sábado, 17 de dezembro de 2016

A morte de Ti, O Luto de Mim.



Não há forma fácil de dizer
Para que encontres a recompensa
A incrível musicalidade
Afinada na leveza completa do teu ser
Terás de carregar primeiro o peso do mundo
Terás de sentir cada osso a quebrar, cada certeza a desmoronar-se
Na maior impotência de que alguma vez serás testemunha
A incapacidade de salvares o que outrora foi teu.
A tua imagem, o teu valor, as tuas crenças,
O regaço com que tanto carinho e alento  te protegeu
Esse passado que um dia tanto foi , que um dia tanto te deu
Morre-te nas mãos, morre-te nas ausências ,nas partidas inesperadas
Nas trocas e substituições,
Nos silêncios, no grandioso momento de um terrível adeus
Dói e não há forma e receita que te vendam,
Da mais iluminada e espiritual
Há mais terrena e banal,
Onde vás encontrar um embalo ou sequer um penso rápido
Para disfarçar , para aliviar, recompensar
A agonia e desespero que subitamente invadem o teu peito
O escurecimento total dos teus dias, o desprendimento com aquilo que sempre te enriqueceu
E que conseguem no que julgas já ser um coração bastante partido,
Arranjar outro pedaço que trucidar.
Dói e não há forma real de não doer
Pois a Morte ainda que simbólica , ceifa
Aleija, corta, separa, muda e pouco mais garante
Do que a certeza de um luto, que por ela de bom grado seria eterna.
E a cada estágio que superas aumenta também o grau de dificuldade.
É interessante como a morte é uma certeza mas quando ela se abate
Queremos desistir daquilo que resta , a vida .
O desânimo e apatia tornam-se os nossos melhores amigos
Riscamos o CD incessantemente , choramos diluvios de uma Era
Repetimos o Perdão e retribuem-se memórias frescas de velhas mágoas
Há sempre formas inovadoras de expandir a ferida, pudera que ela crie raízes!
E poetize o para sempre...
Não há forma fácil de dizer
Que não há saída
Abras ou não os braços, aceites ou recuses,
Fujas ou não com o rabo á seringa
De não sentires um murro no estômago
A violenta chapada na alma,
O punhal cravado nas entranhas,

Na prova inconfessável da finitude de tudo.






Sarah Moustafa

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