sábado, 31 de dezembro de 2016

É a última noite.



Reconheço a imensa beleza que também existe no vazio de mim.
Que apenas abriste , a pontapé, uma passagem, um túnel aos subterfúgios criados á imagem da minha genialidade , que tonta ainda se negava.
Ainda não sabia despir-se por completo ao feitiço demoníaco do amor.
Amor que ainda não sabia cultivar... e o universo inteligente trouxe duas personagens desfiguradas , a caírem aos bocados , mascarados de certezas e portes altivos de absoluta confiança, para por em acção esse grandioso plano, vamos lá ver o que estas personagens valem.
Com duas sombras gigantes á frente, ainda conseguem ver a luz, ainda se escolhem , ainda se entregam?
Afinal o que , portadores  de consciência como a nossa , poderiam não ultrapassar ?
Pois...
Stop. 
Missão falhada.
O amor nunca esteve ou estará em causa, mas como se aprende a viver com a consequência de ainda assim , não o termos escolhido?
E de que quando tentei, acho sempre que tudo se arranja, tudo se refaz, tudo se transforma, tudo se consegue, já tinhas gravitado de volta para a dimensão das tuas ilusões. Já era tarde demais?
E voltei eu ao questionamento das minhas.
O que é isto?
Isto tudo que até então acreditava, a minha fé, os meus valores, os meus julgamentos, a personificação de toda a minha identidade,
Bocado a bocado foi se desfragmentado , não houve nada que não tenha sido posto em causa, afastei-me de tudo e todos, restou só que sobrevive ao teste do tempo.
A alma das coisas , o núcleo por onde tudo floresce , o meu centro, o meu eixo ainda em desatino á procura de definição.
Mas eu preciso de me definir para quê?
Onde foi que eu assimilei esta pressão de que para ser alguém teria de alcançar certos objectivos?
Teria de conquistar certas metas?
A Sarah divina , mensageira do universo não pode partilhar publicamente as suas carências, as suas fragilidades.
A Sarah perdida no seu caos complexo não pode assegurar que está numa missão de serviço e ajuda aos outros, quando nem ela ainda consegui ajudar-se.
A Sarah enredada nos seus dramas familiares não pode genuinamente afirmar-se portadora de grandes raizes , onde alberga casa , refugio para qualquer alma que a procure, ainda que lhe tenham feito tudo menos sido de ajuda quando noutra ERA, ela também precisou.
Este ano foi destrutivo , duro, doloroso, solitário.
Mas o mais fabuloso de que tenho memória em termos de crescimento e abraço ao meu todo, a entender-me e procurar com a mínima curiosidade cada camada como ponte de única salvação.
Tive que abrir mão de tudo que ainda me impedia e toldava o processo de mudança.
Foi cruel,  tiverem que tirar-me aquilo que me forçaria a entrar numa espiral onde o meu controle não ditaria nada,  eras o  maldito calcanhar de Aquiles .
Finalmente aceito a minha responsabilidade, não preciso que assumas a tua.
Eu oiço as tuas desculpas, partilho da agonia , do atrofio de não conseguires libertar-te e dizeres tudo o que queres. Respeito o momento onde estás, o processo que tens.
Aceito a perda da tua presença física , aceito o término , aceito o teu silêncio.

Aceitar a outra forma de amor a que isto me eleva.

O próprio.

Estou livre, estás livre também.

Este capitulo encerra -se .

Aqui.

Como um conto de fadas quando marcar a derradeira badalada.

Estarei a acenar despedida , largando um beijo ao universo sabendo que o mesmo chegará a ti.

Obrigado, por tudo.

Assino um compromisso com a descoberta deste renascimento ,a perfeição presente nestes novos traços e não temer mostra-los a mais ninguém.
Existe um mundo novo por descobrir.


( Obrigado pelo pontapé, sei que sempre me quiseste ver voar )








Sarah Moustafa

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