quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Abecedário




Intoxico-me com sensações, com palavras sublinhadas nas profundidades dos meus vulcões
Procuro-as suicidas ou acrescentes de alguma vida e um sentido perdido nos turbilhões
Amanhecem -me húmidas as memórias que não tenho impressas e anoitecem geladas aquelas que me acontecem
Costuro remendos de tecidos inventados e sedas brancas do meu sangue sarapintado, estou viva ! 
E talvez a mágoa seja a única voz em que acredito no que ela me diga.
Sei que escrevo obsessivamente, as chuvas que não me caem no Inverno e as palavras próximas de um conforto materno, são tímidas Primaveras que me permitem sentir perto de quem sou inteiramente.
Se me intoxico multiplico-me nessa doença desdobrada, um abecedário de planos e línguas inventadas aos milhares de cantos no universo infiltrada.
Entardecem-me amenas as linguagens entre vidas cruzadas.


Sarah Moustafa  

2 comentários:

  1. Olá! Gostei muito do teu blog. Adere ao meu ALRTE.BLOGPOT.PT. bj

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  2. Olá! Gostei muito dos teus poemas! Adere ao meu blog em ALRTE.BLOGSPOT.PT. Bj

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