quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Agora, sabes.





Ninguém te sabe a pele
Ninguém te sabe a dimensão de galáxias , a profundidade das emoções e o vazio de pensamentos.
Tantas vezes , tu própria, finges que esqueces a imensidão do brilho que te rodeia.
Vezes demais, escoa para tão longe, o potencial de que te falam.
Tu não queres palavras, já as tens em supremacia.
Olham-te de relance e afirmam convictos que sabem lidar contigo.
Olham outra vez e o dano sobrepõe-se a linguagem do reparo.
Vão embora.
Vão sempre embora.
E a viagem por esse universo, reduzido ao teu nome, adensa-se.
Descobris-te um lugar onde o choro já não acontece e a mágoa não fere como antes.
Já sabes aceitar , já sabes confortar no regaço da tua criatividade a mais feroz das revoltas.
Essa pele de que ninguém sabe, expandiu-se a outros códigos estrelares.
Para tão longe e diferente que até a ti te custa lá chegar.
Até a ti, por enquanto, custa-te conectar com tamanha transformação.
A depressão aniquilou-se com a mais depressiva das situações.
Fez ricochete e esta já não te domina.
Ansiedade alivia-se no foco de silêncio que a lua te evoca.
Há tanto que se perde na tradução.
Deixas-te de te preocupar e flutuas no caos , ao ritmo da mesma canção.
Só que agora ouves.
Existe tanto que ninguém te sabe.
Continua a doer,
As partidas inesperadas continuam a fazer te sofrer.
Só que desta vez, respiras-te força , engoliste angustia, largaste a falta de sentido aos céus.
Encolheste os ombros ( que é como quem diz o coração)

Porque já aceitas.... que não há nada que possas fazer.







Sarah Moustafa

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