sexta-feira, 6 de julho de 2012

As mil e umas noites





Nas areias do tempo eu invento as mais maravilhosas historias, repletas de aventura, heroísmo, guerra, sexo e sangue onde poderás permanecer preso nas redes do que a minha língua de conta, nas noites quentes de verão.
Num deserto sem fim , eu me redimirei, nas tertúlias impostas ao preço da minha salvação.
Passarei a mensagem, distraindo-te da malvadez que te assola e que te faz cometer os mais hediondos actos.
Na fogueira acesa, as fagulhas da curiosidade divagam brilhantes acima de nós, não permitem descanso, não permitem sossego apenas uma continuidade do trabalho iniciado.
Queres ouvir mais, ainda que fantasiado, permites esse ludibriar, por apenas um segundo, poderes fazer parte das assombrosas aventuras que te continuo, sempre incessante, a proferir.
Talvez por contemplares algo de profeta em mim, permitas a mentira enlaçada na imaginação do além.
Talvez por isso o meu sangue ainda não tenha jorrado nas areias movediças do teu reino.
Gostas de acreditar no meu sibilar , na minha entoação na minha coordenação linguistica diligente e precisa , como se de algum jeito mágico eu pudesse adivinhar o que precisamente, queres ouvir.
A magia das palavras ecoa fundo no teu ser, ajudando no processo de cicatrização, que nos tempos idos um    sabre , nas formas femininas, te perfurou fundo na carne.
Olhas para mim  e pela primeira vez não sentes a sede de vingança a emergir e interrogas-te se serei maga ou feiticeira disfarçada num corpo de Virgem menina.
 E apesar dessa duvida , suficiente para a usual carnificina, permites me o alentar da vida pelo menos enquanto mais mil e umas histórias eu te puder contar...


Sarah Moustafa 

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