domingo, 20 de novembro de 2016

Dilúvio




Quando chove eu páro.
A pausa seca lágrimas , gotas que contam a história de uma vida inteira.
É bom fechar os olhos e entregares-te ao fenómeno que te espelha, que te parece misteriosamente entender .
Albergo-me na atmosfera, desapreço por dias, acompanho-te sorrateira.
Entre sombras , nuvens carregadas onde nada é preto ou branco, tantas áreas, corredores, cruzamentos de tons cinza, textura dual, complexa mas acetinada...
Lembras-te da sensação do toque de duas mãos magoadas?
A água entranhada aos ossos, leito de um rio que corre pelo corpo abaixo.
Quero dançar debaixo dela provar do milagre destas águas , consegues sentir o mesmo gosto ?
Lábios gretados de tanto sal.
É tudo meu, é tudo para ti .
Oh... sabe bem parar e deixar a natureza espalhar a poesia do meu pranto.

E há tanto, mas tanto, para contar.

Talvez de nós escrevam outro evento de proporções bíblicas.







Sarah Moustafa

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