domingo, 28 de julho de 2013

Declaração - VII




Desaparece! 
Desaparece, esta sensação que se desconhece.
Sai. 
Sai fora daqui.
Aqui não há nada que te satisfaça, aqui está tudo vazio.
Sai.
Não te quero. 
Desprezo-TE.
Como foste capaz de me invadir, de trepar pela minha intimidade acima como se de teu direito fosse.
Como se fosse tua posse, tua..completamente nua, sem me despir.
Como foste capaz desta violação, de disseminar o teu veneno nas veias gastas de antídoto, como foste capaz do mais hediondo dos crimes e de o me fazeres cometer. 
Como foste capaz de me curar?
Odeio-te, Odeio-te com todas as minhas forças
Estragaste tudo e não havia mais nada para estragar
Deixaste me tudo e não havia mais nada para deixar
Puseste um fim no inicio que não havia para começar
Fizeste tudo mal no bem que já não existia para depositar.
Arruinaste-me.
E abraçaste-me nas ruínas, fizeste amor comigo nos destroços em que dominas.
Como pudeste fazer amor se és todo o terror... não tu não fazes amor.
Tu não amas, tu destróis e não deixas nada..só o tudo que não pára de me fazer sentir.
Deixaste-me a sentir, reanimaste-me e agora... como deixo de o fazer?
 Como se desliga do que á vida me liga?
Desaparece, não quero esta herança, não quero esta sentença.
Sai...
Vai... esta sensação que me enriquece.
Quero ser pobre, quero continuar sem nada
Leva tudo o que deixas-te
Por favor... Leva tudo o que amaste.
E desaparece, o sempre é verdade, e o sempre acontece.


Sarah Moustafa


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