sexta-feira, 15 de março de 2013

Utópica




Sou uma apaixonada...
Pela vida e todo o circulo que a compõe, todos os pequenos detalhes que lhe conferem uma beleza intransponível, inigualável,  distinta de qualquer outra forma de ser e crer.
As formas que crescem da terra, que brotam de matérias únicas e perfeitas, que nos concedem sensações sublimes, que nos oferecem tudo o quanto precisamos, nos teste cépticos a que nos submetemos de uma natureza crente na descrença humana.
As formas que se modelam em mãos, que se talham em talento, em serviço ao bem estar á beleza de arte que se encontra nos seios perfeitos de uma escultura, na fragilidade de um papiro na imponência de uma pirâmide além fronteiras...
Todas as matérias visíveis, ou não, a olho nu apaixonam-me, arrebatam-me na quase sobrenaturalidade que lhes vejo, que lhes leio, que lhes crio...pensando em como é possível termos o que temos em mãos, em redor e não estar apaixonado!
Pensando em como de tão pouco nos realizamos, na consciência de divindade exposta nas paredes do quarto, na montra da rua, no parque da cidade em tudo por onde caminhamos sem andar...
Anseio a paixão maior, aquela que transmute barreiras capitais, que nos atrasam, que nos delegam e cegam a tarefas obrigatórias sem terem que as ser.
Porque temos de pagar pela água do copo e a carne do prato se nada é nosso, se a natureza na sua grandiosidade nos doa os seus mais preciosos materiais, não seria isso suficientemente capaz de nos gratificar  e evoluir ao poder da doação?
Aquela visão nobre, utópica e despropositada da realidade... de uma irmandade verdadeira no sentido colectivo da palavra?
Não penso ser Sonhadora ou Alienada,  pois creio que a realidade é uma consciência de alma e não a ditadura proferida de outrem.
Cada um tem e sente a sua realidade e deveria de poder vivê-la sem outorgar linhas de menor esplendor ao que em si irradia.
Penso ser uma apaixonada, sem duvida uma apaixonada pela Vida semeada há muito, muito tempo atrás e que continua mais presente do que nunca.
Quero o mundo que permita aos pés seguirem pelo caminho da verdade do coração e não aquele que nos coage a ir pela estratificação absurda de valores de humilhação.
Quero para mim e talvez, ainda mais, quero-o para todos.
Quero Muito.

Sarah Moustafa

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