segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A Cabeça Ri o Corpo Chora



A indulgência apodera os ossos cansados, fatigados da sucessão veloz dos acontecimentos quase imperceptíveis na percepção disforme da inserção do corpo, no sitio certo.
Quando a mente voa alto, para além das linhas rasteiras, do comum conforto da realidade material, a rota transforma-se numa rede complexa, longínqua  para onde os pés caminham , quase descarnados, na incessante vontade de querer acompanhar o tamanho gigante da profundidade que diariamente se reproduz.
O corpo debilita-se, revolta-se, instiga-se contra alheia crueldade, suplica pelo abrandamento  pelo reduzir das horas que o trabalho, tão particular, exige. Demanda. Precisa.
A mente entende o corpo, percebe claramente as mensagens que lhe são enviadas, caso contrario  não estaria neste momento a relatar a tese, mas o que a matéria não entende, e possivelmente nunca entenderá, é que criar, caminhar nessa jornada maior que ela mesma, é tão necessário como respirar, porque se não assim arriscar, apenas existirá, como num suporte básico de vida, nos cuidados paliativos entorpecida no limbo petrificante da verdade de ter ficado á margem de si mesma.
A cabeça revoga sem hesitação a possibilidade da anulabilidade da bênção concedida , que sabe sempre importar custos, sabe e sela a informação para si apenas e exclusivamente.
A mente pode rir, pode gargalhar no eco profundo da diversão máxima que consegue ter, enquanto o corpo chora no pranto lastimável do cansaço da forma, da volubilidade insustentável no ritmo alcançado, mas sente como nem a carcaça consegue, o pesar por assim ser, sente porque o seu intelecto permite lhe chegar a tal conclusão ainda antes mesmo que a companheira débil.
E é aqui que reside a exacta mestria descrita, com a sinceridade da cabeça latejante, neste preciso máximo instante.

Sarah Moustafa

2 comentários:

  1. Sarah, que postagem inteligente. Até entendo que o riso da cabeça somado ao choro do corpo gera o equilíbrio do humano. Gostei do trechinho:

    "neste preciso máximo instante"

    Um beijo
    Manoel

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