terça-feira, 11 de abril de 2017

Pigmeus



Por vezes,

quero-me apagar nas linhas do tempo,
desfragmentar-me
pedaço a pedaço,
de uma alma
em eterna construção ,
cativa no remoinho
de uma ampulheta avariada.

Quero tornar-me ainda mais invisível ,
definhar nos bastidores
de uma realidade que nunca será a minha,
Não quero ter voz,
Dar a cara, cumprir com os requisitos
De ser humana ,
num mundo cada vez mais desligado
da sua humanidade .

quero ceder á doce tentação da desistência
numa batalha sem fim,
onde todos os que não merecem,
são os que acabam tão mal.
Afinal os vilões,
ganham sempre no fim.

Entre o beijo da morte e o alimento da vida,
a tua força mirra .
és pouco mais que um grande nada,
na fantasia da existência,
que fazes parte do mundo dos gigantes.

és só uma barata peçonhenta,
prestes a ser esmagada
ou com um pouco de sorte
a estúpida de uma joaninha ,
que nasceu um pouco mais aperaltada .

mas és pequena,
somos todos
minúsculas partículas de pó ,
crentes no invisível
no além!
porque é impossível essa miudeza,
é impossível
não passarmos de anões serviçais ,
a causas completamente
tolas e irreais.

temos de ter alguma importância.
Deus escreveu...
O Universo é...
A Ciência diz...

Um conto de fadas,
apenas um conto de fadas
Que nunca vai acontecer.

E se por vezes me apetece desaparecer,
fujo para a tempestade
das minhas palavras.

elas acabam por me devolver ,
para voltar a observação de um mundo,
em estado visceral de vida,
onde o mais comum é morrer .





Sarah Moustafa


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