quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Queda sem chão .



Detesto estes dias.
Nada chega, nada preenche o vazio solitário
forjado lamentavelmente á extensão do teu nome.
Nome que sobrevive neste borrão de palavras,
abominavelmente sentimentais, repetitivas
Já chega ! Já chega ! Já chega!
Acho que estou mesmo doente.
E quanto mais tento a cura mais veneno me preenche
Existe um abismo sem fim,
Nunca mais aterro
e me estatelo morta nesse sagrado chão.
Talvez sobrevivesse, sem memória
completa limpeza de histórico
Alguem me puxaria pela mão
E mostraria como é bom voltar a realidade
Da simples existência do amor,
Detesto estes dias,
que temo a eterna ausência da tua voz
O eco da rejeição
Com que ainda me embalas diariamente,
O apagar das linhas do teu rosto,
onde se desvanecem detalhes,
Areias movediças
que te apagam no tempo.
Devia celebrar,
Não estamos destinados,
Porque haveria de querer alguém tão pequeno como tu?
Nunca foste meu amigo ou amante.
Uma miragem , um devaneio
Uma personagem que só ficou aquém
do que artisticamente criei,
Secalhar é isso...
Fui eu que te dei vida.
E carrego-te como cruz,
Claro que sinto falta de ti,
Levaste um bocado de mim.
Eras meu .
Mas eu nunca poderia ter sido tua.
Não eras real .

Detesto estes dias,
Em que converso entre lágrimas 
e enfraqueço...

Dizem o dilúvio é uma limpeza.

Depois deste tempo todo ?

Ainda me poluis.

Detesto-te.







Sarah Moustafa 

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