terça-feira, 2 de outubro de 2012

As Reflexões do Espelho





Já não te reconheço, as exigências dispares separaram o caminho trilhado, na deambulação dos relacionamentos.
Já não te reconheço mas quero-te ainda assim, quero-te por que és parte do meu todo, e ainda que distante das idas harmonias, a verdade é que continuo a querer-te. Sempre mais e mais na espiral da saudade corrompida.
A corrupção que infectou as esferas das nossas vidas, a bactéria das provocações, cujo meu corpo sirvo em oferenda, se a tua salvação assim outorgar.
Aspiro o dia em que o reflexo retorne ao seu primórdio, Insustentavelmente observo a imagem difusa, incompleta , gasta na intemporalidade e no desassossego da aspiração.
Quero-te ainda assim.
Ilusoriamente apelo á consciência, apelo á grandiosidade dos céus, apelo na desconsolação tremenda da inexistência de um paradeiro.
A suplicação segue com as força dos ventos, encarregues de te procurar, de te abrigar de volta a casa.
Continuo a querer-te, sempre.
Miragem...espectro de ti, de onde vens? Para onde vais?
Continuo a ver-te inteira, a totalidade de ti, ainda emerge radiosa no meio da podridão.
Volta para aqui...Sossega...Fica.


Sarah Moustafa

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