segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Consagração





Reverencio o ser que aclama a tristeza, que camada a camada de consternação, retira das pétalas do desespero o viço do aprendizado , aceitando a tormenta , transformando-a no apaziguar, no alento do desalinho das emoções turbias, vagas nas sombras por onde pairam, ferranhas nas garras que rompem, sulcam, sangram o sangue da autenticidade.
A sentença da deterioração, ainda que revestida de temor, nada mais respeitante é, que senão a desconstrução do terreno que expecta nas delongas horas passadas, a demolição do imprestável para assim renascer das terras abençoadas, a verdade levantada, desterrada dos alicerces que sempre firmaram a fundação fiel aos propósitos do coração.
Consagro a tristeza não pelo negativismo pensado, embrulhado nas lágrimas das lastimas seguradas, mas a lúgubre, ténue percepção de que a tristeza, nos tristes caminhos, despoleta o surgir de um sentir intensamente arraigado, contemplativo nas profundezas do mar das emoções, que se de outra forma surgisse, jamais aceitaríamos, que na corrente que louva a importância sacra de nos deixarmos ir, para o que quer que seja, engrandecer a benesse de nos permitir.

Sarah Moustafa

3 comentários:

  1. Minha querida

    Um belo texto cheio de força...certo que não nos podemos deixar ir na corrente, mas por vezes a vida nos leva.

    Um beijinho com carinho
    Sonhadora

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    Respostas

    1. Obrigado pelo simpático comentário!

      Beijinhos*

      Sarah

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  2. Eu que sou o leitor mais preguiçoso li 3 ou 4 dos seus textos e gostei muito deste, nos meus 30 minutos diários de reflexão tem dias que chego a conclusões parecidas com estas.
    Shiuuuu! descobri este blog porque vim espionar através doutro e fiquei curioso por ter visto Caldas da Rainha.
    Continue a fazer o que gosta, é certamente meio caminho andado.

    cumprimentos,

    Ricardo

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