sábado, 25 de março de 2017

Vice-Versa



Como gostaria de dar voz
ao silêncio arrastado dos meus sentidos.
Gritar a plenos pulmões
sobre a extensa noção de infinitude a que me remetes.
O eco bravo viajaria pátria a pátria,
Rodando sobre o eixo de um globo sem fronteiras

Mas a vida terrena, castiga .
Encolhe-nos, limita e bloqueia
Arrasta montanhas ,  cava fossos
Envelhece-nos, estupidifica-nos,
regredimos e não abrimos asas
Voos de liberdade,
vivência absoluta do amor,
com toda a sua universal verdade.

Mas em todo este tempo que urge e nos testa,
que nos afasta e fere,
ainda sobrevives.
Ergues-te ! Superas- te ...
Expandes , sabe se lá como, a divina centelha.
Começa sempre com uma inútil e trémula letra
e não mais deixa de dançar,
num rodopio , num frenesim
Que nem sei justificar!
Círculos mágicos ,
Mensagens de um poeta atribulado !
Chama ardente de um visionário!
Palavras ganham vida , transportam luz
beijam sagazes a profundidade destas trevas!
Beijam-se , a alma parte-se em dois.
Despem-se,  volta a encontrar-se
Entrelaçada, Una.
O medo e a morte não são para nós.

De nós nascem puras e invioláveis sementes,
De grandes sonhos e magia.
De nós se erguem as forças opostas
Vice-versas
Nadas do mesmo tudo.
O sagrado e o profano
A cura e a doença
O apego e todo o desprendimento,
Um pai que se segura no colo da sua criança carente
E chora tanto com ela...

De nós pouco mais saberão
Do que aquilo que o mistério sabe de si.

Como gostaria de poder explicar...
O que não consigo.
As raízes do sentimento foram firmadas
No Monte Olimpo .
E como gostam , os deuses, de segredar sobre nós ...

Tanto tempo passado...
Como se nem uma página ele tive tocado.

Tenho-te em mim , escrevo-te.
Tens-me em ti, lês-me.
Para & Sempre.

O fim é só o inicio.







Sarah Moustafa

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