quarta-feira, 27 de junho de 2012

Gestação





Outrora, dentro desse acolhimento, protegida me senti.
Através do ventre, essa residência tão intrinsecamente pessoal, ascendi neste plano de realidade e que dificultada ascensão se revelou.
Existiu durante muito tempo uma dolorosa vontade de retornar ao idílico refugio, pois somente aí, me sentiria nutrida e evitaria sentir o amargo vazio, que este mundo real, me trazia.
Um vazio de proporções gigantes, ao ponto de perder o meu próprio sentido de identidade.
Como se a maturação não estivesse completa no dia que sai cá para fora.
Talvez por esse mesmo fenómeno, o poder inerente á mulher de poder gerar uma vida dentro de si, num vinculo tão estreito e profundo, me fascine e amedronte tão intensamente!
É aquele milagre, que tantas vezes nos passa ao lado nas buscas incessantes por um, e ele está mesmo ali á nossa frente.
A necessária aprendizagem , que mais tarde e forçosamente, obtive em apreender que cada estágio de vida é único e belo mas que o propósito é evoluir e seguir para a próxima etapa, esse vazio amenizou.
É um trabalho exigente, duro e nem sempre bem sucedido mas necessário para poder almejar alguma paz interior.
A gestação de uma criança Virginiana, é por norma, ensombrada por medos, paranóia e inseguranças que se reflectem no permeável embrião.
E quanto mais fui descobrindo mais fácil ficou de entender todo o processo inerente que acima referi.

Confesso ainda hoje olhar para uma mulher grávida e não conseguir evitar a nostalgia que me invade e me comove.


Sarah M






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