terça-feira, 19 de setembro de 2017

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Existem rodas vivas, loops constantes , ciclos que parece nunca mais acabarem.
Existem mundos entre mundos , ramificações e consequências insuportáveis.
Existem dias atrás de dias presos á mesma raiz que se afunda no mistério do tempo.
Existem vidas que dão a mão com a morte e dão á luz estranhos rebentos da criação.
Existem mulheres feridas por todo o lado carregando as marcas de incompreensão seculares.
Existem os berços de ouro e as camas de palha , e entre o amor e ódio que ali repousaram
e as histórias que foram escritas  ,ficam sempre demasiados detalhes por contar.
Os escorregas e as discrepâncias, uma sociedade doente mas fecunda na medicação ,
Homens esmagados , forçados a vomitar alma , filhos marcados para todo o sempre,
Existem moribundos de fome que perecem sem teto, guerras e ameaças nucleares,
Manipulação ao próprio centro da Terra.
É tudo natural.
No meio do caos, existem flores virgens que despontam ignorantes e são chamadas de amor.
Vêm da forma do nada e com a força do tudo.
São as aves raras que ainda reconhecem beleza no mundo.
Existem sempre armas com elas em mira .
Muitas morrem alvejadas ainda no seu primeiro voo.
Outras tornam-se mais astutas e migram para zonas mais seguras.
Pousam no ramo , na nova habitação.
Escrevo com uma caneca de café fumegante nas mãos e oiço dois tiros lá ao longe.
Regela-se a alma já habituada , Outra que se foi ...
O sangue nas asas agora inerte, tem cheiro intenso de quem amava mais alto do que alguém deveria arriscar amar .
Ela sabia que não estava segura em lado nenhum,
foi por isso que tentou a sua sorte.
E outro loop, outro movimento célere na roda se iniciou.
Mas são os caçadores que acabam com barriga cheia , e ave rara, decorada de pétalas exóticas e corajosas, acabou por não ter oportunidade de nada.

Existem situações incompreensíveis neste mundo ,
cada alma com um novelo e poucas são as que atinam como o desenmaranhar.







Sarah Moustafa

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