quarta-feira, 9 de novembro de 2016

A graça da nossa morte



Talvez eu seja a única que permanece agarrada a uma chama extinta, talvez regue flores mortas e queira acreditar que lhes posso mudar o destino.
Devia era por me andar e seguir para Norte, ao pico mais alto que neste mundo existir e lá sozinha para sempre, residir.
Longe de memórias, de pessoas, de circunstâncias vãs, tantas horas roubadas e oportunidades desperdiçadas.
Talvez um homem possa ser uma ilha só e viver apenas de si e para si, sem distracções, sem partidas injustificadas, mortes impotentes nos seus braços , assistir a um mundo inteiro a ruir e sentir exaustivamente que é tão pequeno, e que nada pode ser feito !
Aqui em baixo na Terra concreta é o Golias quem vence.
Talvez devesse ser cobarde, isolar-me para sempre e por completo, porque se calhar tudo em que acredito são sonhos desfeitos em papel e contos de encantar á beira da cama da menina que nunca fui.
Devia doar tudo , arrancar de uma vez todos os apegos , ainda que implique deixar de ser EU.
Que importa quem sou? Quem fui ou irei Ser ?
Que importa que tenhas desistido e o meu coração permaneça partido, coitadinha de ti...
Que importa que o amor seja real, se não foi essa a escolha e a consequência é este fim.
Atiro tudo os céus, entrego-te a Deus.

Vou partir mas ... se algumas das flores voltar a vida, grita á tua volta como foi ver um milagre nascer.
Não deixes outras almas abdicarem da fé no outro, em prol de si mesmos e dos espaços que deixaram incompletos.
Dá a tantos quanto possas a prova do que não chegarei a ver,


Era só isso este tempo todo, uma pequena prova.







Sarah Moustafa 


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