sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Finito.


São efémeros os dias de recordação , envolvem-me num remoinho doce 
A brisa intempestiva que nos abraça mas não nos deixa tocar
Que nos segura de embalo sem nada cantar
Vão e vêm , peões trocam de lugar  mas não acertam , 
Não percebem o que está em jogo , não lêem as regras , não mudam a sorte
Está bem... aceito, somos corpos em decomposição
Nada permanece do que foi concreto , estamos a a sete palmos debaixo de terra
Eu fechei o teu caixão.
Leste a linha inscrita na palma da minha mão , não me chegaste a contar o que dizia
Era assim tão mau ?
Maldita sina.
As saudades são areia movediça que me impedem de dar novos passos
Estou a tentar ainda assim dá los, convenço-me que estás feliz
É melhor não acordar os mortos.
Então porque me vieste visitar ?  Denunciaste a tua presença
Os passos cuidadosos quando volto costas
E paro com um arrepio na espinha
Um grito feroz
Sei o que sentes , és parte de mim
Almas malditas que se reconhecem em qualquer espaço ou tempo
Telepatia ?
Aproximaste -te , desculpa mas não fui capaz de me voltar
Não és real, Não és real, Não és real
Engoli em seco.
Fuck... a tua voz...

Só um minuto, deixa-me ficar aqui.





Sarah Moustafa

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