quinta-feira, 1 de junho de 2017

Perdão .



Lamento tudo
o que aconteceu connosco,
sem me arrepender de nada.
Lamento os desencontros,
os mal entendidos ,
todas e quaisquer mentiras .
Lamento as ausências,
as intermitências,
as indecisões ,
a dependência absurda de ti ,
e o que sem licença despertei .
O que nos tornamos ?
Lamento as fugas ,
as guerrilhas sem fim ,
Lamento as feridas que abrimos.
Os dias longos de Inverno ,
A cama vazia
As reticências, O silêncio
As projecções
As trocas e substituições.
Lamento ,
que não alcances
que não entregues
que não ajudes
que não queiras
Lamento que não me suportes,
Os meus poemas lamechas ,
As saudades engolidas
Tão fundas e indecentes ,
sem meio de serem devolvidas
Lamento que me odeies tanto,
por tanto gostar de ti.
Entendo .
Lamento por nós os dois.
Perdoo.
Sem prova ou razão
Entre a ponte da minha e tua verdade.
Talvez um dia,
Elas se encontrem,
Por aí perdidas ,
Crianças soltas
De corações gigantes,
Tão leves
Nos braços onde
qualquer coisa se cura.
E percebam que nada lá atrás importa,
quando ainda tem o agora.
Enquanto há vida há tempo,
E Cronos é nosso Pai.
E o tempo é tudo que nos resta .

P.s - Qualquer dia, Qualquer hora .
Hoje, Amanhã... Sempre .




Sarah Moustafa



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