quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Os Dias Cinzentos





Os dias em tons de cinza nunca me incomodaram, não tanto como aos demais.
Desconfio até que o cinzento pintado na vastidão dos céus me agrada. Demais.
Talvez porque veja nessa tonalidade um reflexo da cor com que pintaria a minha alma, se assim o pudesse fazer.
Talvez porque do misto entre o branco e o preto eu veja algo mais do que o concreto das cores em si.
Talvez porque a minha mente dispersa, vê nos dias cinzentos, e no cinzento em si, um aludir á dualidade que me fascina, que me veste e despe, que me aproxima e me afasta, do coração e do corpo confusos com a complexidade da confusão.
Talvez porque a mente pictórica associa ,num piscar de olhos, a luz e as trevas juntas numa só, como eu sou, como todos somos, ainda que em grande fase de negação, ou não, sendo a irremediável tremenda verdade.
 De quando em vez a prata visita os céus para nos relembrarmos de tal.
Ou talvez só a mim e ás minhas divagações... mas por isso, talvez, estes dias gostem de mim como eu gosto deles.

Sarah Moustafa



2 comentários:

  1. Sarah, como tendemos por procurar equlíbrios e as "facilidades"do que é neutro, nada melhor que o cinza para equilibrar a "distância" entre o branco e o preto. Para ficar mais atraente o cinza ficaria mais para o prata. Seria um equilíbrio mais solene.
    Muito boa para refletir essa sua postagem.
    Bjs
    Manoel

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