quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Viagem




Na dispersão do momento, o pêndulo  rodopia, uma e outra vez, na giratória perfeita da amálgama de pensamentos que entopem as veias cerebrais, exaustas no exercício da sua propria função.
O pêndulo move-se na linha circundante e eu viajo com ele.
Parto para dimensão, onde o transe me eleva do corpo e atenciosamente proporciona a magnificência dos recantos da mente, soterrados nas imagens primitivas da recordação.
As memorias accionam a peregrinação ás vielas cruzadas, nos becos das ruas perdidas, das ruas que minguam sinalização, impelindo os forasteiros á descoberta crua do trilho correcto.
Impelindo o viajante á necessidade do exercício da intuição, como mapa da rota a seguir.
Porque na mente , e apenas nela, se fermenta o verdadeiro conhecimento, a verdadeira informação da necessidade latente, que se satisfaz na fome por respostas á incongruência das questões levantadas.
 E quando as colocamos levantamos a poeira que tolda os olhos e dispersa o raciocínio á sua vontade.
Na obtusidade se sucede a desconexão, e assim se dissipam em milhares de fragmentos perdidos nas faculdades máximas da capacidade inerente á existência.
O pêndulo é o motor de busca, é o retorno, o exercício da mente desleixada que não se conforma com o pouco que sabe, com o pouco que se lembra e na urgência da apoteose do resgate, parte na viagem da sua vida.

Sarah Moustafa




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