quarta-feira, 12 de abril de 2017

O que os olhos não vêem...



Desde que partiste ,
todos os dias são um enterro .
Sofro de um tipo de viuvez particular,
não só por mim,
mas por ti também.
Ambos desfalecemos  ,
todos os dias fechamos os olhos
esperando que estes não se abram ,
esperando não ver memórias
tão detalhadas , actuarem no nosso presente
Trazendo a tua voz , a tua gargalhada
Trazendo-te o meu cheiro, o meu sabor
A forma de encaixe perfeita
de dois mundos virados ao contrário,
que durante um acidente de percurso ,
se encontram, fundiram , descobriram
dentro de um parêntesis fomos reticências ,
encontramos abrigo,
refugio nos teus braços seguros
e no meu regaço quente.
a brevidade de um momento,
mudou tudo para sempre.
ás vezes a ferida distrai-se
afinal o que arde cura
exponho a minha
escondes a tua.
e o mais provável
é estarmos ambos errados.
Uma borboleta estranha ,
pousou-me na mão ,
queria explicar a teoria do caos
mandei-a embora,
oiço os teus gritos de raiva ,
de dor ,
de quem não se permite senti-la.
a asfixia de quem não
consegue arranjar coragem de
respirar verdade.
o peso de uma culpa estúpida,
mascarada de uma imperial
teimosia .
conheço esse orgulho,
sorrio.
consegue ser tão tirano como
o meu.
a perda foi mútua ,
porque eu tenho que preparar o teu funeral
diarimente , esperando pelo dia
em que não mais tu ressurjas
mas tu ainda nem tentaste
tirar-me de ti,
só me trancaste ,
fugiste.
e corres com o peso de um corpo,
que te tortura e condena.

esperando que o que os olhos não vêem, o coração não invente.

como é que isso está a correr ?







Sarah Moustafa

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