segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Não podia não saber, sentir-te.






Não podia não saber sentir-te nesta ligação feita sem pedir-te. 
Sem pedir-me a invasão de um estranho familiar, de um cubo de gelo derretido no mesmo olhar.
Detesto a irracionalidade da sugestão e quem me dera poder deturpa-la e forjada entregar-te mentida esta emoção que me é desconhecida.
Detesto ainda mais a tentativa de justifica-la nas noites que não durmo para te acordar, na água que não bebo para solidificar esta pedra no centro do meu corpo que me devora para não te matar.
És tu o egoísta, no entanto sou eu que não sei deixar de te usar.
Preciso da tua subjectividade para me aproximar da minha particularidade.
Preciso da tua instabilidade para estabilizar a minha criatividade.
Se és ilusão não és mais que o ideal que apaixona a identificação.
Identificas-me o ponto curvo numa inexistente acentuação, eu gosto tanto do que não existe.
E  tu gostas tanto de ser personagem que para uma camada qualquer do meu inconsciente te evadiste.
Preciso do susto que me assalta os sentidos quando um carro branco se cruza na minha imaginação, e o embate são asas que me levam de novo a mesma arritmia, onde deixa de ser  um carro senão um veículo de proximidade na solidão.
Não podia não saber sentir-te e mentir-te quando te digo que és a verdade, a voz e a metade, a fronteira, a pátria e a saudade, o inicio, o meio e o fim da minha vontade.
Não és nada.
És só tudo.

Sarah Moustafa 

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