segunda-feira, 1 de julho de 2013

Declaração - III




O teu afecto, o meu tecto
Os meus destroços, os teus esforços,
O teu telhado o meu pecado.
Segurança alguém alcança?
Em ti. 
Quem dela se Cansa?
Eu.
Procuro-a na mesma, como amansa e torna suave a ponta de uma lança...
Procuro-te por seres tão inseguro como eu, como o finjo não saber, e como isso te torna meu.
A tua janela aberta a minha transgressão liberta.
O teu sonho, o meu pesadelo a realizar.
O meu medo redobrado, o teu grito de coragem conquistado !
O que faço de ti?
O que faço de mim?
O que faço de nós?
O que não faço, neste súbito impulso de um abraço?
E um desejo rendido
E um beijo sucumbido
E um êxtase prometido
Quanta vida cabe no que digo?
A tua ternura, a minha desenvoltura.
A tua certeza, um novo tipo de beleza.
O teu chão, aos pés o meu coração.
Se o pisares fá-lo languidamente
Devagar...
Não devia dizer isto
Mas o que não se diz, quando se ama, sem avisar
Sem nos perguntar se queremos amar?

Sarah Moustafa

1 comentário:

  1. Tudo se diz quando se ama alguém,sem espera da troca mútua.

    bjs amiga Sarah

    Carmen Lúcia-mamymilu.blogspot.com

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