu eixo ainda em desatino á procura de definição.
Mas eu preciso de me definir para quê?
Onde foi que eu assimilei esta pressão de que para ser alguém teria de alcançar certos objectivos?
Teria de conquistar certas metas?
A Sarah divina , mensageira do universo não pode partilhar publicamente as suas carências, as suas fragilidades.
A Sarah perdida no seu caos complexo não pode assegurar que está numa missão de serviço e ajuda aos outros, quando nem ela ainda consegui ajudar-se.
A Sarah enredada nos seus dramas familiares não pode genuinamente afirmar-se portadora de grandes raizes , onde alberga casa , refugio para qualquer alma que a procure, ainda que lhe tenham feito tudo menos sido de ajuda quando noutra ERA, ela também precisou.
Este ano foi destrutivo , duro, doloroso, solitário.
Mas o mais fabuloso de que tenho memória em termos de crescimento e abraço ao meu todo, a entender-me e procurar com a mínima curiosidade cada camada como ponte de única salvação.
Tive que abrir mão de tudo que ainda me impedia e toldava o processo de mudança.
Foi cruel,  tiverem que tirar-me aquilo que me forçaria a entrar numa espiral onde o meu controle não ditaria nada,  eras o  maldito calcanhar de Aquiles .
Finalmente aceito a minha responsabilidade, não preciso que assumas a tua.
Eu oiço as tuas desculpas, partilho da agonia , do atrofio de não conseguires libertar-te e dizeres tudo o que queres. Respeito o momento onde estás, o processo que tens.
Aceito a perda da tua presença física , aceito o término , aceito o teu silêncio.

Aceitar a outra forma de amor a que isto me eleva.

O próprio.

Estou livre, estás livre também.

Este capitulo encerra -se .

Aqui.

Como um conto de fadas quando marcar a derradeira badalada.

Estarei a acenar despedida , largando um beijo ao universo sabendo que o mesmo chegará a ti.

Obrigado, por tudo.

Assino um compromisso com a descoberta deste renascimento ,a perfeição presente nestes novos traços e não temer mostra-los a mais ninguém.
Existe um mundo novo por descobrir.


( Obrigado pelo pontapé, sei que sempre me quiseste ver voar )








Sarah Moustafa

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Pára de nascer nas minhas mãos .



Amo-te de uma forma egoísta.
Pois quem ama , quer ver sempre o outro feliz, mesmo que não seja consigo, mesmo que te desfaça em mil pedaços, esse sentimento altruísta segura-te a voz e dizes ... Vai, vai ser feliz.
Acenas uma despedida que sabes não ter volta.
Mas eu não quis, não quero nem nunca vou querer.
Amo-te da forma que sei amar, frágil, carente, extremista onde abro os braços e um espaço onde me encontro através de ti , onde te elevas através de mim.
Desculpa, eu desejo-te o melhor de tudo nesta vida, claro que sim, mas ainda sou arrogante o suficiente para sentir com cada centímetro de mim que esse melhor não existe sem a mútua presença de um sentimento partido ao meio e entregue aos dois.
Um eterno e inabalável encantamento.
Algo tão estranho, algo que não se corrompe e como tentámos....como ainda descemos baixo o suficiente para não honrar esse presente , essa dádiva que se disfarça de maldição, mas volta sempre ao seu estado original.
Há uns dias imaginei que éramos um coração de cerâmica e desfazia-o com raiva, empunhei o martelo e quis com paixão reduzi-lo a pó.
E ele continuamente voltava ao sitio, colava-se todo de volta medindo forças comigo.
Claro que ganhou. Ganha sempre.
Como disse, amo-te como sei amar, sei que me amaste também como o soubeste fazer.... com medo, com fuga, com distracção, com entrelinhas " deixa ver se ela apanha a mensagem encriptada numa canção ", com a intensidade de um olhar vivo que de repente se tornava o espelho mais intimidante e sedutor , fizeste me sempre ceder assim , sabes ? ...com essa forma de estares a falar com a leveza de uma criança e pelo meio saberes usar uma única palavra certeira com a seriedade e resolução de quem estava absolutamente seguro do que dizia e queria.
Se calhar recusei isto durante muito tempo...mas fizemos mesmo o melhor que sabíamos , com o que tínhamos, e faltava-nos muito, para conseguir dar e receber mais.
Duas crianças ainda tão magoadas...
Um menino-homem, uma menina-mulher, sempre a trocarem de papéis , para ver se aprendem a lição e dançam juntos na sala de espelhos.
Ups...acho que não passámos o teste.
Não faz mal... a minha alma continua a crescer pelo alimento da tua e embora seja egoísta, embora queira guardar-te num lugar seguro só para mim...
Há dias que a sensação é tão maior que eu e os meus desejos que te entrego.
Escrevo-te para o mundo.
Conto-nos ao universo.
E um dia , um dia... quando deixar de o ser  , selo-nos para sempre num livro.

Haverá outras pessoas, claro... , tu já passaste essa fase, tem uns anos de avanço para não confiar na paixão cega e não te prenderes com o que te estava a dar demasiado trabalho.
Eu ainda não consigo...
Ás vezes é duro perceber como todos avançaram e tu és a única que permanece no mesmo sitio.
E ás vezes culpabilizo-me e penso que sou inferior... mas depois releio estas páginas  de fora para dentro, ao âmago do que isto tudo representa para mim e choro de verdadeira emoção.

Nunca antes , nunca mesmo, cresci eu tanto. Passei de uma mão cheia de teorias e a senti-las e vivê-las na prática.
Foi sempre o que eu procurei afinal, a verdade do que dói, a realidade das coisas sem que elas tenham que perder a sua beleza.
E não perdem,

Não perdem mesmo.

É isso que nos mata .





Sarah Moustafa


quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Fases da Lua #4




O céu continua tão carregado, estende um manto de veludo negro, preenche o vazio com o nada do seu tudo.
Ainda assim quando me permito olhar de perto, são as estrelas que estranhamente ainda sobressaem ,
Sussurram sobre nós por toda a parte, querem que encontre a mensagem do que é absoluto .

Foi

A música que deixaste.

A música que deixaste.

A música que ...



Deixas -te.




terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Pimenta - Rosa



Ultimamente tem sido a porcaria do supermercado.
Quero dizer, algo que é rotina , piloto automático, num instante absurdo deixou de ser.
Porquê agora?
Há quantos meses passo naquele corredor e nunca nada me atingiu, já estava mais que nesta espiral de loucura , e agora de repente, aos acasos estranhos que me acompanham, lá estás tu.
Lá estamos nós.
Outra vez e sempre de novo , gravados na memória de um objecto qualquer.
É ridículo. 
Sinto-me ridícula de parar por alguns minutos , absorvida pela prateleira dos condimentos.
Esta história de não existirem máquinas de viajar no tempo, acho que não é bem assim, acho que me estou a tornar prova viva que para além de serem reais , são elas que te escolhem a ti.
Querem que te lembres sempre mais, saibas mais, sinta mais.... Nunca têm a decência de me perguntarem se quero saber, se quer propositadamente torturar-me mais um bocadinho .
Simplesmente dão me um pontapé para esta dimensão da memória que pinga ao detalhe.
A sério, sei mais de nós agora do que na altura.
A maioria dirá rapariga sai dessa , não te agarres ao passado.
E eu reviro os olhos saturada, será que alguém pensa que entro no supermercado com vontade de fazer figura de idiota ? Com a estratégia planeada na minha cabeça?
Também gostava de me segurar a teorias bonitas no papel, que aparentemente resultam com todos.
Será que alguém sabe o que é tentares a sério esquecer, avançar e vir sempre outro tsunami inesperado, um emaranhado de vozes , caricias , sentimentos balbuciados em pequenas coisas tão simples.
De certo que sim... talvez esteja no ponto de procurar terapia de grupo, fosse eu receptiva e menos bicho solitário.
Então não te queixes.
Fico bloqueada por uns segundos enquanto revejo uma memória súbita e esteja onde estiver , não consigo evitar, fechar os olhos e deixar que ela converse comigo, ainda que me quebre e praticamente estrague o dia.
Engulo em seco com a impotência disto tudo.
Volto atenção para as especiarias tal e qual como as percorri com o olhar um dia na tua cozinha.
E ergui a sobrancelha com curiosidade e tu sorriste de volta mediante a minha ignorância e ingenuidade. Talvez aí tenha entrado o teu fantasma, ela é demasiado nova para mim.

Pimenta - Rosa ?

Afasto-me com o cesto na mão,  desaperto uns botões do casaco preciso de voltar a respirar , ainda não consigo comprá-la , talvez um dia volte simplesmente a ser o que é , e regozije com ela o sabor de uma iguaria livre.
Mas ainda não foi hoje,

E não sei quando é o dia.



P-S -  ( Mas ... o supermercado a sério??? Ah...Maldita pimenta e os floreados que lhe arranjamos )





Sarah Moustafa

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

De menina a mulher, de mulher sempre a menina.




Consegues dizer-me quantos presentes foram deixados no passado ?
Quantas pequenas coisas foram trazidas a este momento onde sem armadura, sem pele, sinto um misto de tudo, receita mágica de uma enorme dor que brinca aos ziguezagues e vai dando menção de um embrulho futuro.

Este amor maior.

Sabes, esta caminhada de menina carente a mulher empoderada , pensei que só se resolveria quando escolhesse um lado.
Quando demarcasse uma posição da figura que quero mostrar ao mundo.
COMO SE EU TIVESSE QUE SER ALGO DIFERENTE, ALGO MAIS, ALGO MELHOR, DO QUE INATAMENTE JÁ SOU.

Tola.

Quero ser sempre menina capaz de sonhar com a beleza que vê no mundo , que vê nos outros, continuar sempre alimentar um ideal de comunhão que injecta significado a tudo, não quero ter vergonha de me despir e dizer que preciso de ti.
Abraça-me.
Finge por um dia que isto chega , como nos fizeram sempre acreditar nas histórias de encantar.
Faz o conto de fadas ser real.
É real, está no meu coração.
Bombeia, expande , abre-se , que medo.... 
E aí volto a crescer segura na extensão de valor que sou portadora , não preciso de ninguém !
Não se regateia interesse , quem está está , quem não está , estivesse.
Tenho um mundo para conquistar , o cavalo pronto , desbravo terras , ajudo pessoas, sou divinamente acompanhada, tenho a minha própria voz e um furacão de mensagens promissoras para partilhar.
Não me escondo, não me envergonho, não me reduzo porque alguém não teve ..... um par de .... coragem para me escolher e todos os dias amar.
Para o diabo com isso.
Sei dar tanto prazer a mim mesma. 
Mantenho-me só, espíritos livres não se contentam.
Não se resignam .
Não se vendem !

Depois desço do pedestal e olho para todos os lados ,

Os afectos precisam de retribuição?
Preciso justificar  o que sinto apenas se sentires de volta ?

Largo daí a ideia, choro um bocadinho , ponho o meu melhor vestido e rodopio estrada a fora colhendo flores de todas as cores e feitios , umas deixam marcas ensanguentadas nas mãos, são demasiado selvagens, outras recebem-me com toda a suavidade.

Seja como for,

Vou entregá-las por toda a parte. 








domingo, 18 de dezembro de 2016

Muitos pontos, o mesmo nó



Desenlaço-me ,
Entreguei a faca e o queijo
Mas o nó permanece
Forte e seguro...
Serpente que te abraça
morde mas diz ser beijo

Não vá o diabo tecê-las ,
e estas almas penadas , querem libertar-se.

Não vais a lado nenhum.
Estas cordas foram feitas á vossa imagem.
Teimosas, obcecadas ,
Gotas de sangue apaixonadas
Não se desfazem, continua a tentar, pede ajuda !


Quando já não tiveres mais forças
Das duas uma,
Não digas que não tens opções
Usa essa corrente para te ajudar a subir a montanha
Talvez esteja lá o Santo Graal
Ou...
 Desiste, pinta o último traço

E entrega-te á forca .








Sarah Moustafa

sábado, 17 de dezembro de 2016

A morte de Ti, O Luto de Mim.



Não há forma fácil de dizer
Para que encontres a recompensa
A incrível musicalidade
Afinada na leveza completa do teu ser
Terás de carregar primeiro o peso do mundo
Terás de sentir cada osso a quebrar, cada certeza a desmoronar-se
Na maior impotência de que alguma vez serás testemunha
A incapacidade de salvares o que outrora foi teu.
A tua imagem, o teu valor, as tuas crenças,
O regaço com que tanto carinho e alento  te protegeu
Esse passado que um dia tanto foi , que um dia tanto te deu
Morre-te nas mãos, morre-te nas ausências ,nas partidas inesperadas
Nas trocas e substituições,
Nos silêncios, no grandioso momento de um terrível adeus
Dói e não há forma e receita que te vendam,
Da mais iluminada e espiritual
Há mais terrena e banal,
Onde vás encontrar um embalo ou sequer um penso rápido
Para disfarçar , para aliviar, recompensar
A agonia e desespero que subitamente invadem o teu peito
O escurecimento total dos teus dias, o desprendimento com aquilo que sempre te enriqueceu
E que conseguem no que julgas já ser um coração bastante partido,
Arranjar outro pedaço que trucidar.
Dói e não há forma real de não doer
Pois a Morte ainda que simbólica , ceifa
Aleija, corta, separa, muda e pouco mais garante
Do que a certeza de um luto, que por ela de bom grado seria eterna.
E a cada estágio que superas aumenta também o grau de dificuldade.
É interessante como a morte é uma certeza mas quando ela se abate
Queremos desistir daquilo que resta , a vida .
O desânimo e apatia tornam-se os nossos melhores amigos
Riscamos o CD incessantemente , choramos diluvios de uma Era
Repetimos o Perdão e retribuem-se memórias frescas de velhas mágoas
Há sempre formas inovadoras de expandir a ferida, pudera que ela crie raízes!
E poetize o para sempre...
Não há forma fácil de dizer
Que não há saída
Abras ou não os braços, aceites ou recuses,
Fujas ou não com o rabo á seringa
De não sentires um murro no estômago
A violenta chapada na alma,
O punhal cravado nas entranhas,

Na prova inconfessável da finitude de tudo.






Sarah Moustafa

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

A Terra parou para me receber.




Por onde vais tu?
Cuidado por onde andas,
O chão é plano os teus passos demasiado instáveis
Quem te avisa teu amigo é
Ainda não percebi porque escolheste andar?
Deram-te asas para quê?
O céu deixou de ser ambição ?
Aterras-te , sorris perversa para as mazelas deixadas neste novo corpo
Alguém que a chame a razão !
Pedes boleia a um estranho e que deliciosa familiaridade
Arrancar sem destino revestida das travessuras do desconhecido
Gosto disto, sabores do pecado, pele de recortes de cetim
E prazeres aveludados...
Amei o Paraíso , Acarinhei o Inferno
Amei -te a ti
E esqueci-me de mim.
Expulsaste -me, encontraste uma Rainha
( ahhhhhhhhhhhhhha )
Caí neste sitio estranho.
E é capaz de ter sido a melhor coisa que me aconteceu.
A soberania não me diz nada.
Quando eu sou capaz de tudo isto e sou mera humana !
Não sei por onde vou.
Ontem dei os meus primeiros passos.

Ainda agora comecei andar e já me fazes perguntas difíceis?




P.s - Encontrei esta coisa chamada de sapatos, creio mesmo que são mágicos.










Sarah Moustafa 

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Fingerprints



Gostava tanto que o tempo tivesse albergado só um pouco mais de espaço para nós.
O que está feito está, não se volta atrás.
Mas,,.
Deixas - te o abecedário a meio , não sei como resgatar a posse de um corpo que volte a ser inteiro.
Como se lê?
Só sei soletrar  a dimensão de marcas que tatuaste na minha pele.
Trémulas quase formam uma palavra e logo voltam a cair etéreas,
 Despem se em jeito de outro arrepio.

Repito-as e elas bradam que o toque da noite não se traduz , é mesmo para ser mistério.

Castigam - me,

Até que ,

De A ..............................................(....)................................................................... Z

Encontres uma história ,


Ficarás sem voz. 





Sarah Moustafa 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

A minha massa não é cinzenta


Tanta informação nada de útil .
Rasga-se jornais, desliga-se a TV, modo offline.
Tanto conhecimento, tão pouca aprendizagem
Livros poeirentos, teorias há muitas, linguagem difícil de viver na prática
E tão mas tão chata...
Adormeço abraçada á possibilidade de uma mensagem que pareça certeira
Um conselho que não me faça de imediato arranjar forma de o contrariar
Bolas 
Uma parte de mim acredita em tudo
Outra desacredita sempre mais
Bipolaridade tramada
Talvez deva escrever mais sobre este meu charme
De ser professora que não quer ensinar ninguém
Ou aluna que rejeita a sabedoria dos antepassados
Escritora sem resmas de papéis ou um único livro publicado
Leitora que percebe a trama no inicio e nunca a persegue até ao fim.
Contesta provas e as páginas da história
E ainda assim continua a  procura 
Por tudo, tudo, tudo
Sabendo que o mais provável é encontrar Nada.
Ou acabo profeta ou acabo louca.


Idealmente um pouco dos dois .






Sarah Moustafa 


sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Para sempre é muito tempo ( mas nunca o suficiente)






Quando um dia nada mais chegar,
Olha-me .
Como eu te olho .
Num ponto onde o tempo
É elíptica contínua que revolve milénios
Quantas vezes as nossas almas se cruzaram?
A chama viva do que um momento nos deu
Arde eterna... nada a consegue apagar

Quando um dia este mundo acabar
Ama-me .
Como eu te amo .
 Num lugar secreto onde a catástrofe
é bênção que nos faz transformar !
A vida velha que tem de cessar
Expande partículas de ar que se unem
E são o abraço profundo
Que a Terra tem para nos dar.

Adeus, mas estás sempre comigo seguro
Olá, volto sempre a ti ..não existe nada mais puro .


Quando um dia não souberes por onde começar
Procura-me .
Como eu te procuro .
No final por reencontrar.



Leva-nos de volta ao principio .

Estou lá .

Estarei sempre lá.





Sarah Moustafa 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Amo-te , Amo-te , Amo-te .




Continuamente acredito ainda que desespere
Na metamorfose , no desprendimento do que já não me serve
Entre entender esse processo e vivê-lo na pele...
Existe a distância de dois universos ás avessas
Eu sei que isto é para o teu melhor!
Afirma a cabeça
Dói de mais , não consigo, estou presa  a um filme de terror
Quero ficar onde estou !
Sangram as paredes atrofiadas do coração
A alma estende a ponte de encontro
Ironiza que não é uma coisa nem outra !
Mas que também só vou descobrir o que é 
Quando tiver a coragem de seguir o trilho destas pegadas
Exaspero, como? está tudo as escuras !
Professam " tem um pouco de fé "
Estou presa a um casulo de onde nunca mais renasço
Dispo peles, atravesso camadas
Estou demasiado exposta !
Esperneio, a camisa de forças aperta-me mais um pouco
Não quero, Não mereço, tirem-me daqui!
Grito, já não tenho voz
Choro, as lágrimas nunca mais secam
Os Deuses abandonaram-me
Deixaram de acreditar em mim ?
O Inferno fechou portões
Renegaram a Rainha das suas Sombras
O que é isto ?
O limbo, o purgatório?
Abro os braços ao que tenho de redimir
Fecho os olhos acedo a memórias
Em silêncio respondo com as mesmas
A esta penitência, doloroso interrogatório
Sou merecedora?
O que fiz?
O que me fizeram a mim?
Não sei o que perdoo 
Mas dizem continua a repetir,


Desculpa, Desculpa, Desculpa .

Amo-te, Amo-te, Amo-te.


Não te atrevas a desistir de ti . 







Sarah Moustafa

domingo, 4 de dezembro de 2016

Sou um pouco de tudo e pouco mais do que nada, sem rótulos sff .



Já não sei onde guardo o amontoado de frases feitas que me rodeia, os inúmeros clichés absurdos que me fazem tropeçar no passeio.
Tantos átrios de conversas ruidosas sem nada estar a ser realmente dito.
Ás vezes sinto que já não existe espaço algum sem a densidade desta poluição , as horas derretem-se nos sorrisos de pretensão,as máscaras fracturam-se por trás da cortina do meu olhar.
Afinal onde ainda é seguro respirar ?
Uma peça do puzzle permanece perdida aos tombos no vazio de um paragrafo que não acontece.
É uma esperança vã? Existe realmente encaixe ?
Algo que não se acomode ou adapte , que seja rebelde na insistência de ser absolutamente como é , sem implicar q perda devastadora de um abraço que o acolha nos dias em que a verdade da limitação física desta realidade também o abale. Sem lhe ser exigido licença e perdão .
Sem ser exigido nada.
Apenas a integridade de uma alma que se encoste noutra alma , e que isso seja tudo, mais que suficiente .
Suponho que seja esperar demais, que tudo dependa de um lado que tenhas que escolher .
Mas porquê? 
Parece um contra censo com a própria natureza.
Talvez a humanidade tenho mesmo sido feita á medida de um outro lote, um defeito de fabrico, uma experiência que correu muito mal...
Ou talvez , porque nunca me deixo de por em causa, o problema seja meu.
Os meus sentidos estejam toldados pela visão do absoluto , da beleza transcendente que existe em sermos corpos com oportunidade de saborear um pouco de tudo , sem vergonha, sem culpa.
Todos somos maus, mentirosos, traidores, fracos, manipuladores , bestas viscerais capazes de infligir dor no outro por prazer, egoístas, assassinos, deprimidos, estranhos, destruidores, negativos, tristes, perdedores, falhados, sanguessugas, invejosos, ciumentos, gozadores , bully's , azarados , corruptos , desligados de valores maiores...
Todos somos bons, generosos, capazes de abrir os braços e acolher, ouvir e compreender, beneméritos , dignos , humildes, sensíveis , emocionamo-nos com a nota musical do choro que nos trouxe a esta vida, felizes, empreendedores, espirituosos, iluminados, solidários , bem sucedidos , capazes, sonhadores, aventureiros, românticos , leais, investidos, fortes, resolvidos, genuínos, puros...
E não concordo que isto seja uma questão de escolha , com que lado te queres identificar, o herói ou o vilão? ( mas que sei eu )
Todos temos uma história para tentar justificar essa mesma escolha e porque esta força de oposição entre o bem e mal, tem sido pano de fundo para repetirmos sempre a mesma história e chama la de evolução.
Claro que se escolhermos um lado vamos atrair e ser seduzidos pelo contraste do outro.
Mas e se não escolhermos ?
Se arriscarmos a fluidez de um processo onde tudo se expressa , a coragem de assumirmos que estamos ligados á mesma matriz e que portanto a importância do que nos distingue é relativa?
Onde tem levado esta necessidade de competição , de nos fazermos valer através de resultados , de um canudo, de um status , afiliação , de quem tem os bolsos mais cheios, as camas mais preenchidas, o padrão de beleza mais vendido, o Guru mais seguido...
Todos aparentemente encontram o seu rótulo...

Tal como disse, é provável que o problema seja meu.

E a nave de volta a esta casa, nunca mais me vem buscar.



Sarah Moustafa


sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Pé ante pé, promete o Mundo.


Não sei por onde vou.
Que caminho é este sem perpetuo destino.
Onde estou?
Quando chego ?
Uma vida inteira na mesma travessia neste imenso deserto.
Para onde foram os doces intervalos de descanso ?
Porque até esses parêntesis secaram?
Estou despojada de tudo mas humildade nunca me faltou...
Faço perguntas demais, estou ciente, quando são quilómetros que tenho para andar.
Não sei de que forças são feitas as pernas e o porte alto que seguro
Quando tudo dentro de mim está derrubado.
Não sei , Não sei, Não sei.
E as dúvidas matam-me quase tanto quanto me reanimam
Uma e outra vez, um jogo cíclico que me multiplica e fere
Quantas vidas se geram no intimo de uma só mulher ?
Ás vezes estou tão exausta que juro ver a miragem da mesma
Ao fundo, para lá de um firmamento
Que vai estendendo sempre um pouco mais o seu horizonte.
Como se testasse a minha real vontade de a encontrar
Erguendo continuamente o nível de cada desafio.
Vale a pena?
Isto tudo, pela crença de um ideal?
A mera possibilidade de haver sempre mais sentido e significado ?
Maior extensão onde se prove um pouco de Céu
E se traga novas paisagens a Terra
E que pelo meio, todos os meus problemas sejam menores ?
E se não valer ?
E se a importância disto tudo for relativa ?
O que sou ?
O que ainda faço aqui ?
Quero uma casa, mas de que são feitas as raízes?
Quero o teu amor, mas como o recebo , como o dou ?
Quero o sonho da descoberta maior, mas como o encontro na realidade com esta dimensão tão pequena?
Tenho um universo de perguntas e um só planeta que gravita a volta de uma órbita indecente, o Talvez.
Vai ter de chegar,
Vai mesmo ter de chegar.
Ser cidadã de um mundo em que acredito.

O que se expande na verdade do meu coração.






Sarah Moustafa

domingo, 27 de novembro de 2016

Desculpa, não voltarei a escrever-te.




Rendo-me.
A vitória é tua.
Sou culpada, finjo-me de morta.
Desapareço, eclipso-me.
Está demasiado frio.
Não sei se sobrevivo a este Inverno.
Preciso de ir, encontrar rápido um sitio onde possa adormecer
Hiberno, não quero mais saber.
Vou esquecer o teu nome, apagar o trilho desta história
Prometo nem mais uma palavra a ti escrever
Tentei reanimar-te nas paredes desta casa
A que voltei pela esperança incandescente
Que palavras têm importância, têm poder
Que fiasco.
Desculpa, todo e qualquer incomodo
Não quis aceitar a hipótese
Que a nossa ligação não te diz nada
Sou demasiado teimosa.
Não sei aceitar as evidências menos idílicas
Era tão óbvio...
Tiveste a tua vingança, já partilhei com o mundo a minha poesia ridícula.
Quando amas alguém, deixas a pessoa ser livre, deixa-la ir
Não é assim?
Já me deixaste há tanto tempo.
Sempre me recusei a desistir.
Não consigo mais.
Rendo-me

A derrota é minha.






Sarah Moustafa

sábado, 26 de novembro de 2016

A realidade de uma história de amor.




Eu sei que te importas ( ... ) Eu sei que te adoro em absoluto.
Habitualmente, não sei de nada. 
E tu sabes muito.
Agora existem os espaços entre estas duas excepções.
Faríamos disto um bom romance ?

Premissa :
Duas personagens que se amam mas ,ainda assim, escondem uma faca atrás das costas.

E não a largam nem por nada.

Consegues imaginar, quantos leitores contestariam que não, isto não é amor ?
Consigo ver o teu sorriso irónico perante tal ideia, temos um fraco pelo que suscita polémica.
Não sei se estou preparada, tenho saudades da tua voz a guiar-me, és capaz de tudo.
Tenho mesmo saudades da tua voz.

Escreve lá o raio do livro , existe sempre mais sal para por na ferida .






Sarah Moustafa

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Boneca de Luxo



Sou nova demais, bonita demais, inteligente demais, sonhadora demais , intensa demais, misteriosa demais, insegura demais, calada demais, indecisa demais, séria demais...
Pensei que seres integral, crua , nunca fosse demais.
Afinal quanto mais se soma mais se multiplica.
Eu sempre fiz questão de ser rica.
Ainda assim não foi suficiente , o rodízio de de sabores deixou-te confuso.
Entendo.
Procuras pela conformidade , jogas pelo seguro, escolhes baunilha.
Queres menos.
A serio ?? Ok...
Deixa estar querido, esta conta pago eu.
Podes seguir caminho.
Obrigado mas dispenso.
Posso estar só mas sou completa.
E só me seduz a ambição desmedida por mais alma, sangue e fogo,
Não voltes com as tuas subtracções , as fugas evasivas acobardadas de quem não tem peito cheio para enfrentar destemido qualquer desafio.

É isso que fazes de melhor, desistir.

Não tens fundo de maneio,

És pobre demais e eu procuro pelo melhor da vida.


You could never afford me, I'm after the real stuff.







Sarah Moustafa 

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Fases da Lua #4




Entristece -me , nem todos os sonhos se cumprem.
Nunca planeei isto, nunca soube sequer que existias na dimensão dos meus ideais.
Continuo a tentar voltar ao exacto momento em que isso aconteceu, onde abriste uma porta e como eu não vi .
Porquê é que não te impedi ? Porquê é que não estava suficientemente desperta?
Porque é que não me preservei ?
E não consigo...
Agora só desejo um eclipse total no meu subconsciente.
Tenho medo de adormecer.
Não quero sonhar mais.

Eu não quero lembrar -me que foste o maior de todos.
E eles eram tantos.
Porquê ?

Porquê, tu ?







Sarah Moustafa

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Intimação




A mesa está pronta, o cenário perfeitamente decorado.
Os factos colocam-se por ordem
Os copos enchem-se , certamente não será de água ,
Uma pequena ajuda para quando a garganta seque
Esta reunião não faz sentido sem uma boa oratória
O parlapié sempre foi o teu ponto forte
Visto-me a preceito sempre tive uma queda pela imagem profissional
Nenhum de nós gosta de perder tempo,
É uma simples discussão de negócios, mantém a formalidade
Pára de olhar para mim, foca-te no alvo principal
Acho que ambos queremos o mesmo, cessação de contracto.
Quero lá saber se este não foi feito á medida das leis humanas
Somos os melhores advogados, estou certa que arranjamos algo
Uma solução manipulada ao problema da nossa imagem
Não dá para entender a tua falta de pontualidade.

Está tudo muito bem pensado e sabes que somos mesmo bons naquilo que fazemos .

Aperta a minha mão.

Let's close the deal.









Sarah Moustafa 

terça-feira, 22 de novembro de 2016

P.S - ( ... )






Tenho milhares de papéis soltos 
Quis tanto que  os lesses
Só a ti senti vontade de os mostrar, pioneiro
Confiei .
  Julguei que fosses capaz
Claro que tinham que acabar por ser cartas de amor
Agora sim , posso ser considerada poeta
Afinal só existimos numa pulsação romântica
O que é que faço com elas ?
Entrego-as ao mundo?
Escondo-as no lugar mais tenebroso e profundo?
Porque não as abres mas seguras cada envelope ?
Lacro-as, mas não confirmas mensagem recebida , 
Porquê ? Porquê? Porquê ?
Guardas -as na gaveta 
Ou em qualquer outro lado que quiseres
E segue no trilho da vida 
Eu não me importo com o final delas.
Só que precisam ser entregues.

É isso, são arranjos de palavras.

Elas só querem ser lidas.









Sarah Moustafa

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Moon Prints #2



You said you could stare at me every minute of everyday...
Hard pill to swallow, You meant it.
So why did you look away ?
A lifetime is passing by... I'm frozen on the time the moon stands
Where are your eyes ?
Do they still watch me?
I can't see them.

I can't fucking see them .




Sarah Moustafa 


domingo, 20 de novembro de 2016

Dilúvio




Quando chove eu páro.
A pausa seca lágrimas , gotas que contam a história de uma vida inteira.
É bom fechar os olhos e entregares-te ao fenómeno que te espelha, que te parece misteriosamente entender .
Albergo-me na atmosfera, desapreço por dias, acompanho-te sorrateira.
Entre sombras , nuvens carregadas onde nada é preto ou branco, tantas áreas, corredores, cruzamentos de tons cinza, textura dual, complexa mas acetinada...
Lembras-te da sensação do toque de duas mãos magoadas?
A água entranhada aos ossos, leito de um rio que corre pelo corpo abaixo.
Quero dançar debaixo dela provar do milagre destas águas , consegues sentir o mesmo gosto ?
Lábios gretados de tanto sal.
É tudo meu, é tudo para ti .
Oh... sabe bem parar e deixar a natureza espalhar a poesia do meu pranto.

E há tanto, mas tanto, para contar.

Talvez de nós escrevam outro evento de proporções bíblicas.







Sarah Moustafa

sábado, 19 de novembro de 2016

É tão frágil, porque é que não se parte ?




Entreguei-te a Deus e tu atiraste- me ao mar
Não há mais nada a fazer 
Porque é que continuam milagres , com o nosso nome , do céu a chover  ?
Como permanecem neste imenso oceano os nossos vestígios , sem parte alguma naufragar ?
Por favor, leva isto tudo, faz com que tudo desapareça.
Tens uma mão cheia de problemas e para todos encontras uma saída, uma oportunidade, a solução!
Menos este , menos este, menos este.
Não é justo ( meu bem a vida nunca é )
Nem forças acima ou abaixo nos resolvem .
Porque não existe nada mais forte e inflexível que nós.
É absolutamente terrível.
Tu esfaqueaste-me, mais vezes , do que consigo contar e eu abandonei-te , deixei-te a mercê, sem quaisquer mantimentos com que pudesses sobreviver.
Não voltei atrás e tu nunca me pediste para ficar.
Então... não podemos contar com o tempo, a lei da vida e da morte, ou o apoio da mãe natureza.
Quão mais resistente isto consegue ser?

Como é que matamos isto ?

Mergulha , estou algures cá em baixo.



Ajuda-me e eu abraço-te.




Sarah Moustafa

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Finito.


São efémeros os dias de recordação , envolvem-me num remoinho doce 
A brisa intempestiva que nos abraça mas não nos deixa tocar
Que nos segura de embalo sem nada cantar
Vão e vêm , peões trocam de lugar  mas não acertam , 
Não percebem o que está em jogo , não lêem as regras , não mudam a sorte
Está bem... aceito, somos corpos em decomposição
Nada permanece do que foi concreto , estamos a a sete palmos debaixo de terra
Eu fechei o teu caixão.
Leste a linha inscrita na palma da minha mão , não me chegaste a contar o que dizia
Era assim tão mau ?
Maldita sina.
As saudades são areia movediça que me impedem de dar novos passos
Estou a tentar ainda assim dá los, convenço-me que estás feliz
É melhor não acordar os mortos.
Então porque me vieste visitar ?  Denunciaste a tua presença
Os passos cuidadosos quando volto costas
E paro com um arrepio na espinha
Um grito feroz
Sei o que sentes , és parte de mim
Almas malditas que se reconhecem em qualquer espaço ou tempo
Telepatia ?
Aproximaste -te , desculpa mas não fui capaz de me voltar
Não és real, Não és real, Não és real
Engoli em seco.
Fuck... a tua voz...

Só um minuto, deixa-me ficar aqui.





Sarah Moustafa

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Não , não tem piada.



Respira fundo, conta até já não existirem números, vá lá tu consegues, sempre foste eximia a inventar formas de extrapolar o que aparentemente tem limite.
Usa alguma das tuas magnificas teorias, são tantas, alguma terá de funcionar.
Estás de olhos abertos, fisicamente presente, espírito para onde te evadiste ?
Piloto automático?  O quê? Sem condutor?
Veste as roupas do avesso, calça sapatos ao contrário e agora anda...
Estou profundamente desagradada , seja com que isto for, nunca gostei de circo , ou fã de trapalhadas que se resolvem com humor.
Dispenso comédias , adolescência retardada sobretudo com quem tem o dobro e triplo da minha idade .
Para o diabo com , os pais sabem o que dizem e só querem o teu melhor, ou grandes mestres e professores que partilham conhecimento repetitivo e formatado de geração em geração e dizem ser transportadores da luz e salvação, hey estou com o dedo no ar há uma vida posso falar ?
E tu , meu amor leva os 45 anos e faz um update ao sistema, algo de muito errado ai se passou , és só mais um deles, que continua a correr em círculos atrás das saias de alguém que te salve e te faça melhor .
Não sou perfeita, ninguém é perfeito, mas também não me vendo sendo mais do que aquilo que sou, não magoo porque não sei crescer á imagem da minha responsabilidade.
Sabes tipo limpo a minha própria m****.

uggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggh

Calem-se todos.

Não suporto mais este recreio. 







Sarah Moustafa 

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

1 + 1 = 2



Não há nada que não consigas fazer sozinha , o amor próprio sustenta e é chave para a tua verdadeira felicidade, todos nós nascemos e morremos singulares num ponto de interrogação isolado, o que estamos aqui a fazer?
Mas ...
As parelhas, a soma, a dupla  ( holly partner's in crime ) a dança, os pratos desalinhados desta balança,  o ponto e virgula, preenchem um pouco desse nada com um grande tudo.

Não é que seja preciso, que seja necessário, não é uma questão de dependência, não é uma muleta carente, uma projecção de mommy and daddy issues, é simplesmente ... uma sobremesa que torna toda a refeição mais especial , um semelhante á tua imagem que torna isto de ser humano menos estranho, afinal há outros por ai como eu, a estrela no topo de uma árvore natal que já brilhava sozinha, o guia de viagem que te aponta para direcções e paisagens que nunca terias , tão distraído, visto.

Dizem me que vejo pessoas como jóias mas que nem todas valem esse apreço.
Talvez seja verdade mas também talvez nunca ninguém lhes tenha dito que elas têm valor , que elas reluzem mesmo quando estão baças , talvez elas nunca tenham tido casa...oportunidades e meios para superarem profundos traumas e desafios, talvez nunca tenham sido acolhidas, nunca lhes tenha sido uma mão estendida sem julgamento ou á espera de algo em troca .
Talvez nunca ninguém lhes tenha dito, tu estás bem como és, podes largar as malas , a bagagem tão pesada e dormir aqui.
Podes ficar, podes ser, podes vencer...

Eu vejo a ferida de onde sangras e é ai imediatamente que vou mexer, alguns odeiam e contorcem-se de medo outros adoram e continuam a voltar por mais.

Desculpem pela inconveniência e maus modos.

As vezes não consigo estar parada , ver um problema por resolver e não fazer nada.



Estou a aprender a pedir licença.




Sarah Moustafa

domingo, 13 de novembro de 2016

Pegadas Lunares



Um momento de pausa, uma reflexão ponderada
Um minuto de silencio por tudo o que foi perdido, a ampulheta roda e soterrou-te no tempo.
Um minuto de gratidão  por tudo o que inesperadamente foi ganho, tornados são violentos mas deixam de pé apenas a verdade do sentimento.
Estou em desalinho com isto, já está? já foi embora? já acabou?
Não dói mais? Já se transformou? Já se desapegou?
O meu trabalho ficou feito ?
Vozes, guias, mestres endiabrados , remetam-se por uns dias ao silêncio.
A lua está cheia quero namorar com ela, suspendam as dúvidas no ar , façam delas algo útil, uma nova constelação? Um brilhante caminho de estrelas?
Não tenho que pedir desculpas porque quero parar ( acho? ) ( devo ? ) ( mereço ? ), ou porque tenho saudades de adormecer de real cansaço de um dia bom, pleno e cheio, de um dia em que acho que sei o que é isto de viver.
Talvez volte a entrega aos meus sonhos idílicos, consiga voltar a interpretar planetas e seguir na órbita rumo ao fantástico, obras perfeitas inscritas nas minhas mãos.
Apelo ausência momentânea de tudo que não é poético ou belo!
Deixa estar o sono de descanso do guerreiro ou encantamento da bela que se sente adormecida.
Quem somos nós para ditar quando estes devem acordar?
Tiro os sapatos e a roupa que bem sabe andar descalça entrar no oceano onde o corpo flui e a companhia é só este reflexo lunar.
Será o banho cósmico que me irá ajudar a renovar, será este momento pelo qual tanto que tive de lutar?
Não importa, o mar e a imaginação não tem interesses pessoais, são para desfrute e comunhão.
Não era amor que querias?

Aproveita , é momentâneo, e o que somos senão momentos entre um mundo de guerra e um mundo de paz?





Moon Prints #1



You pull the strings and I play along

But...

Darlin' Darlin' , 

How  would you walk this earth without my song ?






Sarah Moustafa 

sábado, 12 de novembro de 2016

Sem- abrigo




Já não me importa para onde vou daqui em diante, que planos traçar, que palavras cuidadosamente arranjar.
As listas, as tarefas, as penalizações , a fotografia mais bonita de um retrato que nunca foi meu.
Não há tréguas, a paz é forma distorcida e manipuladora de outro ângulo da perversão!
Entrego os recursos que tenho, pago as minhas dividas e esvazio tudo o que existe dentro desta casa.
Não consigo olhar para mais nada que ainda aqui está.
Rasgo em violentos impulsos este papel de parede, onde tantas vezes nos encostamos, tem o vulto das nossas silhuetas por toda a parte e o bom gosto que denuncia a forma como dois corpos também criam arte.
Não quero mais saber da classe , todo este tempo... e o poder esteve sempre nas minhas mãos, Esmago com as mesmas os cacos daquilo que fingiste não partir, fingiste tão bem com a tua voz melodiosa,  eu vou só ali...
Claro que nunca mais voltaste, deixaste-me sozinha na bela mansão, sabias que sem ti toda ela iria definhar, tentei, tentei mesmo a sério preservar tudo... mas há tanto que um mero mortal possa fazer contra forças do mundo sobrenatural.
Permaneceu este templo assombrado onde ninguém ousa entrar onde, até então, eu jamais poderia sair.
Eu nunca acreditei em nuncas , essa é a minha benção e a minha maldição, quem é que dita o que posso ou não fazer ?
E então se fores o homem da minha vida ?
E então se me deixaste aqui a morrer enquanto seguiste divertido para a tua próxima aventura?
E então se não me pedes desculpa ou dás qualquer tipo de explicação ?
E então se nos perdemos para sempre e tudo foi em vão ?
Vai para o raio que te parta e leva todos os apetrechos que aqui ficaram.
Estou a regar gasolina em tudo e tenho um fosforo aceso na mão.
Sempre acreditaste que eu era parte de um fenómeno raro da natureza.
Guess what ?
Estavas certo.
Apenas a antecipação de largar esta pequena chama e ver tudo , enfim, arder deixa-me em êxtase,orgasmo redentor de liberdade !
O fim está finalmente próximo .
Posso ficar sem tecto, andar milhas neste longo e desconhecido trajecto, posso passar frio, fome, ser vitima de qualquer horrendo crime.
Não tenho nada e por isso nada tenho a perder.

Mas o mundo agora é meu.








Sarah Moustafa 

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

A graça da nossa morte



Talvez eu seja a única que permanece agarrada a uma chama extinta, talvez regue flores mortas e queira acreditar que lhes posso mudar o destino.
Devia era por me andar e seguir para Norte, ao pico mais alto que neste mundo existir e lá sozinha para sempre, residir.
Longe de memórias, de pessoas, de circunstâncias vãs, tantas horas roubadas e oportunidades desperdiçadas.
Talvez um homem possa ser uma ilha só e viver apenas de si e para si, sem distracções, sem partidas injustificadas, mortes impotentes nos seus braços , assistir a um mundo inteiro a ruir e sentir exaustivamente que é tão pequeno, e que nada pode ser feito !
Aqui em baixo na Terra concreta é o Golias quem vence.
Talvez devesse ser cobarde, isolar-me para sempre e por completo, porque se calhar tudo em que acredito são sonhos desfeitos em papel e contos de encantar á beira da cama da menina que nunca fui.
Devia doar tudo , arrancar de uma vez todos os apegos , ainda que implique deixar de ser EU.
Que importa quem sou? Quem fui ou irei Ser ?
Que importa que tenhas desistido e o meu coração permaneça partido, coitadinha de ti...
Que importa que o amor seja real, se não foi essa a escolha e a consequência é este fim.
Atiro tudo os céus, entrego-te a Deus.

Vou partir mas ... se algumas das flores voltar a vida, grita á tua volta como foi ver um milagre nascer.
Não deixes outras almas abdicarem da fé no outro, em prol de si mesmos e dos espaços que deixaram incompletos.
Dá a tantos quanto possas a prova do que não chegarei a ver,


Era só isso este tempo todo, uma pequena prova.







Sarah Moustafa 


Arritmias #32



Sei que estás preso ás conversas mudas entre a tua consciência e a tua poltrona.
Mas ...
Não importa , a coroa que sustinha o teu reinado já tombou há muito tempo.
Veio cair aos meus pés , é isso que te transtorna  ?


Acaba lá com os debates morais , não estão nada adequados a ti.
Não te ficam bem.

E eu gosto de te ver vestido, como deve ser.






Sarah Moustafa 

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Um pouco de dó, nenhuma piedade .




Vá lá, confessa-te
O mesmo que te fazia num segundo aumentar de tamanho
Logo de seguida fazia -te recolher numa figura tão pequena
Diminuída á vulnerabilidade das tuas verdadeiras carências
Dos teus , não tão secretos , desejos
Pensaste que serias menos homem ?
Tremeste, correste em círculos e acabaste de onde tentaste fugir
A teia voraz desta dependência

Vá lá, para quê tanta penitência?
Nós sempre fomos fiéis devotos á mesma bíblia
Não estás a seguir os mandamentos
Estás a conformar-te , pequenas doses, potenciais entradas gourmet
Mas tu és velha guarda, só ficas bem com desafios maiores que tu
Precisas da refeição toda

Vá lá , exorciza-te
A insatisfação crónica de apetites não colmatados
Deixam-te doente, estás a arder em febre
E depois sou eu a diabólica
Está bem, continua.. procura por mim mais um bocadinho.
Eu gosto de brincar ao quarto escuro.

Vá lá, que culpa tenho eu ?
De achares que encontras o segredo do universo ( entre as minhas pernas )
Golpe baixo,  demasiado sujo ?
Não é este o verdadeiro reflexo? 
Estás confuso ? 
Não existem verdades absolutas, mas algumas são eternas 

Eu não te acuso dos meus pecados.
Garante-me a mesma cortesia.
Já há muito tempo que me pus de joelhos e rendi.
O Diabo não é misericordioso.
Amén.

É por isso que o adoramos.






Sarah Moustafa