segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Desnuda



O tecido se esvai na delicadeza da forma sublime, nas curvas das roupas gastas, imprecisas no ajuste devido.
 Imprecisas pela longitude do tempo delongado, no uso excessivo do mesmo, no corpo vibrante que clama por novidades a cada minuto do ribombar da acção.
A sinuosidade do corpo perdido nas rotas confusas, desvelado pelo manifesto do ardor incendiário, patente na pele, marcada pela lividez do tempo passado, na conformação do reflexo outorgado, no lubridiar dos sentidos, criados ao molde da jaula na mente implantada.
O desencarne da imagem simulada na ficção dos desejos alheios e das vontades caladas, no almejo da consonância do pertence a outrem.
Na concórdia esperada revolve-se a balbúrdia desesperada, as lágrimas vertidas no receptáculo interminável da dor que se carrega no confronto bruto entre as nossas e outras verdades.
A silhueta fita-se no espelho do julgamento individualizado, vislumbra cada partícula do tecido inadequado, do cabelo severamente apanhado e da expressão terrivelmente liquidada nas vicissitudes das frivolidades abraçadas.
Na mira aniquilante as forças indivisas, na explosão da transformação, irrompem na queda vigorante do corpo renascido, revigorado na clemência do seu próprio arbítrio, da sua propria verdade.
Todo o tecido se desvanece, o cabelo liberta-se, selvagem na espessura do volume criativo da natureza abstracta.
A tela do corpo nu, totalmente pronto ao assalto das ânsias e desejos apetecidos.
A tela das cores esguichadas ao próprio ritmo, na propria desenvoltura.
A tela onde a fidelização se enclausura na alma pronta a ser ela mesma.

Sarah Moustafa

22 comentários:

  1. Obrigado pelas palavras sempre bonitas Manoel!

    Abraço!

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  2. Sarah!!!
    Que sensualidade! Que tela intensa!
    Adorei. Conseguiste levar-me numa viagem dos sensos.
    Parabéns!

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    1. Dulce! Muito Obrigado mais uma vez! Grande abraço

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  3. Olá,

    Realmente muito belo, adorei o texto!

    Grata pela visita...

    Abçs

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  4. Sarah,parabéns!!!
    Um raro sincronismo de texto e imagem, onde ambos fotografam e relatam a realidade da necessidade plena de libertação dos desejos e da sensualidade,numa linguagem de evolução fluida e alucinante.

    * O Link de seu blog encontra-se na relação de blogs acompanhados por: http://meninosemjuizoemversos.blogspot.com.br/

    Sucesso!!!
    besOSMen@

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  5. Gostei do texto que se coordena com a imagem e nos transporta para lá da imagnação.

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  6. Sarah,
    a Dulce indicou, vim, vi,li e confirmei, agora endosso todas as palavras dela. Belo teu espaço e tua escrita é por demais preciosa! Parabéns minha querida! Gr. Bjooo!

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    1. Obrigado Cris, será um prazer receber a vossa visita!

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  7. Sarah,
    Vim pelas mãos de Dulce Morais...
    E como não gostar daqui?
    Será um prazer imenso acompanhar os seus escritos.
    Um grande abraço

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  8. Intrigante, profundo, intenso, com uma ponta de sensual. Onde vi o questionamento da alma e a ânsia de liberdade. Bom... essa foi minha visão do seu lindo e complexo texto. Felicidades garota e sucesso!

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  9. Vim ao Lua Libra graças ao post da Dulce, do Crazy 40 Blog, de quem gosto muito.
    Como a sua sensibilidade me tocou, registo-me como seguidora e convido-a a conhecer igualmente o meu cantinho, chamado O Berço do Mundo (que versa sobre livros e viagens)... Será um prazer recebê-la :)

    Beijinhos
    Ruthia d'O Berço do Mundo
    http://bercodomundo.blogspot.pt/

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  10. poesia de elevado calibre.
    muito bem escrita.
    parabéns.
    um beijo

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