quinta-feira, 23 de março de 2017

Em memória da grande fé que perdeu.


Hoje a chuva guiou-me ,
caminhei sonâmbula
á orla da floresta encantada
para onde me chamaste,
Caminhei encharcada por horas a fio ,
Não desisti, iria ver pelo menos a ténue sombra
De ti.

Tornou-se difícil andar,
A tempestade abateu-se forte,
A lama ganhou braços
puxando-me cruel debaixo de terra,
Impedindo-me
Querendo enterrar ,
a réstia de vida ,
Sobrevivente de guerra,
Albergada num refúgio secreto ,
Aguardando o fim deste pesadelo.

Os mantimentos acabaram.
E está tão doente...
As trevas não dão tréguas ,
No seu leito e voz moribunda
Está a tentar dizer algo...

E não consigo entender,
Estende-me a mão engelhada
Quer que a segure,
até ao fim.
Balbucia algo no momento
que um trovão estoura,

Penso... penso que está a pedir desculpa ,
por estar prestes a morrer,
Quando lutou até ao fim,
Por nos ver renascer.


Perdoa-a,
foi tão corajosa,
leva tua alma,
Mas é merecedora.

Foi tudo ,
tudo.
tudo.




Sarah Moustafa


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