segunda-feira, 11 de novembro de 2013

O Homem Mais Im( Perfeito)


Não sei senão que nunca saberei de onde veio.
De onde é que tudo isto começou.
O tempo reveste alguma dificuldade de discernimento na identificação.
Foram seis meses e cada segundo dos mesmos pareceram-me sete vidas.
Encontrei-o no ponto mais negro e soterrado da minha personalidade - a obsessão apaixonada absoluta da criação.
E de longe, muito longe observava-o de perto.
Inventava palavras que já existiam mas que se tornam reais pela tangibilidade concreta da sua certeza.
Tive o impulso imediato de me declarar, como uma louca apaixonada, várias vezes mas a esse impulso nunca cedi, o medo sempre arranjou forma de me travar.
O medo sobretudo da personificação de todos os meus ideais esculpidos na carne mais perfeita do homem que vi antes de facto, o olhar.
Alimentei-o com o mais devoto carinho, diariamente na minha fantasia por presenciar.
Perdi a conta das inúmeras vezes que o beijei, que lhe fiz amor e morte numa rendição tão intensa que me sentia parte de uma fusão nuclear entre dois mundos que pressentia de algum ponto na Terra germinar.
Um Maio doce chegou e de tão doce e frutífero de possibilidades, paralisou-me.
 Paralisou me a ideia da concretização de um encontro de um livro assinado pelo destino que literalmente me veio parar as mãos.
Acho que de alguma forma subtil e desmascarada ele reconheceu-me, sabia que o aguardava.
O encontro marcado numa cidade diferente com odor de mar e da minha agitação suplantada, por fim trouxe-me o culmino, o êxtase de lhe poder ler o rosto, contar as linhas frágeis de cansaço e oculta vivacidade.
Um jantar de muito apetite e pouca fome acobertado por sorrisos e silêncios de familiaridade.
Subitamente o meu mundo colapsava-se da forma mais ordeira e universal.
De tão bem que me fazia sentir, chegava-me a sentir tão mal.
O reflexo no espelho da peça que nos falta e consequentemente encaixa é...transformador.
Sabia o perigo que corria, o risco de o deixar entrar mas nem isso foi suficiente para me intimidar.
O basta nunca chega de bastar.
Os dias tornaram-se cheios, o ânimo na minha habitual brandura surpreendia todos ao meu redor, o poder do romance da tua vida é a fonte inesgotável de vitalidade que ele te dá.
A potencialidade de acreditar que por uma vez na vida eu me podia dar, e receber de volta.
Desaguei poemas a todos os instantes quanto o fôlego me podia dar, e várias vezes me vi sem ele.
Colecciono-os até agora, neste momento.
Nem as duvidas, as tristezas e as mágoas me fizeram a musicalidade interna de imagens e inspirações cessar.
Ele está em tudo o que escrevo.
Tornou-se um estranho familiar em menos de um segundo, o primeiro inequívoco sinal que algo em mim gritava por mudar.
Um dia de intervalo, pareceu uma eternidade, voltamos ao ponto de partida. A um reencontro na sua zona de conforto, mostrou-me o seu refugio e tudo naquele espaço me dizia olá, ainda bem que chegaste.
Imaginei-me em cada canto daquela casa a fazer tudo o que é humanamente possível realizar.
Tudo me sentia a sonho.
Por paladar onde vagarosamente me deliciar.
Tudo.
Ele pediu-me um abraço e eu dei-lhe alma em retorno.

" Não me largues. Não me largues "

Fui contra todos os avisos de perigo eminente, fui de imediato demasiado depressa e embati no devagar.
A força do que se passa internamente, a voz da intimidade fez-nos aproximar e separar.
Em pouco tempo veio a instabilidade.
A recusa de proximidade, os testes a qualquer sanidade.
Conseguia entrar nas muralhas e logo de seguida era expulsa do castelo, sem saber por onde nos procurar.
No entanto todas as dificuldades só me faziam quer mais, gostar mais, ultrapassar os confins das barreiras, não podia acabar sem uma grande luta. Não perante aquele que tudo nos faz questionar.


E assim começou o efeito dominó.


To be Continued...


Sem comentários:

Enviar um comentário