quinta-feira, 23 de maio de 2013

Declaração






Dizer-te como és bonita é pouco. 
Tão Pouco de muito que quero dizer.
Do que se pode dizer, tão longe daquilo que se consegue ver, quando realmente o estamos a fazer.
E fazemos deslumbrados com o nível de alienação, que apenas algo, cuja beleza seja de tão extraordinário que o fenómeno evoque verdadeira magia, mas que só ali, se efective porque se comprova em instantes arrebatadores, a sua abstracção que nos esmaga sobremaneira, que se torna concreta.
Não há suspiro que arranque, beijos que lance, olhares que alcance que perpetuem, o conteúdo na forma que caído de joelhos, abismado, estarrecido, embebido de sublimidade reconheço.
Não existem palavras suficientes, teorias e práticas abrangentes, musicas benevolentes e justificações inteligentes que suportem o tamanho daquilo, que por falta de melhor, no papel inscrevo.
És de tão única, de tão singular que nessa medida desconheço o que partir dali, desse instante tremendo, deixou de ser.
Danças os sete véus e cada um que deixas cair é mundo que cai comigo também.
Desabo-me e ergo-me mais forte a cada queda.
O mais lindo disto tudo é dizer que é essa beleza que me faz querer morrer. 
Desfalecer continuamente , perdida, apaixonadamente, uma e outra vez, só porque assim sei de facto como é viver.
Quando cai o ultimo véu fica o que de melhor um Homem pode desejar nesta Terra, um pedaço de Céu.
Sim és um pedaço de Céu na Terra. 
Sempre Tu e Eu. 
O mesmo pedaço de um todo.
O Horizonte.
Dizer-te como és bonita é pouco, porque não o és.
Sou eu. 
Eu que testemunho, eu que engrandeço, eu que faço a arte onde te capto e largo no mesmo segundo.
Eu que sou a inspiração que inspiras.
Que sei quantos segundos de ar respiras e respiro contigo olhando longe a mesma mira.
Quem está do outro lado?
Eu.
Sempre Eu.
Dizer que te amo é pouco.
Porque o que amo é o que em ti sou.

Sarah Moustafa

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