quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Diário dos Arruinados- X




Queriam que sorrisse, que mostrasse os dentes a toda a hora, como se tal factor fosse mudar algo da redundância desta vida.
Rir para quem? Para quê? Para onde?
Como sequer poderia atrever-me a desenhar um ténue sorriso nos lábios, se fisiologicamente, a cada tique taque assinalado, choro em convulsões de lágrimas incontáveis, inseparáveis... imparáveis de mim e do todo.
De tanta emoção que se carrega num corpo totalmente avesso ás mesmas, elas transformam-se no teu pior inimigo, aquele de que não nos livramos , desconfio, até no decesso á cova.
Recalcadas, interiorizadas ao âmago visceral, embruteceram-me a forma fechada e sisuda, de semblante triste e enraivecido numa miscelânea de dois sentimentos que ninguém consegue compreender na junção de um só.
Ou deveria ser só um triste de quem acometessem grande compaixão, ou um furibundo que menosprezassem... agora os dois ao mesmo tempo? É de impossível manejo, nem família  amigos quanto mais desconhecidos se aproximariam do que eu também fujo, continuamente, sem mexer os pés.
Quero fugir mas não quero correr, Quero gargalhar do fundo do ser, mas não me quero ouvir num som jubiloso contrário á essência que criei.
Poderia eu arrogantemente julgar que criei quimicamente algum tipo de subtipo de matéria, que assim me fez?
Num laboratório onde nem me lembro de exercer funções? Quando é que isto tudo começou?
A resposta está no exterior, ás malfadadas experiências ou no interior ás asfixiadas crenças?
Perdi a fé, cedi á facilidade de a perder, de não a procurar não me encontrado a mim.
Sempre soube que tinha um propósito mas busca-lo ao plano material perspectiva se numa busca de tão difícil acesso, de tanto risco a que comportar, que nesse medo me suicidei.
Agora...não consigo sorrir, porque nunca me permiti a consegui-lo. O Sonho ainda me visita, ainda bate á porta, insistente, expectante, ansioso  pelo dia em que a porta se abra aos portões velhos, gastos, do caminho ao qual não ingressei.
Interrogo-me o porquê desta insistência, desta teimosia em vir bater ao que não se abre, porque não procurou outra porta, de outra pessoa a que insistir no convite de bravura?
Porque essa porta, foi feita unicamente á minha medida, aos meus códigos estrelares, mais ninguém por lá pode passar.
 Mais ninguém.

Sarah Moustafa

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