terça-feira, 18 de setembro de 2012

Dizem que é um coração partido..






Dizem por aí que a dor que carregas é a de um coração partido... mas então porque te doí tudo?
Cada centímetro de matéria que te compõe dói.
Apenas o acto de respirar absorve uma tormenta indescritível, incomparável a qualquer outra dor alguma vez sentida.
Erram com o que dizem porque quando  o verdadeiro reservatório de poder, o coração,  é atingido a extensão dos danos vai muito mais alem do órgão em si.
As consequências desta doença são a verdadeira fonte de preocupação.
A bala que penetra fundo, que se aloja e instala e que nenhum cirurgião se atreve a tirar, pois se assim ousar, a maquina certamente cessará as suas funções.
Então vives com a maldita ou melhores existes com ela, viver pertence ao passado.
Sobrevives mas dão-te como nula, extinta, numa linguagem moderna dirão depressiva, a semântica das palavras tornam-se irrelevantes, tal como tudo o resto.
A comida é insípida.
O odor bafiento.
O olhar enevoado.
Os prazeres da humanidade revogados.
O que te resta senão os estilhaços de memorias, que por mais que tentes dispor na ordem correcta, tal puzzle de lembranças, nunca retoma á sua forma original?
Estes estilhaços aprofundam os cortes, aprofundam a dor da infecção inerente.
Num corpo,aparentemente são, realizas as mais básicas tarefas, e aos mais distraídos quase que passa por apenas um dia mau, uma tristeza passageira, um desgosto temporário.
E quando o temporário caminha largamente em direcção ao eterno?
E quando todos os dias se fixam no mau?
E quando nada muda?
Atenção ao que dizem...um coração partido não acolhe nunca simplicidade, tal como o seu tratamento.
E ,não é só, nunca um coração partido...

Sarah Moustafa





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