quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Quando um atira, outro ataca




Quanto mais longe
Mais próximo te tornas
Como se esperasses pela hora certa
para me despertares para a verdade desleal
Do fantasma da tua companhia
E onde me contas sobre o que era suposto ser
apenas uma leve história
Colorida, passageira ... Banal
Enquanto fosse mera
Chama irrequieta
Acesa mediante a novidade
de um fugaz encanto
Não cresceria proximidade ...

Um caçador no encalço
de uma raposa matreira
Qual deles o mais capaz
De chegar primeiro ?
Cruzar a meta
O salto derradeiro
Saborear por fim
Num sismo de prazer
O reconhecimento e a glória
De vencer e ver a presa sofrer
(Afinal tu sempre gostaste de correr
E eu de me instalar onde sei que fico para sempre,
 no recanto da
Memória )

O poder em mãos
De te poder rasgar toda a vergonha
Trazer-te uma sombra risonha
Beijar-te medo
Empurrar-te para a luz
E desaparecer no rastro de pistas
Que te sussurrei
Deixar-te com o peso da cruz
E agora ?
De que serás feita?
Procura -me.
Descobre-me o segredo.

Trepou-te no âmago
Sorrateira
Abriu-te portões
Incendiou máscaras
Exorcizou demónios
Abriu te um buraco
De tremenda fome
Acordou a besta
Capaz de tudo
Para não se render
A imagem de um fraco
Vulnerável no colo de sabor materno
E se permitir ser  apenas um menino magoado

E agora ?
Enganados no plano traçado
marcados a brasa
Mudaram o que estava destinado.
Estúpidos,
Livre arbítrio , não vos valeu de nada.

O caçador atirou e raposa ripostou.

Dois cadáveres esventrados.

Que para aprenderem uma lição - Sobreviveram .


Quanto mais longe
Mais obcecado te deixo.






Sarah Moustafa 




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