terça-feira, 18 de outubro de 2016

Peito Aberto



Batem asas e ascende uma nova visão 

Luz perpétua incinerada dentro da escuridão 

Espuma dos dias claros

Abraçadas á noite de silêncio, oceano e rebentação 

Ondas imensas rendidas á sua natureza

A beleza da transformação 

Pousa o pássaro no ramo que se quebra

Caem as folhas avermelhadas nas raízes da sua estação 

Sobe o sangue rubro no corpo pálido sem circulação 

Abrem se os olhos extasiados na forma curva de mel e interrogação 

Apartam se as nuvens derretidas no céu expandem-se púrpura sobre as minhas mãos 

As melenas encaracoladas fundem se na terra 

Conhecem se na perfeição

Há uma dor que se acalma no peito aberto

Absorvendo todas as partículas do que se recicla

Sem nunca nada ter de terminar

Há uma dor que ainda existe

Que se descobre na aceitação 

Por todas as câmaras secretas que bombeiam no coração.



Dói menos quando amas a tua dor.







Sarah Moustafa 

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