segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Lágrimas





Como se de uma semente se tratasse a lágrima brotou grossa e translucida no meu olho assustado, o seu liquido estranho, assemelhando-se a agua, molhou-me as pestanas e por segundos nublou-me a visão.
No decair elegante atravessou a face e percorreu-a , sem hesitação, até chegar aos lábios temerosos, como destino final.
O seu paladar surpreendeu-me. A salinidade da sua composição despertou-me a curiosidade.
As lagrimas transpõe algo de incrivelmente belo e fatídico a que o apelo da resistencia se torna dificil de concretizar.
Irremediavelmente seduziram-me.
A Ansiedade assola-me quando não estão presentes, preciso delas mais do que tudo, porque quando florescem nos meus olhos, a dor decresce, diminui, como se tivesse sido eliminada da minha existência.
Como o se o luto devido, ficasse concretizado.
As lágrimas são companheiras fieis da fragilidade. Entendem-na numa extensão humanamente impossível.
A debilidade consegue funcionar como um vicio, qualquer substância que erradique , nem que apenas por segundos, a dor acutilante que fustiga, devasta e corrompe as entranhas, é bem vinda a entrar.
As lágrimas são a minha necessidade, o meu alivio, o meu vicio pleno.
Quando sublime a lágrima corre no rosto de outrem, corre também no meu.


Sarah Moustafa







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