terça-feira, 30 de abril de 2013

O Dia a Seguir


O Dia a Seguir
Segue Pegadas
Marcas sem Pavimento
Desenhadas
Voltando para nos Perseguir
O dia a seguir
Levanta-se cedo
Palmilha o caminho
Despindo-se do Medo
Sem de todo se Despir
O dia a seguir
Traça mapas de Fuga
Onde se vende e aluga
Sem de todo Fugir
O dia a seguir
Descansa Tarde
Verte o Nocturno Ensejo
De uma Fusão e Desejo
Entre bocas Arde
Fogo Sentido
Sem de todo Sentir
O dia a seguir
Segue na soma
De alma só
Cansada de multiplos
Onde se subtrair
...

Sarah Moustafa

Folhas



Tenho Folhas no meu Jardim
Amarela e Secas
Outonos Raiados
Secretos de Mim

Tenho Folhas Douradas
Obliquas e Despedaçadas
Entre Almas Cruzadas
Tenho-as no Jardim
Esvoaçadas e perdidas
Pousadas e sofridas
Tão delicadas
Como o sopro 
Em laço de cetim

Tenho folhas esverdeadas
Temerosas
De épocas diferenciadas
Primaveras rigorosas
Desabrochadas do confim

Tenho Folhas no meu Jardim
Que ainda não sei ter
Mas irei reconhecê-las 
Entre a Noite e o amanhecer
Lançadas ao vento
Ao ouro e entardecer
Tenho folhas sem fim
Sempre no meu jardim.

Sarah Moustafa

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Arde



Disseca o impassível
Devora o Apetecível
Arde
O corpo que carrega Alma
E Arde
Incinerado na sua Calma
Degenera a Paz
Apenas Arde
Destrói o tanto lhe faz
Arde
Rebenta o Corpo
Reanima a Vida
Regressa quase Morto
Arde
Bate de Frente
Rasgo Aberto
A Carne não mente
Continua 
 Arder
Arde, Ardente
Combusto ao que Sente
Arde
Petardo implantado
 Na sua Mente
Arde
Bomba Relógio
 Desreguladamente
Detona 
Destemperadamente
Arde
E já foi Tarde
Ardido
Tragos de Desejo Perdido
Mas Arde....
Como Arde!
Tremendamente!

Sarah Moustafa

Fatalidade



Cinco
Terminada a Vontade
Choro Amargo
Gota de Liberdade
Quatro
Molhada é a Verdade
Tesouro no Embargo
Aliada de Saudade
Três
Profanada Promiscuidade
Insatisfação de Trago
Cama Despida
Rasgada de Insaciedade
Dois
Alienada Genuinidade 
Corpo trancado de Sensualidade
Chama Ardida
Cinzas de Voracidade
Um
Alargada Necessidade
Olhos Abertos em Expressividade
Mão Estendida
Contacto de Continuidade
Extremo e Auge
Zero
Fatalidade!

Sarah Moustafa

sábado, 27 de abril de 2013

Delírio



O Eco de uma Voz Gutural
Invoca Cambiante
A Aproximação Aliciante
Traçada no olhar Triunfal
Olhos que não Presenciou
Mas entre brechas da Noite
Deles, se e os ,Alimentou
Ressonância da Voz 
De Veludo Que não Calou
Entre a febre Enferma
E o escoamento de Água 
Fenómeno da Terma
O vapor de escaldo Queimado
Do Sonho ao Pesadelo
Árduo Violado
Marcas de Contacto
Longinquas de Pele
Sinais do seu Tacto
Expressos ao Delírio
Entre o Domínio 
E Subjugação
No Hedonismo do Seu Acto!

Sarah Moustafa

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Primitivo



Ardia
O fogo sagrado
Entre labaredas
Crepitado
A força 
Índole ao desventurado
A bestialidade 
Homem seu Mal Amado
Queimava-lhe o Fogo
Respirava em Chamas
O seu Fôlego
Cerrava A Alma
Dormia No escaldo
Repouso da sua Calma
Entre o Impulso
Erguia o Grito Feroz
A lágrima contida
A sua Dor Atroz
O Brado 
Aberrante
O Sangue do Espírito
Jorrante
Entorno de Incêndio
Morte á Vida 
Tolerante
Natura ao Imperativo
Retorno ao Berço
Soberano Primitivo!

Sarah Moustafa

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Prazeres Dos Brotos da Terra




Como um morango mordido
De boca e escarlate
Sorvido
Explode o Sabor Silvestre
Esquecido
Como uma Fruta 
Madura Aberta
Há um oásis de deguste
Que Desperta!
Há vida 
Tanta Vida! Em Alerta...
Em pequenas Sensações
Nascidas dos Brotos da Terra
Deliciosas Pulsões
Madurados
De Sol em Seca
Enaltecidos
De Água em Chuva 
Que Alaga, Afaga e Peca
Ah...
Arrebates em Deflagrações
Liberdade
Liberta de Grilhões
Como um morango 
Mordido...
De Lábios
Néctar Derretido
Há tanto que dizer
Tanto que sem saber
Vos Digo!

Sarah Moustafa

terça-feira, 23 de abril de 2013

Teias



Ousava a própria Ousadia
Movendo-se Fugidia
Escapando entre Dedos
De mãos que desconhecia
Contava-lhes Vidas
Envolta de Teias
As mesmas que Tecia
O mesmo íman gasto
Mas que todos Atraia
Era a Luz poente 
Que dos Céus Descia
Noite Húmida
Carente onde se Perdia
Era Rainha de Sombras
Passos de Onça
Peles que ninguém Via
A não ser a mesma
Tecelã Contínua
 Do mesmo Dia!

Sarah Moustafa

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Ansiedade




A ansiedade mata.
Mata todos os dias.
É o  sopro no castelo de cartas que se vive diariamente.
Insolente.
Desaba.
A ansiedade é uma filha da mãe. 
Infiltra-se nos recantos mais obscuros, mais impensados, entranha-se e não larga.
Não nos deixa o sabor de um minuto de paz ,mesmo, quando nos faz pensar que deixa.
Não, ela esta sempre lá.
A rir-se no cantinho escuro, a processar as artimanhas de profissional, tem magistratura e orquestra o nosso corpo a sua vontade. 
Sabe usa-lo melhor que nós.
A ansiedade é ditadora e tirana, sugadora aos níveis mais negativos de energia, insaciável de melindre, que é precisamente o que a alimenta.
Lambuza-se e deleita-se da nossa mais pura forma de estar, a sensibilidade.
Tira-nos o ar, mete as mãos no coração e espreme-lhe o núcleo, pontapeia o estômago,  chicoteia a pele, verte-se para fora e mesmo assim permanece incansável nos seus modos.
Ansiedade é astuta, deixa-nos relaxar e contemplar a mentira da sua calma, espera o melhor e mais vulnerável momento para atacar, planeia minuciosa a forma de nos subjugar.
A ansiedade desmascara por completo a fachada, é a protecção contra ela mesma.
Ansiedade é filha da mesma mãe. 
A que a carrega.
Ela é bomba que detona sem ser accionada, é a prevenção dessa mesma explosão.
Ansiedade é um grito por liberdade, é um check-up a nós mesmos.
Ansiedade é sexto sentido, intuição e alerta.
Ansiedade Mata.
Mata para Reanimar.

Sarah Moustafa

Oscilações



Frágil encimada 
No decurso prolongada 
Em tormentos Recriada 
Na revolta corrompida 
Ao corpo inocente permitida 
Como ser redimida 
Sendo sempre 
A semente dividida 
Entre a divida do pecado 
Do ser amado espectado
Ou em luz procurado? 
Como poder escolher 
Entre o que ninguém 
Consegue entender 
Se ter e ser 
Se difundem em perder e aprender? 
Como eleger a verdade do sofrer?
Como negar a dor do nosso crescer?

Sarah Moustafa

domingo, 21 de abril de 2013

Ternura



O mel e ternura
desassossego
Angustia e clausura!
Entre lábios
O carmim e doçura
Ternos, Ternurentos
Meu Inferno
Paraíso da minha Sepultura
Escorrem Dedos Enluvados
Na minha Cintura Cravejados
Escaldo o que no peito
Carrego e terna te trago
O botão em Flor Aberta
A minha Candura
Beijos de Mel
Escritos em Seiva
 Lençóis de papel
Pintados de melaço e Doçura
Ás mãos nascem Formosura
Sensações sem tempo
Cheias de Ternura!


Sarah Moustafa

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Diário dos Arruinados- XX




Palavras, já não as tenho.
Palavras, de e na verdade, nunca as tive.
Não sei do que são feitas.
Não sei como se desmancham e constroem, do raciocínio a uma língua selada, entre lábios encarcerados.
Não sei por que viaduto se encontram, que ponte as liga, depura e realiza de emoções a dissertações.
Verbalizar não sei o que é e como se faz.
Enquadro o verbo em poemas na imaginação, em sonhos difusos, alagados de confusão e introspecção, sei-lhes apenas o tom emotivo sem qualquer tipo de lapidação.
Não sei explicar o que penso por palavras. 
Palavras não se infiltram na espessura de nevoeiro que me afirma, palavras não se seguram na condensação da clausura que me abre o portal á sua percepção.
Não sei dizer de que cores pinto o mundo, mas sei-lhe os tons de maior especificidade e singularidade, sei os esguichos e a intensidade do seu clamor.
Não sei explicar porque amo as noites em Temporais, a chuva grossa e cantante, cujos ecos sibilam através de mim. 
Sei apenas que sinto o trovejo e que no seu lampejo imediato me revejo.
Sinto-me explicado na exacerbação da Natureza, cujas extintas palavras falam mais do a comunicação proclamaria.
A luz explosiva e repentina da intempérie, abre-me, expande-me nos seus bramidos.
Afinal também Falo.
Falo tanto ou mais que os outros, naquilo que calo.
Palavras não as tenho por tê-las demais.
Palavras, de e na verdade, sempre as tive.


Sarah Moustafa

Amizades de Hoje


Hoje As amizades 
São feitas de falsas verdades
Protótipos e Protocolos de Infidelidades
São Sombras Vazias de Genuinidade
Contabilidade de números
Imposição Ditame de Miúdos
Cegos, Surdos e Mudos!
Não Reconhecendo 
A simples Simplicidade
Empregue na Humana Ambiguidade
As amizades não querem Alicerces
Profundidade que a mesma Merece
Querem Sorrisos e Perfeição
Que ninguém Veste!
Estas Amizades São
Superficialidade que entristece
De quem o céu sem estrelas
Se queda e Anoitece
Nos sonhos onde se Acolhe
As dores e Lágrimas
As que não querem 
Schh...
Que ninguém Olhe!


Sarah Moustafa

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Inocência,Indecência, Essência





Indecência
Perturba
Usurpa
Esturpa
 Inocência
Estala
Embala
Provocação
Domínio
Exímio
Complexa
Simplificação
Êxtase
Exaustão
Desejo
Perdura
Linhas
Frágeis
Margens
Doce
Candura
Malícia
Libido
Alvura
Corrompe
Assegura
Inocência
Essência
Indecente
Escorre
Vapor
Água
Quente
Em Fogo
Efervescente
Latente
Crescente
Sabores
Línguas
Indolentes
Lânguidas
Indecentes
Matam
Lenta
Lentamente
...


Sarah Moustafa

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Lua -II





Despida de nudez 
Olhos de Diamantes
Culpa de quem assim te fez!
Nua de Palidez
Prata dançante
Contemplo da tua Tez
Queria Sendo a tua Vez
Ter-te Nua
Deitada Serena 
Nas Faces da minha Lua
Oh...Deleite
Tenho-te Todos os Dias
Nas Esquinas da minha Rua!

Sarah Moustafa

terça-feira, 16 de abril de 2013

Diário dos Arruinados - XIX




A fome não me deixa pensar.
A fome mal me deixa capaz de escrever.
A fome é tamanha mas aqui estou, ardida em sensações de que desconheço a causa, apenas o efeito.
O efeito que me consome ao mais intimo, privado recanto que me acolhe.
Tenho esta fome que não passa, que se extravasa, que grita por algo que não identifica!
Falta-lhe um ingrediente qualquer, na receita que lhe fermenta a necessidade de mais, e dou-lhe mais e nunca chega, nunca pára esta compulsão.
Abre-me o corpo rombo de desejo, de querer viver o que não sabe se quer, o de querer explorar recantos de um mundo tamanho que lhe aflora no corpo.
A fome dá me uma excitação. Mas não pára, não se sacia com absolutamente nada.
Entrega-me ás índoles mais selvagens e impensadas mas devolve-me esta fome quatro vezes pior.
Como escolho o caminho certo ,se todos não chegam, em suficiência, a esta irascibilidade que me faz querer ir não por um mas para todos os lados?
Que faço deste buraco crescente que me atrai a tudo quanto pior possa existir?
Se pudesse apenas, arrancar-me de mim mesma, e ver-me num reduto de tempo desvanecido em plumas desmembradas, na minha decadência, poderia esta tormenta se finalizar.
A fome calar-se-ia ao silêncio do seu próprio vazio, beberia do veneno da sua propria extensão de solidão.
Se pudesse, ser eu capaz de fazê-lo, fechando a porta á cobarde cobardia, de não querer abdicar do que me faz tão mal, mas que também me faz tão bem.
Se soubesse alimentar-me de outra coisa que não estas sombras peregrinas, poderia deixar de a ter.
Poderia aninhar-me na satisfação de me sentir cheia.
Poderia experienciar o gosto de um beijo sem arder por lábios diferentes.
Poderia contemplar, sem o desassossego de voltagem, de uma atenção que é escassa e apenas consegue mirar.
Se pudesse apenas fazer o que posso, deixaria de a ter...a fome.

Sarah Moustafa

Agora!



Quero Agora
É querer
Que não Espera
Não adia
Não troveja
O vai-te embora!
Quero-te Agora
A febre de Boca
Paladar silvestre
Agri-doce Amora
Quero Agora
O já que não está Cá
Quero
Desespero
Espero
Quero a Impaciência
Da tua Inocência
Quero o Agora
O que não vem 
O que lhe Falta a Hora
Quero o Agora
Sem Demora!


Sarah Moustafa

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Dos teus olhos




Dos teus olhos brotam Cores
Lírios Perfeitos
Encanto dos seus Amores
Dos teus olhos gotejam Cores
Pétalas Cândidas Viçosas
Sustento da Beleza das nossas Dores
Dos teus Olhos pintam Regalo
Pestanas curvas em Exalo
Lullaby
Sonho e Sono do nosso Embalo
Dos teus olhos espreita o Viver
Sorrindo da Fleuma 
Que nos faz Aprender
Bate-nos á porta quer-nos engrandecer
Esses olhos de Flor e Amendoeira
Primavera da nossa Beira
Ah são olhos de fome e saber
Que nos deliciam
Que nos fazem Crescer!

Sarah Moustafa

sábado, 13 de abril de 2013

Quedas de Água



Quedas De Água
Escorrem Cascatas
Cristalinas Minhas Mágoas
Espinhos da Minha Rosa
Sangram Versos
Espelhos da minha Prosa
Vincos da Minha Alma
Dissimulados
No Corpo da minha Calma
Viagem Além
Que a olhos Pousam
Sem Ver Ninguem
Semente de Coragem
Perdida a Sete Ventos
Vultos da mesma Miragem
Quedas da Minha Nascente
Vida á minha Enchente
Lagoa Azul ao Oriente
Mergulho Fundo
Ao Marasmo do meu Inconsciente!

Sarah Moustafa

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Lábios


Escarlate 
É a cor do rubor
Vermelho Marte
Desenhados no teu Fervor
Rugas Entreabertas
Vitrina de Sabor
Oferecendo Desertas
A compra da nossa Dor
Marcas de Rubi
Nos lábios que te vi
Contemplei o que só ali
Na moldura de um Rosto 
O Júbilo Conheci
A beleza de Luxo
As frestas de um repuxo
Cinzeladas na Água de que bebi
Vertendo Enlevo
Na Fonte do Desassossego
A entrar nos Ressaltos
De onde te Descobri!

Sarah Moustafa

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Confesso


.

Confesso
A hora do ponteiro
Que foi embora sorrateiro
Confesso
O sorriso de raposa matreiro
As artimanhas de premeio
Confesso
A debanda de Forasteiro
As pegadas deixadas
No corpo inteiro
Confesso
O receio
Da ida de uma volta
No caminho deixado ao meio
Confesso
A conspiração feita
Sem a confessar
A hora do ponteiro
Deixada por amar
Noite após noite
No leito deita
O que ainda há a declarar
....

Sarah Moustafa

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Diário dos Arruinados - XVIII





Querem-me forçar a tomar partidos, querem que bata o pé numa posição e esqueça fundamentalmente, que sequer existe um leque variado de tantas outras posições que tomar em conta.
Querem que seja decisiva, que escolha e pronto, não entendendo que o culmino dessa escolha, não depende da vontade pessoal e que a vontade não é imune aos estados de consciência e equidade.
O que me pedem é para deliberadamente ser injusta.
Para ser infiel ao tamanho de discriminação e capacidade de competência, como se tal fosse um automatismo dependente apenas do acto de carregar no botão de desligar.
A minha índole funciona como um corredor.
Sim essa divisão que separa o quarto da sala.
 Esse canal que separa e aproxima a distância entre os espaços, aquele por onde se passa e descansa quando não se sabe que paz dignificar. Aquele espaço que sossega um pouco a pressão e te permite apenas observar um lado e outro.
Porque na contemplação se extrai a verdade de muitas causas, e a mentira posta na verdade de muitas cláusulas.
Porque do miradouro se vê o mundo, o Céu e a Terra entre o Mar, com uns olhos recém-nascidos, virgens de prévias definições e imposições protocolares.
Porque da imparcialidade se prova o melhor sabor de ambos os mundos, e até no pior dos mesmos, se encontram similaridades inesperadas.
Querem que forçosamente seja actriz, que me active e aja conforme a vida lhes demanda, que lute e busque partidos de identificação, mas eu não quero ser actriz.
Não, eu quero ser espectadora.
Quero mesmo e não porque não queira fazer nada da vida, e não porque na inacção e passividade seja mais fácil de se estar.
Sorver cada segundo deste espectáculo de vida avassalador, atentando a cada cenário de ambiguidade, é quase mortificante. É angustiante ser consciente.
Fácil é escolher um lado, fixar um caminho ignorando a totalidade empregue do outro lado.
Fácil é tomar um partido e esquecer que as partes são feitas do mesmo todo.
Fácil é desconsiderar.
Difícil é o malabarismo. Difícil é pender o equilíbrio na desigualdade, e tentar por tudo que a balança não descompense o seu peso.
Difícil é ser imparcial, notando que a imparcialidade é a mais parcial de todas as verdades.


Sarah Moustafa

O que sou?



O que sou?
Se ser discrimina
A procedência que me criou?
O que sou?
Se ser martiriza 
A cadeia de personas
Em que se emaranhou?
O que sou?
Sendo Arquitecta
De uma vida que não se revelou?
O que sou?
Se ser não me permite
A submissão da noite que cessou?
O que sou
Sendo agora um Sol novo que despontou?

Sarah Moustafa

terça-feira, 9 de abril de 2013

Eles




Ela dizia que não
Fugia da pulsão
Emergente de Insatisfação
Que a convidava
Á sala privada 
Da Sedução
Ele dizia que sim
Arrasava a Barreira
Que ousava o Confim
Negando-lhe qualquer Fim
Ela Implorava
Pelo que Ele Dominava
A vibração Magnética
De transcendência Ascética
O odor sem cheiro
Inalado na agitação sem freio
Na imaginação de um anseio
Onde
Ela Aflita Fugia
Ele Sofrego Rugia
Ela Num canto Escuro Tremia
Ele No Sonho a Perseguia!


Sarah Moustafa


Diário dos Arruinados- XVII




Quero que se lixe o que os outros pensam.

Quero mesmo que se lixem!

Quero tanto que se arruínem, muito mais até ao que a mim me desejam, e não me envergonho de o dizer na amplitude de uns pulmões cheios de ímpeto para gritar.

Sou um danado imprestável no desemprego eterno de vida acumulada, todos o vêm e quem sou eu para o recusar?

Sou um nada de brutidade e lanço o punho manchado de sangue na mesa, a quem ousar o recusar.

Viver de paz e delicadezas com um código de ética estipulado até para como mastigar a comida do meu prato é revoltante!

A mim ninguém me diz o que fazer e como fazer, a mim ninguém me pontualiza com moralidades e beatices, eu agarro o que quero, como quero, á hora que me apetecer, deixando para as paredes cujas vozes não me chegam, as opiniões.

Quero violar qualquer delimite que haja pois as barreiras foram mesmo feitas para ser enganadas. Ridicularizadas.

Há linhas de conveniência, há conformidades de rebanhos e pastos que de bom grado desfaço.

Estilhaço. Refaço e Destruo novamente só pelo prazer que me dá.

Sou agitação que ondula o Mar, sou a força tenebrosa que sacode a Terra e lhe abre as fendas.

Abro as cicatrizes de um Mundo demasiado quieto para o tamanho de nervo que me deu.

Antes não tivesse dado e o dano não aconteceria, não teria de suportar a disformidade da besta insensível nascida com o apelo de destruição.

Antes não tivesse dado e seria mais fácil para ambos.

Mas como seria se a conquista se faz exactamente pela guerra de uma paz?

Terão sempre de haver pessoas como eu, filhos de Marte, guerreiros de alma e coração canalizados pela energia certa da motivação.

Os limites são afinal lâminas de espada que cravo em mim mesmo.

Apenas eu me Limito.

Só Eu.



Sarah Moustafa

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Aqui



Aqui descreve-se as particularidades 

De toda uma repleta infinidade 

Crê-se apenas na supera sensibilidade 

Matizada em tons esbatidos de Realidade 

Destrói-se o Julgamento 

Crê-se unicamente no Sacramento 

Do esplendor e interminável firmamento 

Sejam bem-vindos a entrar 

Se nenhuma destas palavras vos fez recuar 

Com a libertação dos versos e pensar 

Vos ofereço Humilde a benesse de Amar 

Todos e a Cada 

Um por Um…

O Altar do meu Sonhar!

Sarah Moustafa

domingo, 7 de abril de 2013

Gosto




Gosto de ver o sorriso meio disfarçado, por trás de uns olhos de pestanas e véus que te emolduram a alma, num encanto que apenas a quem repara pode entender.
Gosto do cabelo meio despenteado, numa meia loucura de instinto selvagem, de uma força indomável que nos permite cavalgar livres além do firmamento.
Gosto do rosto desmaquilhado e da tentativa de o evitares, da insegurança que me segura ainda mais a ti.
Gosto de tudo meio feito, um pouco por arranjar, porque são nessas meias luas que se revelam a capacidade de tantas outras tuas.
Tantas Luas Cheias por despertar, por olhar, tantas luas num corpo só que admirar.
Por isso gosto, gosto ao que outros passa por baço, gosto de ler, ser interprete das palavras que nenhum outro sabe traduzir, gosto de escrever na língua que só eu sei ouvir.
Apenas gosto de gostar de ti.

Sarah Moustafa

sábado, 6 de abril de 2013

Corpo





O corpo prostrado nos lençóis
A curva de uma serpente
Desnuda diante dos seus Heróis
O corpo adormecido
Curvado sobre o seio apetecido
Dorme no sonho do seu libido
Olvidado do que não pode ser esquecido
O corpo Tece
A seda do manto que Anoitece
Das Estrelas onde se Conhece
Onde há a sombra
Que se esbate da pele que entorpece
De uma compleição 
Onde há um corpo que amanhece
....

Sarah Moustafa

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Desenfreio




Receio a Vida
E Dar-me Dela
A sua Guarida
Mostrando Aberta
O tamanho da minha Ferida
Receio o Avançar
Sozinha num Mundo
 Imenso que Acompanhar
Tendo a Latejar
A Vontade imensa de Lutar
Erguer-me do Receio
E fazer dele o meu Ateio
Drenar-me do seu Anseio
Desenrolando-me Liberta
Enfim a Tudo mesmo que Receio
Correr Descalça na Calçada
Impressa Relembrada
Marcas de Dor e Sangue Cansada
Mas Viva Por Fim 
Desfragmentada de Mim
Invertendo o Receio
Na avidez do meu Desenfreio!

Sarah Moustafa

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Tenho-te




Tenho-te em todos os caminhos que faço.
Tenho-te porque não sei sequer o que representa a verdade de uma ausência.
Tenho-te porque um desencarne não nos desenlaça no cetim de uma fusão eterna.
Tenho-te nos olhos que todos vêem sem saberem para quem olham.
Tenho-te no coração que amam sem saberem que é a ti que estão amar.
Carrego-te ,sem peso, na vida e na morte, nos seus jogos de azar e sorte.
Tenho sempre, o que nem sempre tenho.
Mas tenho-te a ti e assim tendo-te. procuro incansavelmente o sentido em mim.
E encontrando-te lá os outros também poderão encontrar-me, e quem sabe verdadeiramente, amar-me.
Porque de ti guardo o segredo, na confidencia a meia luz, iluminando só o alcance que produz.
Porque de ti me faço, me desdobro em personagens que a todos e ninguém seduz.
Porque de ti reconheço o fim de um começo na utopia minha que desconheço, porque ter a ti sempre em mim não é mascara de um adereço mas a necessidade de uma presença a que desobedeço.
Tenho-te em todos os caminhos que faço e farei sempre com outros no encalço.
Tenho-te porque a verdade de uma ausência, a tua, é a minha demência.
Tenho-te mesmo sabendo que esse ter me mente, mas não me importa uma verdade onde não estejas para sempre...

Sarah Moustafa

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Desconhecido




Não sei de Nada 

E podia aqui tentar em palavra 

De calibre trabalhada 

Elevar-te das Sombras 

Trazer-te do desconhecido 

Pendente em asas de brancas pombas 

A mensagem do pensamento embevecido 

Mas permaneceres em estado de cativo Desconhecido 

Permite a euforia que regorjeia em alarido 

Em curiosidade que buca a ligação 

Da afirmação dos assuntos do coração 

Embaraçado com as contendas da razão 

Plenas de viço e libertação! 

Não sei de nada 

Permanecerei pela noite alada 

Indagando em palavras silenciadas 

Pelo anoitecer permeada 

Sussurrando em poesia cintilada 

Os versos em si dedicada 

Não sei de nada 

E no nada de que sei 

Restam os versos que doei 

Em mistério tremulo 

Ao ilustre permitido 

Suspeita fugidia do paradigma 

O porquê deste tamanho enigma? 

Se souberes certo me responder 

Procura me na luz do amanhecer 

A mensagem retornará 

Ao cair ao anoitecer!


Sarah Moustafa

terça-feira, 2 de abril de 2013

Mente-me



Mente-me
Na Noite sem Lua
Pálida em mim Nua
Mente-me 
Dizendo que ela é Tua
Mente-me
No beijo Selado
Sedento de outros Procurado
Mente-me
Sobre esses impulsos Extasiados
Mente-me
Na cruz da verdade
Da-me a mentira paralela á Realidade
Mente-me
Na lógica infiel da Fidelidade
Apenas Mente-me
E na mentira Toda
Atreve-te e Sente-me
Mente-me
...

Sarah Moustafa

Felicidade




Ser feliz é estar feliz no próprio instante da felicidade!
É o tempo que intercede no ponto de viragem de uma sensação a uma emoção.
É a estrada que se percorre entre a lágrima e o sorriso, a viagem salgada do olho ao lábio, que nos incita  a redescobrir os instantes preciosos de uma viagem que nunca verdadeiramente acaba.
É nesse trajecto tão curto de longura, tão extenso de perdura, que a inquietação encontra a sua paz, não porque a extingue, mas porque a depura no melhor que ela pode ser. 
Num auspicio de vida intensa, jovial que pode renascer, sempre!
Nessa jornada, pequena mas imensa, percepcionamos uns segundos de pertença a algo maior que o juízo de uma sentença, abrimos os braços desprotegidos e o vento acolhe-nos, abraça-nos de volta, ampara-nos no remoinho da sua propria natureza, confere-nos a certeza de uma imunidade presente na própria força da individualidade.
Ser feliz é reconhecer o exacto segundo da sua imensidade, dar-lhe o todo que há no período de brevidade.
Ser-lhe intensa á proporção e grau da existencialidade.
Ser feliz é valorizar o hoje, reconhecendo que se faz entre o ontem e o amanhã,  no ponto de encontro delicado, pleno da necessidade de o ser.


Sarah Moustafa

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Poema Publicado!









É com enorme prazer que participo desta Antologia de Poesia Contemporânea  projecto da Chiado Editora, que é precisamente a maior e arrisco a melhor feita em Portugal!
O poema incluído, já havia sido publicado neste blog!
http://lualibra.blogspot.pt/2013/01/balada.html

Grata a todo este universo e oportunidades!


Sarah Moustafa

Possibilidade




Vêem em cada linha
O rosto da mesma sina
Na mão de um destino que doutrina
O Incontrolável freio em Poder
De um fascínio em aflição a que desenvolver
Num medo e elevação de Ensandecer
A urgência de um apelo
Almas de apatia em degelo
Pensando em reciprocidade
Na mutação de um gene de afinidade
Desejando apenas o enlevo de uma oportunidade
Entre o que nem sabem
Se há ou poderá haver de verdade
Mas sentido e propósito
Nada mais são que os arroubos de subjectividade
Escravas eternas de jubilo em ferocidade!
Então porque não a chancela aberta de uma realidade?

Sarah Moustafa