domingo, 18 de junho de 2017

Fazer malas



São grandiosas as descobertas
que o mundo novo me traz
Preparo-me para ele.
Ainda não sei como partir,
Carregada desta bagagem a que chamei amor .
Mas preparo-me...
Compro tudo que me mude
e ao mesmo tempo devolva a quem fui ,
Tenho medo dos novos olhos que me irão adorar .
Mas é esta a tela em branco ,
terra prometida ,
um vislumbre ,
através do véu
que me resta.

O mundo dá voltas e deixei me ser globo nas tuas mãos.

Mas não me acompanhaste na viagem ,
E um globo não tem propósito parado.





Sarah Moustafa

quinta-feira, 15 de junho de 2017

SOS




O mar e as suas ondulantes promessas,
envolvendo-me nas idas e voltas ,
Maré cheia, Maré vazia
ajuda.
A lágrima salgada cai do milagres da existência
beija-me o lábio, e com a ponta da língua
guardo-a para dentro
ajuda.
A música ...teclas do mais melodioso piano,
abrem portas seladas nos cantos mais obscuros
do meu coração ,
ajuda .
Sou um diário ou uma mulher?
Capaz ou necessitada?
As memórias são a única impressão digital.
que nos deixo.
Uma tela de cinema que nunca pára
se estrear ,
deixo a vida escolher o fim.
Mas seguro-me ao inicio.
Ajuda.
Escrevo outra carta ,
e ás vezes faltam palavras
ficam as letras sem sentido
Arranjadas sem nexo,
Senão aquele de me libertar.
Quem diria que dói tanto
escrever como não o fazer ?
Aí .
Nada ...Nada,
Ajuda.





Sarah Moustafa


terça-feira, 13 de junho de 2017

A menina não dança ?




Houve o tempo ,
dos teus olhos pregados aos meus ,
um longo e delicioso dialogo 
no mais inocente silêncio.
E eu era uma menina linda,
e rodopiava no eixo das minhas 
coloridas saias
e acreditava que a perfeição
estava ali.
Na minha dança
E no Homem que me olhava .
E que me quereria continuar a olhar ...
ainda que andássemos sempre a roda 
e tropeçássemos nos pés um do outro ,
Até o fim do tempo
Onde já não existiriam olhos
e eu perdoaria já não estarem ,
Declamaria a mais bela poesia
e falaria de ti
e como eles nunca se desviaram ,
como nunca hesitaram .
Mas a menina já não dança,
cresce demasiado devagar ,
fechada dentro de uma ampulheta
que lhe trocou todas as voltas.

Agora não se sabe vestir,
e os pés permanecem ancorados em terra.

A realidade é essa.




Sarah Moustafa






sábado, 10 de junho de 2017

Arritmias #47



Dever ser mesmo chato.
Procurar-me 
incessantemente
em todos 
(...)
os lugares
e todos serem os errados.
não desafogares
a fome da alma 
Planta carnívora , 
devoradora ,
espanta - espiritos
hum...
gula dos píncaros.

Deve ser mesmo chato ,

escolheres entre a lei seca e a sopa dos pobres.









Sarah Moustafa

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Opostos.





Esta noite a lua está cheia.
Tão cheia como nós.
Abarrotados da falta
 e da necessidade
do que não compreendemos .

Esta noite ilumina-se
 o encontro,unimos as peças
encaixamos um no outro
ligamos a vida e a morte .

Somos atirados
ao mais visceral
e velado núcleo,

E a profecia se cumprirá .
O Yin do seu Yang.

O equilíbrio será reposto .








Sarah Moustafa

Fases da Lua #9




Dizem que ainda dou colo a tantos sonhos de menina.
Como se alguma forma eles permanecessem intocados, apesar de tudo o que me aconteceu.
Como se o oceano de lágrimas chorado tivesse criado um lago encantado ,
onde os papéis nunca se desfazem e os cisnes tão brancos deslizam vaidosos,
com a beleza e graça que retiram da minha éterea forma .
E os meus dedos escorregam nas águas que verti, querendo dançar em círculos, cada palavra
desenha, um eco entre o que foi, o que é e o que será .
Uma mensagem doce , suave ... algodão feito de nuvens, tecido que cai aos meus pés .
Os anjos querem-me vestir.
E de tantos sonhos foste aquele que de mais perto se chegou.
Olho para ti nesta água que transborda , meio distorcido... ainda tão sorridente , tão bonito para mim...
E deixo que a corrente da memória te guarde assim.
Podemos conversar aqui , numa qualquer noite próxima de um Sonho de Verão , e enamorarmo-nos,
como se fossemos os primeiros a descobrir o enlace romântico e o íman que atrai dois corpos.
E depois quando acordo para a realidade , aceito que não és e não estás.
Mas levo-te com a ternura toda como se fosses , como se estivesses.

Porque eu escolho o amor.




quinta-feira, 8 de junho de 2017

Arritmias #46



De verdade,
Ainda nos vemos todos os dias.
Na rotina,
em frente a este espelho.
Quando tiramos a maquilhagem .

E a pele de frente ao reflexo
do seu avesso.
verdade & mentira

enfim respira .








































Sarah Moustafa

Error .




És um mundo que se expande
no poder das minhas mãos.
Talvez me ensines
sobre o que sempre deveria ter sido .
Mas adormeceste nas minhas palmas ,
e o mesmo vislumbre de grandiosidade ,
desapareceu ,como um feitiço que acaba á meia-noite,
e fizeste-me sentir tão pequena ,
tão inútil e mais uma da raça comum.
E agora recuperar os estilhaços de luz ,
que te entreguei,
parece missão impossível .
Como se tudo em mim se segurasse
na chama do teu interesse ,
Deve ser coisa de Balanças
E quando cerraste as pálpebras ,
eu em pânico tentei reanimar-te
e não os voltaste abrir , esses olhos que ...
A noite escura da alma veio no teu lugar,
querendo-me instruir nos mistérios da vida.
Excepto o teu.
O teu ...
Nem o Universo sabe justificar o que aconteceu .
Se calhar foi um daqueles erros de sistema,
E fomos apanhados no meio de um "sem querer " ,
não era suposto....
não podia ser .
Mas foi .
As minhas mãos são berço
da nossa tragédia .

Olha para mim




Sarah Moustafa



quarta-feira, 7 de junho de 2017

anormal .



não sei de que melodia
 se fazem as canções de amor
mas sinto -a ,
invade sem licença a minha garganta
e de repente quero dar-lhe voz,
fujam.
Eu desafino, e o rouxinol não me convida
á graciosidade das manhãs
Mas canto,
invento mais uns poemas ,
costurados de memórias e imaginação
Encolho os ombros
e já estou a filosofar ,
Sobre o sentido e propósito ,
das coisas, porque me apetece
e sabe bem apetecer algo,
quando me sinto esfomeada
 não sei bem há quantos anos.
Afinal os meus olhos sempre se esbugalharam ,
de medos e porquês ,
peças incompletas e ferramentas inúteis ,
mas ainda assim ,
aqui me disponho ,
fabulosa
nos braços da anormalidade
tenho um coração doidivanas
e este eterno quebra cabeças
que não sei resolver.
Submissa apenas aos meus próprios pés ,
e eles caminham de passos trocados
seja como for,
e lá vou assobiar ,
de encontro á descoberta
diária de como viver
em verdade ,
eu e a minha música.
eu a minha música.
eu a minha música.

sempre a canta-la sozinha ...






                                                                    Sarah Moustafa


segunda-feira, 5 de junho de 2017

Arritmias #45



Desfolha-me com cuidado , como se eu fosse a página mais
frágil e preciosa da tua história.
E depois não te acanhes.

Lê- me de voz bem alta  ,

dá-nos vida. (ou cabo dela...)

Vamos fazer um filho, escrever um livro  ou outra coisa qualquer .

Vamos...





Sarah Moustafa

Sinais .



Naquele dia o céu tinha uma cor estranha , como se o hábito de te procurar de uma forma absoluta , pudesse mudar o toque de Deus.
E pudéssemos nós , meros mortais , pintar a tela das nossas vidas da forma como o tempo nos quis ensinar . 
Complexas ramificações são estas de uma arte emaranhada , cordas em que dançam as almas dos malditos , que já desfeitos em pó ... ainda sobrevivem na procura desenfreada por um amor diferente . Um amor tão maior... que mude sim a cor dos céus e toda a órbita da Terra .
Um amor que seja todo ele um cataclismo imperdoável .
Estávamos tão absortos na imensidão , que tal prenuncio nos passou ao lado . 
Devíamos ter olhado para cima ...





domingo, 4 de junho de 2017

Como uma praga ou um milagre.



Ambiciono que todos
se questionem ,
Quem és tu ,
e o que raio fizeste comigo,
para me levares a este ponto
de florescimento tão improvável ,
Quero que tenhas dúvidas se és tu ,
se escrevo mesmo sobre ti ,
ou outro alguém ,
E que fiques doido
por tal receio existir ,
Quero distribuir por todos os cantos,
a mensagem onde está a tua essência ,
e montar o puzzle do teu rosto
e que sintas que não tens paz
ou privacidade ,
e que te revoltes porque ainda
te consigo impressionar,
porque não envelheço
e também não deixo
que o tempo te leve .
Estarei tão longe ,
ainda a assombrar os teus sonhos
com a verdade da paixão
mais honesta ,
que alguma vez encontrarás.
de dentro para fora,
sobrevivente de guerra,
vou envergonhar
todas as histórias de amor,
que antecedem a nossa ,
e o Mundo inteiro
meu querido ,
falará de nós.






Sarah Moustafa 





sábado, 3 de junho de 2017

Arritmias #44



Como é possível,
ter tantos super-poderes  ,
Sacerdotisa ,
escondida nas mais simples vestes...
E nenhum deles ,
ser o certo para chegar e preencher-te
trespassar as muralhas,
fundir as almas, as peles
Ou ter efeito de encantamento irresistível ,
como aqui deixaste , milhares de feitiços
a respirarem em mim ,

Porque sou tanto mas não o suficiente ?





Sarah Moustafa

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Odisseia



Promete que quando voltares ,
vamos viajar
De Norte a Sul ,
Passar por todos os Continentes,
Desfrutar de todas as ilhas ,
Navegar todos os mares
Que não deixaremos nenhum espaço
sem marca ou por explorar
Que nos vamos perder,
só para para nos encontrarmos no mundo ,
outra vez,
Promete ,
Que não existirão fronteiras ,
nem impossibilidades.
Que cumpriremos tantos desejos,
da nossa bucket list,
enquanto existir ar para respirar,
chão para caminhar
e fogo para acreditar !
Promete que nem a morte
pode mudar o trajecto desta aventura,
Que viajaremos sempre juntos
senão em Terra de volta ao Éter.
Promete.
Que ainda temos Vida.





Sarah Moustafa

Embrulho



Sou um problema com pernas.
Complicadinha.
Uma insónia permanente ,
Sabor a sede ,
Sal na tua pele ressequida,
cinzas que se desfazem na tua boca,
Licor que destrói as tuas
cordas vocais.
O perfume que intoxica ,
O prenuncio da calma
que antecede a tempestade.
O meu nome
E a roleta russa ,
cabeça , coração
A beira do precipício ,
A mancha na tua alma,
O teu Karma ,
A tua Cruz
A bofetada quando
procuras por um beijo.
Serpente que desliza
pelo teu corpo
E se te envenena ,
Ou Cura,
Vai depender do dia ,
As vezes pecado,
As vezes benção .
Sempre um pouco dos dois.
E de pensar,
Que no meio de tanta mulher,
Estendes me e vasculhas ,
Aprecias
Um caso de estudo ,
sempre incompleto
Desembrulhas -me só para descobrir
Um novo presente no fundo da caixa
Camada atrás de Camada.

Confessa,

Sou tanto as pernas como o teu problema,

Favorito .






Sarah Moustafa 

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Perdão .



Lamento tudo
o que aconteceu connosco,
sem me arrepender de nada.
Lamento os desencontros,
os mal entendidos ,
todas e quaisquer mentiras .
Lamento as ausências,
as intermitências,
as indecisões ,
a dependência absurda de ti ,
e o que sem licença despertei .
O que nos tornamos ?
Lamento as fugas ,
as guerrilhas sem fim ,
Lamento as feridas que abrimos.
Os dias longos de Inverno ,
A cama vazia
As reticências, O silêncio
As projecções
As trocas e substituições.
Lamento ,
que não alcances
que não entregues
que não ajudes
que não queiras
Lamento que não me suportes,
Os meus poemas lamechas ,
As saudades engolidas
Tão fundas e indecentes ,
sem meio de serem devolvidas
Lamento que me odeies tanto,
por tanto gostar de ti.
Entendo .
Lamento por nós os dois.
Perdoo.
Sem prova ou razão
Entre a ponte da minha e tua verdade.
Talvez um dia,
Elas se encontrem,
Por aí perdidas ,
Crianças soltas
De corações gigantes,
Tão leves
Nos braços onde
qualquer coisa se cura.
E percebam que nada lá atrás importa,
quando ainda tem o agora.
Enquanto há vida há tempo,
E Cronos é nosso Pai.
E o tempo é tudo que nos resta .

P.s - Qualquer dia, Qualquer hora .
Hoje, Amanhã... Sempre .




Sarah Moustafa