segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Todas as noites são azuis








Todas as Noites
Agarro-me ao fundo mar 
E na imensidão da luz em safira
Mergulho e nesse momento deixo-me levar
Para a verdade das memórias que só
A abissal da profundidade me consegue mostrar

No silêncio dos naufrágios
Das mortes ao meu lado
Sôfregos por um rasgo de ar ávidos
Ali na entrega dos corais
Que me despem a pele
Dos inoculos vendavais
Sou próxima dos meus encarnados
Esquecidos Ideais

Sei que quase me afogo
Que quase encontro o fim
Da charada e alma em jogo
Mas não me importa
Senão o limiar
Dá água que me beija Fogo
E se viver muito
Implica sobreviver por pouco!

Todas as Noites
No centro e coração do oceano
Encontro-me
A música que toca veludo azul no piano...
Promete-me 
A beleza
Que aspiro, nem que seja
Só por mais um ano.


Sarah Moustafa 


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