terça-feira, 24 de setembro de 2013

Se me bastassem a vida e a morte






Se me bastassem as vidas e as pupilas encostadas ao sol, teria quem sabe o vestido dançante de quem segue e soma os passos desta humana prol.
Esqueceria as noites e os abismos, os oceanos negros em formato de sereia em escamas e lirismo, olvidaria o terror que me fende o corpo de prazer quando me abre o sismo.
Tomaria a vida como o que ela é, geraria outras vidas, casaria as vontades esquecidas e não remaria contra essa mesma maré, que é um planeta que me gravita e sustem, a resistência caminha-me nos pés.
Se me tirassem as estrelas que não existem e bombeiam o sangue que a este corpo subsistem, ou as palavras que não foram inventadas, retalhadas numa atmosfera onde existem... seria a história enamorada, uma narrativa acalorada e o ponto de encontro entre o sol e lua desta vida que não me é encontrada.
Se me bastassem as mortes e as pálpebras cerradas, e os anjos da noite drenados de esperança afiançada, teria quem sabe o trono do reino das sombras que me é invocada.
Teria o contrário do que me é nunca saciado.


Sarah Moustafa 

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