sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Solidão




No conjunto do todo a permanência do á parte estabelece-se.
A dificuldade de integração é uma constante, a espiral do vácuo que se aprofunda dia após dia, um facto.
A solidão, companheira fiel, exige uma percepção do mundo muito diferente.
Não permite a conexão, a confiança para estabelecer aquela ligação que tão desesperadamente procuramos ter com os outros.
A solidão quer-te só para ti.
Egoísta faz de tudo para assim ser.
Permite um vislumbre diferente, força a duplicação dos esforços para te conheceres, empurra-te para o extremo do precipício, mas nunca te deixa saltar.
A sua força reside na obrigação a que te submete.
Sozinho consegues ouvir. Sozinho consegues sentir. Sozinho consegues crescer.
O preço da solidão é alto mas a sua recompensa também.
Depois do exílio, talvez, deixes de te sentir sozinho numa sala repleta de gente.
Quando magoados, fechamos as copas, e sabemos lá como recuperar de tamanha dor.
A solidão é o remédio amargo, o tratamento que ninguém deseja, que tanto tememos e que tanto necessitamos.
Sem sentir o seu toque jamais voltaríamos a ter um solo fértil, permitindo o reflorescer de algo que enclausuramos.
Solidão é o gélido Inverno, mas sem o frio cortante jamais sentiríamos a confortante e amena Primavera.

Sarah Moustafa


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