domingo, 30 de abril de 2017

Fases da Lua #6




Navego em ti,
multiplico me em frágeis barcos de papel. 
Talvez um deles chegue a bom porto , 
não se desfaça todo nas chuvadas torrenciais,
e no desatino de existir contigo , mas sem ti . 
Talvez uma das mensagens seja lida . 
Chegue a tempo.
E eu seja tudo o que sempre esperaste descobrir .
Talvez sejas endiabrado pirata e a nossa história 
o vento que ruma a favor da mudança, 
o pote de ouro no fim do arco íris . 
Ou talvez seja apenas tempestade e naufrágio .
Morte certa , o fim ...





sábado, 29 de abril de 2017

Maldição



Deves odiar mesmo o gosto que te deixei ,
a mudança de hálito ,
de convicção,
de apetite,
ou a vitória amarga,
de uma derrota que será sempre tua.
Porque ganhas com a minha partida,
a fragilidade que expõe
a estranha mulher em que me tornei.
porque pisas em cima
do que eu passo dias a tentar oferecer-te.
e nunca nada está bem...
Ganhas a fotografia de família feliz,
mas não és feliz.
eu fico destroçada,
porque não dás oportunidade,
a nossa mútua paz.
( ainda achas que é só tua )
Mas perdes em absoluto.
Nunca mais me vais ver,
sabendo que eu tentei,
e o teu arrependimento
serão rugas vincadas,
no envelhecimento do teu espírito ,
na impotência do teu desejo,
de enfrentares a sombra,
que não criei ,
amei,
amei,
amei,
Deves odiar mesmo ,
o sabor que deixei
a ti mesmo ,
amaldiçoar o dia,
que cedeste a tentação ,
e quiseste ter mais olhos que barriga.
Porque seria sempre demais,
inadequada,
bem f**** mas desregrada ,
porque não me saberias amar, fora da linha.
porque não terias tempo para esperar,
porque só tu tens uma vida,
e os afectos um cronometro
seria uma inconveniência,
ou porque não terias um bom par deles,
para olhares ,
para a perdição da minha presença,
e dizeres , não dá.
ódio,
de ti mesmo ,
chacina a imagem do meu fantasma ,
e confunde-o contigo,
dá-lhe o meu nome.
faz tudo que te deixar bem
guardado na redoma do medo.

perdeste. perdeste . perdeste.
perdeste.perdeste,perdeste,

Eu era a maricas mas escolhi
arrombar portas ,
da verdade do nosso amor,
mesmo para na recta final,
descobrir que se calhar ,
é só meu.

Humedeço os lábios,
a minha língua não se enrola,
e a vontade não mente.

ganhei.




Sarah Moustafa 

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Fases da Lua #5




Foste Sol gigante e eu sempre inquieta Lua .
estás em todo o lado, luz que me guia tanto como me queima , 
estou no teu quarto e as noites não te sossegam , 
e os meus braços invisíveis albergam-te para poderes adormecer . 
E os nossos mundos opostos colidem num olhar distante e culpado,
lamentando o horizonte que não explorámos . 
Onde éramos tudo , onde seríamos tudo 
e o infinito saberia que o tempo , a morte e o medo 
seriam apenas mentiras contadas para não descobrirmos 
a magia nas minhas e tuas mãos .
Agora o astro rei arde na palma da mesma .
 Castiga tanto como ensina.
E o mistério lunar desce de encontro aos uivos de um homem transfigurado que já não sabe de si ,
nem de como voltar para a amar.

Nós vivemos no presente ... Mas nunca no agora.





Sarah Moustafa 

sábado, 22 de abril de 2017

sim, não, sim, não , sim, não, sim , não .





Ter-te ia dito mais cedo que sim ,
se soubesse,
que passarias o resto dos teus dias em negação ,
pensaria minuto a minuto,
em diferentes e estranhas formas ,
de afirmar a plenos pulmões ,
que seria ( tua ) musa,
multifacetada, até aprenderia a cozinhar
e tu o (meu ) semi-deus .
sim semi, porque não suportaria que abdicasses
da tua deliciosa humanidade ,
que de vez em quando te faria cair de joelhos,
agarrado ao altar da minha compreensão,
bolas falhei, e ela ainda me quer
e eu me ajoelharia ao teu nível,
e morderia o lábio,
num misto de ternura e perversão
Só te quero ainda mais,
de todas e quaisquer formas,
falhado, vencedor,
homem, menino,
desertor, patriota
gentil ou monstruoso,
t-o-d-a-s
murmuraria, sentido a pulsão
do teu desejo, tomar posse
ainda antes de me mostrares
onde deveriamos deixar
marcas
por todos os cantos de casa,
porque serias fonte
eu eu alimento,
e choraria, sim
gritaria, sim
gargalhava , sim
gemeria, sim
e as tuas inseguranças ,
e os meus medos
seriam nada
criaríamos
o nosso big bang
um universo de possibilidades
infinitas,
explodindo intensas
Imensas !
tanta vida
a cada segundo ,
que a fé e o fogo .
fossem os únicos fios condutores
desta história,
tão diabólica,
como divina.
Fecha-me os olhos,
rebenta-me o resto
do coração ,
diz-me , não .
beija-me, não,
empurra-me, não
mente-me, não
morde-me, não
escreve-me, não.
e da discórdia,
descobre -se a fricção,
e da fricção nasce uma faisca,
e da faisca,
ressurgimos fogo,
e
alastramos incêndios .

por todo o lado.




Sarah Moustafa





terça-feira, 18 de abril de 2017

Peças únicas





E porque se um dia a canção deixar de ecoar,
trarei o silêncio da melodia do amor com que sonhei,
escondida na impenetrável barreira
que se recusa á desistência,
de usar o coração como bússola,
dar as mãos que oferecem  magia,
e olhar quem quer que seja que se ponha minha frente,
conduzindo-os á perturbadora luz ,
da fonte que se esqueceram de beber ,
deixo um bilhete ,
outras vezes um beijo,
E cedo de novo aos versos do meu inconsciente,
" Porquê? Eles nunca estiveram lá para mim "
Caem lágrimas douradas,
e um novo sorriso se encontra,
estrelas que caem de madrugada ,
e se alojam esperançosas no teu peito,
" Porque são tolos os que de deixam mal ,
e eles jamais se esquecerão de ti "
O retorno é mel,
 E através disso, deixo a minha obra ,
suave profunda marca,
O incrível , o 1%
 que não se dizima em parte nenhuma,
ou de jeito algum.

Canta e bem alto .



sábado, 15 de abril de 2017

Let Go.


um eco,
um grito aflito,
uma ponte ,
que se desfaz,
e consigo leva
a possibilidade
de existência de dois mundos .
O passado e o futuro,
rendem-se.
acabou.
sonhos agora,
só os podemos encontrar
no presente.
nesse espaço de tempo,
onde já não somos ,
o que almejamos ser,
temos de crescer,
evoluir,
desenvolver...
pacificados ,
com a derrota de não existirmos.
apago o que posso,
que me lembra de ti,
e da agonia ,
de não te poder ter aqui.
Medito e empurro-te para longe,
os teus olhos rasos de água,
pedem desculpa,
enquanto também viras costas
e segues o caminho oposto.
luto com a gravidade,
e dou passos de olhos fechados,
guiada pelo que me resta,
a possibilidade do desconhecido ,
não os posso abrir,
não tenho a tua coragem.
a nossa história começa
e acaba sempre,
no mesmo ponto de desencontro.
E dizem,
vai sempre doer um bocadinho,
mas és pérola de uma ostra,
magoada,
sempre fiel á visão
de amor maior.
E este,
eleva-te ao mundo
dos deuses.
 Mostrando como és ,

especial.





Sarah Moustafa


quarta-feira, 12 de abril de 2017

O que os olhos não vêem...



Desde que partiste ,
todos os dias são um enterro .
Sofro de um tipo de viuvez particular,
não só por mim,
mas por ti também.
Ambos desfalecemos  ,
todos os dias fechamos os olhos
esperando que estes não se abram ,
esperando não ver memórias
tão detalhadas , actuarem no nosso presente
Trazendo a tua voz , a tua gargalhada
Trazendo-te o meu cheiro, o meu sabor
A forma de encaixe perfeita
de dois mundos virados ao contrário,
que durante um acidente de percurso ,
se encontram, fundiram , descobriram
dentro de um parêntesis fomos reticências ,
encontramos abrigo,
refugio nos teus braços seguros
e no meu regaço quente.
a brevidade de um momento,
mudou tudo para sempre.
ás vezes a ferida distrai-se
afinal o que arde cura
exponho a minha
escondes a tua.
e o mais provável
é estarmos ambos errados.
Uma borboleta estranha ,
pousou-me na mão ,
queria explicar a teoria do caos
mandei-a embora,
oiço os teus gritos de raiva ,
de dor ,
de quem não se permite senti-la.
a asfixia de quem não
consegue arranjar coragem de
respirar verdade.
o peso de uma culpa estúpida,
mascarada de uma imperial
teimosia .
conheço esse orgulho,
sorrio.
consegue ser tão tirano como
o meu.
a perda foi mútua ,
porque eu tenho que preparar o teu funeral
diarimente , esperando pelo dia
em que não mais tu ressurjas
mas tu ainda nem tentaste
tirar-me de ti,
só me trancaste ,
fugiste.
e corres com o peso de um corpo,
que te tortura e condena.

esperando que o que os olhos não vêem, o coração não invente.

como é que isso está a correr ?







Sarah Moustafa

terça-feira, 11 de abril de 2017

Pigmeus



Por vezes,

quero-me apagar nas linhas do tempo,
desfragmentar-me
pedaço a pedaço,
de uma alma
em eterna construção ,
cativa no remoinho
de uma ampulheta avariada.

Quero tornar-me ainda mais invisível ,
definhar nos bastidores
de uma realidade que nunca será a minha,
Não quero ter voz,
Dar a cara, cumprir com os requisitos
De ser humana ,
num mundo cada vez mais desligado
da sua humanidade .

quero ceder á doce tentação da desistência
numa batalha sem fim,
onde todos os que não merecem,
são os que acabam tão mal.
Afinal os vilões,
ganham sempre no fim.

Entre o beijo da morte e o alimento da vida,
a tua força mirra .
és pouco mais que um grande nada,
na fantasia da existência,
que fazes parte do mundo dos gigantes.

és só uma barata peçonhenta,
prestes a ser esmagada
ou com um pouco de sorte
a estúpida de uma joaninha ,
que nasceu um pouco mais aperaltada .

mas és pequena,
somos todos
minúsculas partículas de pó ,
crentes no invisível
no além!
porque é impossível essa miudeza,
é impossível
não passarmos de anões serviçais ,
a causas completamente
tolas e irreais.

temos de ter alguma importância.
Deus escreveu...
O Universo é...
A Ciência diz...

Um conto de fadas,
apenas um conto de fadas
Que nunca vai acontecer.

E se por vezes me apetece desaparecer,
fujo para a tempestade
das minhas palavras.

elas acabam por me devolver ,
para voltar a observação de um mundo,
em estado visceral de vida,
onde o mais comum é morrer .





Sarah Moustafa


domingo, 9 de abril de 2017

Uma dúvida



Um pensamento,
estava todo errado.
todo trocado.
entre espaços de mentira e decepção
permaneceu
Uma dúvida tremenda
Cruel , envolvida ,
apaixonada ,
dividida
o que é verdade o que é mentira?
O que é real e o que é fantasia?
Eu sabia,
recusei-me a ver.
vendei me em prol
de uma história tão bonita.
é minha culpa.
o desígnio do teu esquema ,
forjado de sentimentos
conchas vazias,
desejos estéreis ,
Um pensamento,
bastou ,
destruiu-me
mais que tu.
querendo pensar
que me querias.
Que o fogo
que entre nós ardia,
não era só mais um truque
malandro que me trazias.
Uma dúvida ,
uma questão tão pequena,
cuja falta de resposta me envenena...
E tu simplesmente não queres saber
Não ma entregas.

Porquê ?

Quando deixaste de ser uma pessoa ?





quarta-feira, 5 de abril de 2017

Mancha




Sei que não existes.
E dançámos apenas coordenados,
em passos que se dissolvem no reino da fantasia.
Sei que apenas és,
borrão obsessivo e cobarde ,
em todas as tentativas de novos manuscritos.
E tento, tento, tento,
Mas dessa tinta inconveniente  ,
escrevem-se os meus sonhos .
E dos meus sonhos
sinaliza-se o sentido maior
das dores que tiveste de me auferir.
Sei que não existes,
E se não,  não és assim tão mau,
E se és,
Não temo,
Não tanto como perder ,
todas estas partes de mim,
tantas entrelaçadas pela descoberta de ti .
És nódoa , absoluta e negra.
Não é grave.
É só uma marca de guerra...
Excepto nos dias que te quer,
que te possui,
que te rasga,
para não remendares,
não ressurgires
inteira.

E tu deixas.





Sarah Moustafa