sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Pé ante pé, promete o Mundo.


Não sei por onde vou.
Que caminho é este sem perpetuo destino.
Onde estou?
Quando chego ?
Uma vida inteira na mesma travessia neste imenso deserto.
Para onde foram os doces intervalos de descanso ?
Porque até esses parêntesis secaram?
Estou despojada de tudo mas humildade nunca me faltou...
Faço perguntas demais, estou ciente, quando são quilómetros que tenho para andar.
Não sei de que forças são feitas as pernas e o porte alto que seguro
Quando tudo dentro de mim está derrubado.
Não sei , Não sei, Não sei.
E as dúvidas matam-me quase tanto quanto me reanimam
Uma e outra vez, um jogo cíclico que me multiplica e fere
Quantas vidas se geram no intimo de uma só mulher ?
Ás vezes estou tão exausta que juro ver a miragem da mesma
Ao fundo, para lá de um firmamento
Que vai estendendo sempre um pouco mais o seu horizonte.
Como se testasse a minha real vontade de a encontrar
Erguendo continuamente o nível de cada desafio.
Vale a pena?
Isto tudo, pela crença de um ideal?
A mera possibilidade de haver sempre mais sentido e significado ?
Maior extensão onde se prove um pouco de Céu
E se traga novas paisagens a Terra
E que pelo meio, todos os meus problemas sejam menores ?
E se não valer ?
E se a importância disto tudo for relativa ?
O que sou ?
O que ainda faço aqui ?
Quero uma casa, mas de que são feitas as raízes?
Quero o teu amor, mas como o recebo , como o dou ?
Quero o sonho da descoberta maior, mas como o encontro na realidade com esta dimensão tão pequena?
Tenho um universo de perguntas e um só planeta que gravita a volta de uma órbita indecente, o Talvez.
Vai ter de chegar,
Vai mesmo ter de chegar.
Ser cidadã de um mundo em que acredito.

O que se expande na verdade do meu coração.






Sarah Moustafa

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