sábado, 9 de novembro de 2013

Lua Negra






Dói-me o corpo e pouco passam das oito da manhã.
Dói-me mais do que a dor, mais do que o corte cirúrgico na pele, o sangue que não escorre, o pulso que a vida socorre e vomito que não se insurge e finge gosto de mel.
Medo.
Medo que se penetra fundo, lâminas ensanguentadas nos pés trazidos ao submundo.
Traição, choque, fibrilação na ilusão descortinada num segundo.
Não é verdade. Então porque não soa a mentira?
Ciume, ordinário. Reles, Precário. 
Chora-lhes horas no lugar do sono, ataques de pânico e fotografias de abandono, orgulho esventrado no próprio trono.
Raiva de importar ao que não te pertence, substituição sem nome, sem arena, jogo e competição. 
Sem chance de deitar outra cara no chão.
Vingança e o silêncio crepitante que desmembra a paixão, o vazio esperado ao lugar do caixão.
Não morre. 

Puta.

Nem para a própria salvação.


Sarah Moustafa 

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