sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Estamos Todos Bem!





Hoje, por motivos que desconheço, mas que no fundo até agradeço, surge-me a inquieta vontade de reflectir em letras os escritos desta vontade.
A vontade de dizer em altos voos de bradar aos céus que estamos todos bem!
 Esta poderá ser considerada a dissertação da loucura, e isso far-me-ia brilhar em diamantes de júbilo, pois tal adjectivação insere-se exactamente no fio condutor dos escritos a que me remeto.
Esta sociedade onde me materializo em carne concreta revela no condão do seu capitalismo a putrefacção da candura com que somos abençoados pelas constelações universais, que ainda divinos algures nos recônditos da profundidade da alma, está presa essa mesma tal de divindade, encarcerada, reclusa nos corpos podres da consciência suprimida.
Consciência creio que alude a uma diferenciação de designação por todo o mundo, independente da nação onde se germinou, pois se no fundo somos tão diferentes, somos tão iguais.
Atenção, ainda que podres ou cândidos a flutuar na mesma podridão, estamos todos bem!
Poderão interrogar-se de que falo, nesta dualidade de sentidos díspares, mas não será essa mesma a questão? Dualidade em que nos dividimos na casa, no trabalho, na consciência  na demência  na tremenda inocência da perdição que rodopia em peão, nos círculos de uma tremenda insatisfação que brota do facto de não chegarmos lá...a resposta tão procurada e ansiada do que estamos aqui a fazer? Qual o propósito?
Quando deveríamos encimar, firmar em raízes profundas e disseminar essa floresta, por toda a parte, de pararmos por um segundo e antes interrogar, O que posso eu fazer? Para ti, para nós, para todos mas sobretudo para mim...para o Eu sossegar em fim na Unidade desmembrada pelas sociedades criadas em prol única da matéria e não da sinergia entre o todo que nos compõe?
Mas atenção estamos todos bem!
Sei o quão difícil pode ser chegar até esta conclusão, mas sei também  quão fácil pode ser, se apenas, por um momento, nos permitirmos á distanciação do corpo a que nos agarramos ferreamente, por indução óbvia da monstruosidade dos apelos ao medo, do sobrenatural mistificado, mas que tão naturalmente possuímos!
E ainda bem, porque, estando cá patenteado, ainda que submerso por tanto lixo, e resíduos do mesmo, é a prova cintilante da divindade religiosa que apregoamos, Somos Nós! Nós, Eu, Tu, Você....
 Por isso ainda que tão descendentes, Digo que estamos Todos Bem!
Estamos Todos Bem na malignidade circundante, porque esse raio de luz, por mais que se tente, por mais que se tenha de morrer e renascer na fonte da criação, em círculos de reencarnação e aprendizagem , está lá, infinitamente lá.... Jamais poderá por consórcios desta Humanidade descrente, mas aprobativa da crença, ser extinto.
Se restam dúvidas, olhem para qualquer objecto de afeição, indiferente a definições de bondade ou maldade, obsessão  paixão ou amor, olhem para esse objecto que nos faz vibrar em ondas magnéticas nos revolve no seu poder de entre todos os meios e faculdades darmos o todo que temos ali, bem fundo em nós.
Reparem no seu sorriso comovido para si e o com seu gesto, mas sobretudo reparem como o vosso próprio instinto reage!
Isto do objecto de afeição insere-se a qualquer área de vida, não me refiro exclusivamente a pessoas em carne, pode ser um ideal, um pedaço de natureza, uma outra coisa qualquer que tão intensamente nos faz transpor do corpo e suas restrições para algo, uma fonte de energia que nos move além do que julgamos possível!
Estas não são meras palavras, são letras escritas em prol de realidade de factos por quem as escreve.
Uma prerrogativa para quem está mal e anseia melhorar, em que digo e subscrevo, não faz mal que estejas mal, identifico, e digo... que estamos todos bem!



Sarah Moustafa

5 comentários:

  1. Então eu diria que apesar dos pesares estamos todos bem.Um texto belo,inteligente e muito reflexivo. Bjsss

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  2. Um texto com muitos e profundos significados.
    Talvez se pensarmos que somos apenas uma fracção muito pequena de uma existência muito maior,talvez não haja motivo para infelicidades, porque se tudo é o que devia de ser, as infelicidades acabam por ter um propósito...
    A descobrir os seus textos...


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  3. Una gran Reflexión que invita a una profunda meditación y a ser Felices con lo que somos y con lo que, en un Fututo, podemos Ser.
    Abraços e beijos.

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  4. Muitissimo interessante, uma excelente reflexão, Parabens

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  5. Gosto do teu blog, porque quando cá venho, ele costuma colocar-me uma perguntinha na minha cabeça quando acabo de ler ;)

    Beijo

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