sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Melancolia



Terrível sensação saudosista invades, sem permissão, a plenitude do meu ser, encarcerado nas memorias de não sei quem e do não sei quando...
Só resta a necessidade de ficar assim quieta, divagando nos recônditos da mente , relembrando palavras, toques e odores, de um tempo ido, criado ou não na minha imaginação.
Não interessa no fundo, pois apenas requer e exige que active qualquer coisa, bem fundo dentro de mim, para alimentar essa terrível imperatriz, a melancolia.
O vazio aprofunda-se mediante este estado de espírito e arquitecta uma angustia e uma ansiedade inexplicável á razão.
É superior á saudade, pois esta ainda que nos visite constantemente em memoria de alguém ou de um determinado momento, não é um estado de espírito imutável e permanente.
Alterna os seus períodos de ataque.
A melancolia pode fixar as suas raízes, alimentando-se escrupulosamente das nossas energias, e ficar o tempo que bem lhe apetecer. Pelo menos, até o estado se tornar depressivo ,talvez aí, abandone quem seu escravo se tornou.
 É completamente Vil esta sensação.
Cuidado, assim que a sua sombra paire por perto, pois o seu faro, para potenciais alvos á subjugação do seu poder, é enorme.
A mínima fragilidade é o suficiente para lhe chamar atenção.
Meticulosa, aproxima-se silenciosamente e entra no corpo.
É praticamente impossível, retira-la antes da sua vontade, e ainda que se consiga, os danos que deixa....são irreparáveis.


Sarah Moustafa



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