sábado, 22 de abril de 2017

sim, não, sim, não , sim, não, sim , não .





Ter-te ia dito mais cedo que sim ,
se soubesse,
que passarias o resto dos teus dias em negação ,
pensaria minuto a minuto,
em diferentes e estranhas formas ,
de afirmar a plenos pulmões ,
que seria ( tua ) musa,
multifacetada, até aprenderia a cozinhar
e tu o (meu ) semi-deus .
sim semi, porque não suportaria que abdicasses
da tua deliciosa humanidade ,
que de vez em quando te faria cair de joelhos,
agarrado ao altar da minha compreensão,
bolas falhei, e ela ainda me quer
e eu me ajoelharia ao teu nível,
e morderia o lábio,
num misto de ternura e perversão
Só te quero ainda mais,
de todas e quaisquer formas,
falhado, vencedor,
homem, menino,
desertor, patriota
gentil ou monstruoso,
t-o-d-a-s
murmuraria, sentido a pulsão
do teu desejo, tomar posse
ainda antes de me mostrares
onde deveriamos deixar
marcas
por todos os cantos de casa,
porque serias fonte
eu eu alimento,
e choraria, sim
gritaria, sim
gargalhava , sim
gemeria, sim
e as tuas inseguranças ,
e os meus medos
seriam nada
criaríamos
o nosso big bang
um universo de possibilidades
infinitas,
explodindo intensas
Imensas !
tanta vida
a cada segundo ,
que a fé e o fogo .
fossem os únicos fios condutores
desta história,
tão diabólica,
como divina.
Fecha-me os olhos,
rebenta-me o resto
do coração ,
diz-me , não .
beija-me, não,
empurra-me, não
mente-me, não
morde-me, não
escreve-me, não.
e da discórdia,
descobre -se a fricção,
e da fricção nasce uma faisca,
e da faisca,
ressurgimos fogo,
e
alastramos incêndios .

por todo o lado.




Sarah Moustafa





Sem comentários:

Enviar um comentário