terça-feira, 8 de novembro de 2016

Um pouco de dó, nenhuma piedade .




Vá lá, confessa-te
O mesmo que te fazia num segundo aumentar de tamanho
Logo de seguida fazia -te recolher numa figura tão pequena
Diminuída á vulnerabilidade das tuas verdadeiras carências
Dos teus , não tão secretos , desejos
Pensaste que serias menos homem ?
Tremeste, correste em círculos e acabaste de onde tentaste fugir
A teia voraz desta dependência

Vá lá, para quê tanta penitência?
Nós sempre fomos fiéis devotos á mesma bíblia
Não estás a seguir os mandamentos
Estás a conformar-te , pequenas doses, potenciais entradas gourmet
Mas tu és velha guarda, só ficas bem com desafios maiores que tu
Precisas da refeição toda

Vá lá , exorciza-te
A insatisfação crónica de apetites não colmatados
Deixam-te doente, estás a arder em febre
E depois sou eu a diabólica
Está bem, continua.. procura por mim mais um bocadinho.
Eu gosto de brincar ao quarto escuro.

Vá lá, que culpa tenho eu ?
De achares que encontras o segredo do universo ( entre as minhas pernas )
Golpe baixo,  demasiado sujo ?
Não é este o verdadeiro reflexo? 
Estás confuso ? 
Não existem verdades absolutas, mas algumas são eternas 

Eu não te acuso dos meus pecados.
Garante-me a mesma cortesia.
Já há muito tempo que me pus de joelhos e rendi.
O Diabo não é misericordioso.
Amén.

É por isso que o adoramos.






Sarah Moustafa 

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